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Entrevistas

Francisco Pestana, nascido para pintar

 

 

O artista plástico Francisco Pestana, natural de S. Romão, Vila Viçosa, sempre teve gosto e aptidão para o desenho já demonstrado nos seus tempos de criança. Na ausência do papel até o chão servia para exprimir o seu talento.

 

Entretanto Francisco Pestana não seguiu a via das artes, algo que deixou adormecer na sua vida até ingressar no serviço militar, nas Tropas Paraquedistas. Aqui na instituição começou a desenvolver novas técnicas de desenho e retrato de forma autodidacta.

 

A exigência militar faz com que cumpra uma comissão. De Tancos para Angola já no final da década de 60, inicia um curso de desenho e pintura por correspondência, desenvolvendo desenhos que ficavam expostos na caserna da sua companhia. Esta é uma das fases que o marcou  também em termos artísticos.

 

Ao regressar a Portugal, o artista decide aprofundar os seus conhecimentos e técnicas frequentando aulas de desenvolvimento das artes na Escola de Artes António Arroio em Lisboa.

 

Teve como mestres os pintores Jaime Silva, Francisco Aríztia, e Carlos Henriques.

 

Francisco Pestana domina várias técnicas de pintura, sendo que a sua preferida e grande paixão a Aguarela.

 

Em termos de estilos, confessa que não tem um estilo favorito, é o que lhe apetecer pintar, seja retrato, locais, flores e natureza.

 

Os seus trabalhos já passaram por várias galerias de arte por todo o país. De forma permanente tem presença no Museu de Benavente, Museu de Lagoa, Parque Natural de Sintra-Cascais, Instituto Nacional de Habitação, Comando da Área Militar de S. Jacinto, B.E. Paraquedistas Tancos, Câmara Municipal de Vila Viçosa e em diversas coleções particulares.

 

Quanto a exposições temáticas e temporárias tem um leque muito mais abrangente de locais por onde as suas pinturas já passaram em território nacional.

 

Inclusivamente o pintor já foi premiado na V Mostra de Artes Plásticas de Salvaterra de Magos, e no 1º Concurso de Pintura dos 50 Anos de Para-quedismo na Área Militar de S. Jacinto.

 

 

AMMA: A arte de desenhar e de pintar já nasceu consigo? Na sua infância já desenhava. Quais eram temas que mais gostava de exprimir?

 

Francisco Pestana:  Desenhava o que via em meu redor , os pássaros, as flores, tudo o que se relacionava com a vida no campo.

 

AMMA: O desenho no chão era uma das suas técnicas mais utilizadas? Porquê?

 

FP: Porque não tinha outros materiais .

 

AMMA: O que o desmotivou para estar alguns anos sem se dedicar às suas artes?

 

FP: A necessidade de ajudar a família com o trabalho no campo e a falta de contacto com as artes .

 

AMMA: Retomou a pintura já na Escola de Tropas Paraquedistas. Foi por influência de alguém?

 

FP: Sim , conheci  lá um camarada de armas que fazia retratos  por encomenda e viu que eu também tinha o gosto e jeito para desenhar e incentivou-me a recomeçar .

 

AMMA: Já em Angola frequenta um curso de pintura por correspondência. Naquela conjuntura de guerra e tendo em conta a época em que estava como é que isso era possível?

 

FP:  Nos momentos de descanso, quando nos encontrávamos na caserna li numa revista um anúncio de um curso de desenho e pintura por correspondência, no qual me inscrevi e a partir daí desenvolvi as aulas até regressar a Lisboa.

 

 

AMMA: A sua galeria era a caserna da companhia. Os seus camaradas de armas incentivavam-no para continuar a desenhar e pintar? Que comentários faziam?

 

FP: Alguns até me pediam para lhes fazer retratos dos familiares mas o tempo era pouco e as oportunidades também.

 

AMMA: Teve envolvido no vosso Jornal da Caserna. Como é que surgiu a ideia e como é que o dinamizavam?

