O
Benfica aumentou para dois o número de triunfos na série final do campeonato
da Liga Portuguesa de Basquetebol, frente ao FC Porto. Numa partida de
grande intensidade defensiva, onde quase sempre foi difícil encontrar o
caminho do cesto, a maior criatividade individual vinda do banco encarnado
acabou por fazer a diferença (63-53). A forma distinta como as duas equipas
interpretaram a defesa e a solução ofensiva do bloqueio directo na bola
explica em grande parte o porquê de os benfiquistas terem tido, ainda que
pequeno, um maior aproveitamento ofensivo no decorrer da partida.
O encontro principiou, à
semelhança do que aconteceu no 1º jogo, com muita luta, contacto físico, em
que nada era consentido com facilidade e, acima de tudo, com as duas equipas
a revelarem grandes dificuldades em encontrar o caminho para o cesto. As
percentagens de lançamentos dos dois conjuntos também não ajudavam em nada,
destacando-se pela negativa, nesta fase inicial, a prestação de Heshimu
Evans, que era literalmente convidado a lançar ao cesto. Se não se
concretiza de fora há que procurar outras soluções mais próximas do cesto.
Nesse aspecto, os benfiquistas estiveram melhores – boa entrada na partida
de Elvis Évora – o que explica o resultado favorável de 11-6 que se
registava no final do quarto inicial.
Eram visíveis as dificuldades dos dois conjuntos em conseguir fazer pontos,
o que retirava espectacularidade e beleza ao encontro. Não quer com isto
dizer que deixou de ser interessante, até porque a entrega das duas
formações era exemplar. A maior criatividade individual trazida por Diogo
Carreira, melhor a jogar o bloqueio directo na bola, bem como o aumento da
eficácia do lançamento exterior, com Evans a acertar a pontaria, dava a
primeira vantagem clara às águias no decorrer do 2º período (21-8). O bom
contributo dos benfiquistas vindos do banco (Carreira, Tavares e Elvis) só
não se tornou mais evidente até se atingir o intervalo muito à custa da boa
reacção portista já nos momentos finais da parte. Agressivos na defesa,
lutadores nas tabelas e finalmente a conseguirem concretizar cestos, aquele
que é o grande objectivo do jogo, os dragões, com um parcial de 9-2,
atingiram o intervalo com as contas mais equilibradas (17-23).
A etapa complementar trouxe um Benfica capaz de manter o adversário à mesma
distância pontual, fundamentalmente porque executava melhor em 5x5 meio
campo, explorando preferencialmente a opção do bloqueio directo, com as
várias leituras possíveis do movimento ofensivo. O FC Porto foi sobrevivendo
muito à custa das movimentações individuais dos seus atletas – Marçal foi um
bom exemplo – como forma de ultrapassar a forte defesa encarnada, que em
momentos interpretava com grande correcção o princípio de ajudar quem
ajudou. Foi sem surpresa que a turma da casa vencia à entrada do último
período por 13 pontos de vantagem (43-30).
Numa partida de tão baixa pontuação, 13 pontos acabam por tomar uma
proporção totalmente diferente, daí Moncho López ter feito regressar a opção
defensiva introduzida na parte final do quarto anterior. Numa tentativa de
desregular as movimentações atacantes do seu adversário, o técnico espanhol
dava ordens para se fazer um 2x1 no portador da bola à passagem da linha de
meio-campo. E quando tudo parecia controlado, eis que aconteceu a lesão de
Will Frisby, aparentemente com alguma gravidade, que colocou no ar a dúvida
como iria ser o encontro a partir desse momento.
Pois na verdade não se alterou muito. Os dois triplos consecutivos
(Figueiredo e Mota) dos visitantes, a 3 minutos do termo do encontro,
fizeram baixar a diferença pontual para a dezena de pontos (53-43), a mesma
que o marcador registava no final dos 40 minutos (63-53).
Já depois do encontro ter terminado, as duas equipas envolveram-se em cenas
lamentáveis, o que tornou o final da partida bastante atribulado. A rápida
intervenção dos responsáveis de ambos os clubes evitou que a situação
tomasse dimensões maiores, acabando por imperar o bom senso entre todos os
intervenientes.
Depois de um início de jogo algo comprometedor em termos ofensivos, Heshimu
Evans (18 pontos, 8 ressaltos e 2roubos de bola) cotar-se-ia como o MVP da
partida. Não fosse a lesão de Will Frisby (10 pontos, 6 ressaltos e 2
assistências), ocorrida a 8.47 minutos do termo do encontro, o
norte-americano poderia ter discutido com o seu compatriota a distinção para
jogador mais valioso da partida.
O inconformismo e a determinação da dupla interior portista, formada por
Greg Stempin (15 pontos e 9 ressaltos) e Julian Terrel (13 pontos, 7
ressaltos e 2 roubos de bola), não bastou para evitar o segundo desaire na
eliminatória.