Sabendo
lidar melhor com a pressão e controlando a ansiedade com mais facilidade que
o adversário, a AD Vagos conquistou este domingo (58-50), em Coimbra, o seu
primeiro título de campeã nacional feminina. Em vantagem na série (2-1) as
vaguenses encararam o jogo 4 da final do play-off com mais tranquilidade que
as suas opositoras (Olivais), que ostentavam o ceptro nacional há duas
épocas consecutivas.
A equipa de José Araújo não
entrou na partida da forma que havia feito na véspera (jogo 3) e disso se
aproveitou o Vagos que fez o seu papel, sem contemplações. Ganhando
sistematicamente as bolas divididas, as pupilas de Nuno Ferreira mostraram
desde o apito inicial que estavam ali para ganhar, pondo em cada lance muita
entrega e determinação.
Todavia o Olivais conseguiu no 2º período (15-9) melhorar a sua eficácia de
lançamento e aliado a uma defesa pressionante obrigando o adversário a
cometer bastantes erros (4-11 turnovers), chegou ao intervalo na frente
(25-22), disfarçando a pálida prestação dos 10 minutos iniciais (10-13), em
termos ofensivos. No jogo interior a poste Clarissa Santos, marcada ora por
Danyel Crutcher ora por Sofia Carolina, resolvia a maioria das situações,
ainda que esta última tenha sido importante na captura de alguns ressaltos
ofensivos (6) que dava à turma do Olivais mais posses de bola ao intervalo
(40 contra 36).
No reatamento o colectivo de Nuno Ferreira conseguiu um parcial de 0-8, com
dois triplos consecutivos, de Inês Faustino (minuto 22) e de Mariana Alves
(minuto 23), completados por uma falta provocada pela jovem Inês Faustino,
que ao não tremer da linha de lance livre, virou o resultado (25-30). Valeu
ao Olivais nessa fase de menor acerto, o inconformismo de Ana Fonseca e
Danyel Crutcher que conseguiram várias situações de igualdade (30-30, 32-32
e 34-34), mas um triplo de Izabela Moraes, seguido de mais dois lances
livres convertidos pela extremo brasileira, voltou a dar vantagem ao Vagos,
que se cifrava em 6 pontos no final do 3º período (38-44), com segunda bomba
de Inês Faustino, do meio da rua.
A 5ª falta de Inês Faustino no minuto 33 (aos 38-46), depois de ela própria
ter fechado a sua conta pessoal através de uma penetração concluída com
êxito no minuto inicial do último quarto, não abalou a organização vaguense,
com Joana Lopes a acertar o seu 2º triplo (39-49) e depois a aproveitar da
melhor maneira algumas facilidades defensivas por parte das olivanenses, com
duas bandejas que colocaram a sua equipa a coberto de alguma reacção
adversária, fazendo 44-53 (minuto 37) e 48-55, com 45 segundos para jogar.
Dois descontos de tempo consecutivos pedidos pelo treinador do Vagos, a 29 e
25 segundos do termo, quando o Olivais tentava o tudo por tudo, transmitiram
a serenidade necessária às suas jogadoras para carimbarem uma vitória justa
(50-58). Estava consumado o 1º título nacional feminino para as cores da
colectividade vaguense.
Nas vencedoras, voltou a destacar-se a polivalente Joana Lopes (14 pontos,
2/4 nos triplos, 7 ressaltos defensivos, uma assistência e 2 roubos), com
cestos em momentos cruciais, seguida por Inês Faustino (12 pontos, 2/3 nos
triplos, 2 ressaltos defensivos, uma assistência e 1 roubo) e Clarissa
Santos, com novo duplo-duplo (16 pontos, 10 ressaltos sendo 3 ofensivos e
uma assistência, com o senão de ter feito 7 turnovers). Izabela Moraes (9
pontos, 1 triplo, 5 ressaltos defensivos e 1 desarme de lançamento) e a
operária Mariana Alves (1 triplo, 7 ressaltos sendo 3 ofensivos, 3
assistências e 1 roubo) também tiveram contributo positivo.
No Olivais, destaque para a MVP do encontro, Danyel Crutcher (10 pontos, 8
ressaltos sendo 6 ofensivos, 2 roubos e 1 desarme de lançamento), bem
acompanhada por Ana Fonseca (10 pontos, 1 triplo, 2 ressaltos defensivos,
uma assistência e 4 roubos) e Sofia Carolina (4 pontos e 14 ressaltos sendo
7 ofensivos). Jhasmin Player, a despeito de ter sido a melhor marcadora da
equipa (16 pontos) e de ter ganho 6 ressaltos sendo 2 ofensivos e
distribuído duas assistências, viu a sua valorização ser bastante penalizada
por ter cometido 7 turnovers, mais de metade da marca atingida pela equipa
(12), enquanto a base Michelle Brandão não conseguiu ter a mesma influência
da véspera, acusando demasiado a pressão na hora de lançar ao cesto.
Em termos globais, o êxito da AD Vagos assentou na melhor eficácia de
lançamento, tanto nos duplos (37%-45%) como nos triplos (7%-43%), com as
suas atiradoras do perímetro a converter 6 triplos em 14 tentativas,
enquanto as olivanenses estiveram desastradas nesse capítulo, acertando
apenas 1 em 14 tentados. De nada valeu ao Olivais a superioridade nas
tabelas (36-32 ressaltos), mormente na tabela ofensiva (16-6 ressaltos), o
que lhe garantiu mais posses de bola (82 contra 74), mas com o coeficiente
de eficácia ofensiva (0,61 contra 0,78) a ser demasiado penalizador para o
seu objectivo. Tal como o facto de ter cometido menos erros (12-21 turnovers)
também foi anulado pela fraca eficácia revelada (30% nos lançamentos de
campo e 58% da linha de lance livre, onde desperdiçou 11 das 26 tentativas
de que dispôs), enquanto as vaguenses foram bem mais certeiras (75%, com 12
lances livres convertidos em 16 te! ntados).
Resultado final (jogo 4): Olivais 50-58 AD Vagos