 

FP: A ideia foi de um nosso camarada, José Apolinário, que também se inscreveu nesse mesmo curso. Desenvolvíamos ideias entre nós, com o conhecimento e agrado dos nossos superiores .

 

AMMA: O seu serviço militar foi algo que o marcou muito. A vossa companhia continua a reunir-se com regularidade? Recordam os vossos momentos na guerra e algumas curiosidades da vossa passagem por Angola?

 

FP: Sempre com muitas histórias para contar e recordar  os momentos lá passados principalmente os que nos marcaram pela positiva.

 

 

AMMA: A pintura que fez alusiva aos 50 anos das Tropas Paraquedistas saiu-lhe do coração? Foi emotivo e espontâneo, ou conseguiu idealizar o que queria fazer antes de começar?

 

FP:  Foi criativo e espontâneo baseado nas imagens por nós vividas que estão sempre na   minha mente.

 

AMMA: Fale-nos um pouco sobre essa pintura, e como foi a entrega dela à vossa “Casa Mãe” dos Paraquedistas.

 

FP: Foi emotivo tanto da minha parte como de todos os Paraquedistas  que assistiram a essa Homenagem.

 

 

AMMA: Disse-nos que não tem um estilo definido, é muito dinâmico. Entre retrato, paisagens naturais, flores e cidades, o que mais lhe dá prazer pegar num acrílico ou uma aguarela e materializar o que tem em mente?

 

FP:   Depende do meu estado de espirito no dia em que me jogo aos pinceis mas em geral  o meu gosto vai sempre mais para trabalhos em Aguarela.

 

 

AMMA: O que o leva a gostar mais de trabalhar com o acrílico e a aguarela?

 

FP:  Tive de desistir de pintar a óleo, por motivos de saúde, e substitui por pintar a acrílico mas a Aguarela  é como disse um Mestre  “O Óleo é muito obediente, a aguarela é mais difícil de controlar, é desafiante. Pintar a óleo é como treinar um cão mas pintar a aguarela é como treinar um gato.”

 

AMMA: Costuma participar mais em exposições pessoais ou coletivas?

 

FP:  Apesar de gostar de fazer exposições individuais, neste momento estou a participar mais em coletivas.

 

AMMA: Qual é o formato que mais gosta e porquê?

 

FP:  Em geral em aguarelas uso formatos entre 30 x40 cm e nos acrílicos uso vários formatos.  É mais prático mesmo para emoldurar e expor .

 

 

AMMA: Nas exposições fixas foi a convite das galerias?

 

FP: Sim, geralmente assim funciona nesta área .

 

AMMA: Como é para si correr o país a mostrar a sua arte?

 

FP: Gratidão e orgulho neste meu percurso mostrando a minha arte .

 

 

AMMA: Nos concursos que participou já foi premiado por duas vezes. Conte-nos um pouco dessas experiências.

 

FP:  Muito gratificante pelo reconhecimento do meu trabalho e obriga-nos a exprimir e por a nu os nossos sentimentos.

 

AMMA: Que projetos tem para o futuro no âmbito das artes? Além de continuar a pintar, pretende passar a alguém os conhecimentos adquiridos?

 

FP:  Já o estou fazendo, dando aulas de pintura .

 

AMMA: O que quer dizer aos nossos leitores que estejam num patamar de indecisão no ingresso à vida de artista plástico?

 

FP: Que continuem a sonhar e a voar no nosso universo porque a Arte é Cultura. Desistir Nunca!

 

Texto: Pedro MF Mestre

Fotos: Francisco Pestana

 

 

 

 

 

 

 

 

Apresentando Patrícia Catarino Afonso e a pastelaria sem Glúten

 

 

“Sem Glúten Cake Design”, é um projecto de Patrícia Catarino Afonso que se dedica à arte da pastelaria de forma a que todas as pessoas possam apreciar os mais apetitosos bolos principalmente os intolerantes ao glúten e lactose, que muitas vezes só os conseguem apreciar com o olhar.

