A jovem australiana Sally Fitzgibbons venceu ontem pela segunda vez consecutiva o Estoril Surf Billabong Girls, a terceira etapa do circuito mundial de surf feminino de qualificação, com 6 estrelas e 35.000 dólares de premiação total, que ontem terminou na praia da Bafureira, em S. Pedro do Estoril.

 

Com uma concentração incrível e surf da alto nível, Sally bateu na final a veterana brasileira Jacqueline Silva, vencedora aqui em 2008, que teve uma última bateria para esquecer, completamente desencontrada com as melhores ondas que quebraram, com cerca de 1m a 1,5m, depois de duas baterias em grande forma, nos quartos-de-final e meias-finais.

 

Este segundo lugar, no entanto, não deixou de ser o seu melhor resultado nos últimos dois anos e uma importante ajuda na tentativa de se requalificar para o World Tour, onde esteve durante mais de 10 anos e onde chegou mesmo a vice-campeã mundial.

 

Ao contrário, Fitzgibbons esteve em perfeita sintonia com o mar e, nas primeiras três ondas que apanhou acabou por definir logo a sua pontuação final – 6,75, 7,25 e 8,25 pontos em 10 pontos possíveis. Como contam apenas as duas melhores ondas de cada atleta, Sally terminou com uma pontuação total de 15,50 em 20 possíveis, deixando a sua adversária brasileira a precisar de uma combinação de outras duas ondas para superá-la.

 

Com esta vitória, a jovem de 19 anos passou à liderança do ranking mundial de qualificação (WQS), depois de já ocupar a segunda posição no do World Tour, circuito que atribui o título mundial e onde competem apenas as 17 melhores do mundo, de que faz parte.

 

Eu adorava saber falar português, pois sinto-me aqui como em casa e vocês recebem-me sempre tão bem,” disse a autraliana, agradecendo a hospitalidade. “Prometo que vou tentar aprender, pois este é o quarto campeonato que venço em Portugal, de cinco em que participei. Adoro as vossas praias e ondas e a única coisa que posso dizer é ‘Obrigado’,” concluiu Sally, em português, durante a entrega de prémios.

 

Mais descansada, a sorridente Fitzgibbons confessou estar muito feliz com o resultado, que marca a sua primeira vitória nos últimos quatro campeonatos em que entrou (nos dois circuitos), embora tenha chegado à final em todos. Parte agora para França, onde se realiza a próxima etapa do circuito WQS, já na próxima semana.

 

Nas meias-finais, em terceiro lugar ex-aequo, ficaram duas das jovens surfistas mais promissoras deste circuito, a australiana Tyler Wright, de 16 anos, que assim repetiu o resultado alcançado na etapa anterior e sobe ao segundo lugar do ranking mundial WQS; e a norte-americana Sage Erickson, de 18 anos, que obteve o melhor resultado da sua carreira com este resultado.

 

Ainda de manhã, nos quartos-de-final, ficaram num honroso quinto lugar as atletas Alana Blanchard, do Hawaii, Courtney Conlogue, dos Estados Unidos (outra jovem que promete dar bastante que falar), Jessi Miley-Dyer, da Austrália e Nikita Robb, da África do Sul, uma atleta de sangue português, que já em 2009 tinha chegado a esta fase da prova, o que ajudou à sua qualificação para o World Tour.

 

Durante a tarde, e depois de um dia inteiro bastante preenchido graças à melhoria nas condições atmosféricas e às boas ondas que quebraram na praia de S. Pedro do Estoril, realizaram-se as fases finais do Troféu de Surf Feminino.

 

Muito animadas e cooperantes, as cerca de 120 surfistas, distribuídas por 17 equipas, disputaram a vitória nesta prova inédita, cujo formato foi pensado para ajudar a evoluir as atletas mais recentes do surf português e cativá-las para a competição.

 

Assim, e após uma disputa acesa, o Caparica Surfing Clube venceu o Troféu de Surf Feminino, conquistando também o primeiro lugar da Zona Centro. Com o segundo lugar na geral, o Sines Surf Clube foi o vencedor do primeiro lugar para a Zona Sul, mesmo à frente da equipa da Semente, que foi terceira da geral e segunda da Zona Centro. Com um quinto lugar na geral, a Associação de Surf da Figueira da Foz venceu a Zona Norte, mesmo à frente do Centro Cultural e Recreativo da Quinta dos Lombos, quarto da geral e terceiro clube da Zona Centro.

 

Em jogo estavam cerca de 3000 euros, o maior prémio alguma vez atribuído a uma prova de surf feminino em Portugal, que foi repartido pelos três melhores clubes de cada uma das zonas, além de prémios individuais para várias surfistas.

 

E a nível individual a vitória foi para Constança Coutinho, que deixou a sua colega do Caparica Surfing Clube, Maria Gonçalves, no segundo lugar, Carla Tomé e Linda Booij, da equipa Semente, na terceira e quarta posições, respectivamente. O prémio especial para a Billabong Girl foi este ano ex-aequo para duas jovens surfistas, Maria Giraldes e Mariana Assis.

 

Para terminar o dia e o Estoril Surf Billabong Girls 2010, realizou-se o White Drum Circle, um evento de percussão criativa que encheu o “Dome” instalado no parque de estacionamento da praia de S. Pedro do Estoril, com centenas de pessoas de todas as idades e géneros a tocar e a cantar em uníssono, numa verdadeira demonstração de unidade e espírito criativo.

  

 

O evento deste ano correu muito bem, apesar da intempérie do dia de ontem,” afirmou Joana Rocha, uma das metades da Rocksisters. “O mundial contou com boas ondas, variadas e um nível muito alto, o Troféu de Surf Feminino foi um sucesso e todas as participantes querem repetir. Quanto ao White Drum Circle... fala por si. Foi incrível ver tanta gente tão diferente entre si a partilhar um momento tão espectacular! Obrigado a todos e até para o ano,” concluiu a responsável.