 

Este interessante projecto começou quando a própria Mestre pasteleira de 41 anos descobriu a sua intolerância à proteína do glúten, e com a sua persistência e criatividade consegue converter as receitas da pastelaria tradicional em “bolos para todos”.

 

Como “filho de peixe sabe nadar”, Patrícia é filha de um conceituado Chef de cozinha de Cascais e sempre acompanhou a carreira do seu pai na arte da confecção alimentar, o que a inspirou.

 

Patrícia após ter terminado o ensino secundário ingressou no mercado de trabalho na área da restauração e por aí se manteve durante 10 anos.

 

Entretanto quando havia festas, almoços ou jantares de amigos ela levava sempre um bolo. Com a excelência do seu trabalho foi desafiada para ser bloguer o que aceitou e evoluiu para a profissão que exerce actualmente, a pastelaria de bolos sem glúten.

 

Vamos conhecer a Patrícia e o seu projecto.

 

 

AMMA: A Patrícia já estava ligada à pastelaria antes de começar o projecto “Sem Glúten Cake Design”. O que mudou quando descobriu que também era celíaca e tinha que se adaptar a uma nova realidade?

 

Patrícia Catarino Afonso:Quando descobrimos que somos celíacos entramos num mundo completamente diferente, um mundo em que nos sentimos perdidos no início. Quase tudo o que existe no mercado tem glúten e exige da nossa parte uma leitura rigorosa dos rótulos e muita informação para aprender. Antes deste diagnóstico fazia bolos normais, agora só tive que os adaptar ao meu mundo sem glúten.

 

AMMA: De que tipo de doces é composto o seu portefólio?

 

PCA:  Desde bolos de casamento, bolos para festas, até bolachinhas para um simples chá com amigas. E eu estou sempre a testar novas receitas e a abrir o leque de variedade. Um celíaco sente falta daqueles doces que comia antes mas agora não pode por causa da doença. Basicamente faço os bolos que os clientes me pedem.

 

AMMA: O que muda num bolo sem glúten? É muito diferente de um bolo da pastelaria tradicional?

 

PCA: Mudam as farinhas e todos os ingredientes que eventualmente possam conter glúten. Isso exige da minha parte um controlo rigoroso nesses produtos. Para lhe dar um exemplo, para um bolo faço uma mistura de três farinhas diferentes para obter a textura e a suavidade que a farinha com glúten proporciona. Em relação ao sabor são aprovados pelos meus amigos não celíacos; sem saberem estão a comer um bolo glúten free. E quando lhes conto, ficam agradavelmente surpreendidos.

 

AMMA: Esse processo de adaptação das receitas foi complicado e desafiante? Em que aspectos?

 

PCA: A farinha de trigo proporciona um bolo suave, perfeito. A adaptação no início foi complicada. Houve muitas experiências mal sucedidas. E foi por tentativa e erro que fui percebendo a química existente entre os diferentes ingredientes. 

 

AMMA: Qual foi a reacção dos seus clientes ao novo tipo de pastelaria que passou a fazer?

 

PCA: Eu tenho clientes celíacos, diabéticos, com alergias alimentares ou mesmo clientes Vegan e para eles seria complicado comer um bolo normal. E eu adapto as receitas a esses clientes. Já fiz bolos sem ovos ou sem açúcar e ficaram perfeitos. E esses clientes ficam mesmo felizes e fazem questão de me agradecer e recomendar.

 

AMMA: Nota-se alguma diferença no sabor e textura em relação à receita tradicional?

 

PCA: Segundo a opinião de quem os prova, não notam diferença nenhuma. Aliás quando me convidam para uma festa, eu levo sempre bolos e estes são sempre os primeiros a desaparecer. Há sempre aquela curiosidade de provar um bolo sem glúten e ver se é igual. E aprovam sempre.

 

AMMA: Fala-se muito dos perigos da contaminação cruzada, o que é e como se pode evitar que ela ocorra?

 

PCA:Contaminação cruzada é a transferência acidental de glúten para superfícies ou alimentos. Por exemplo, a quinoa é naturalmente isenta de glúten mas pode ter sido embalada numa fábrica onde embalam cereais que contém glúten. E aí ela fica contaminada com glúten e imprópria para consumo por parte de um celíaco. Outro exemplo prático de contaminação cruzada que não tem a ver com a pastelaria, podem ser as batatas fritas. A batata não tem glúten, mas se for frita num óleo que tenha sido utilizado para fritar por exemplo panados, as migalhas de pão ficam soltas no óleo e ao fritar a batata estamos sujeitos à contaminação cruzada. Na minha cozinha tudo é feito sem glúten e no ato da compra de produtos, faço questão de ler todos os rótulos para garantir que essa contaminação não exista de maneira nenhuma. Os meus clientes têm total confiança e segurança.

 

AMMA: O seu pai foi um conceituado Chef de cozinha de Cascais, ele influenciou-a na arte da confecção? Além de cozinheiro ele também fazia pastelaria e doçaria?

 

PCA: O meu pai, como chef de cozinha teve influência na minha escolha. Ele fazia doces em casa para as nossas festas. Aliás, a minha Tarte Algarvia e a Torta de Laranja são algumas das receitas que ele fazia e que eu guardei até hoje.

 

AMMA: Tem memórias dessa altura? Algo de curioso que nos queira contar? Uma peripécia…

 

PCA: Lembro-me de ter à volta de 5/6 anos e estar em cima de uma cadeira na mesa da cozinha a vê-lo fazer croquetes e rissóis. Ele deixava-me moldá-los e ensinava como fazer.  Quando anos mais tarde fui fazer por minha iniciativa, correu muito mal. Isto porque não sabia a receita, portanto, tive que ir aos apontamentos dele e aí já correu bem melhor.

 

AMMA: Ele deixou à família os seus apontamentos de forma que a Patrícia e os seus irmãos pudessem disfrutar do seu legado?

 

PCA: Sim todos temos livros e receitas que ele deixou e que vamos trocando entre nós. É uma forma de perpetuar a sua memória e fazer o que ele mais gostava: cozinhar.

 

AMMA: Na sua actividade utiliza muito os robots de cozinha. Eles ajudam a fazer uma parte do trabalho. Qual?

 

PCA: Para mim os robots de cozinha são essenciais, tenho dois e utilizo-os ao mesmo tempo às vezes. Ajudam-me a fazer molhos e cremes sem ter medo de os queimar, faço massas no ponto ideal e outras coisas que me poupam imenso tempo.

 

AMMA: Contudo o seu toque pessoal está lá sempre visível. Onde?

 

PCA: Faço muitas receitas “a olho” e por isso nunca faço dois bolos iguais. Às vezes ponho uma raspa de limão ou uma essência qualquer e fica logo diferente. E na decoração também, cada bolo é único e personalizado para o cliente e é aí que ponho o meu toque pessoal.

 

AMMA: Por curiosidade, qual a reacção habitual de um cliente quando recebe uma deliciosa encomenda pela primeira vez? Fica de olhos arregalados?

 

PCA: Normalmente tenho por hábito enviar uma foto do bolo para o cliente mesmo antes da entrega. A reação é muito boa. Mas quando veem o bolo ao vivo ficam de olhos arregalados, especialmente as crianças. E para mim a melhor recompensa que pode haver é o brilho nos olhos e a felicidade de uma criança celíaca ao ver o “seu bolo”. Valeu mesmo a pena todo o esforço e todas as horas gastas nesse bolo.

 

AMMA: O Projecto “Sem Glúten Cake Design” ajuda a superar a exclusão dos doentes celíacos e intolerantes ao glúten no acesso à tradicional pastelaria. Que projectos tem em mente para um futuro próximo? Esta Pandemia que estamos a atravessar trouxe-lhe novos ensinamentos e adaptação?

 

PCA: Sim se formos ver são poucas as opções para um celíaco. Eu por exemplo ando sempre com o meu kit de emergência (como lhe chamo) que é basicamente uma lancheira com comida sem glúten e que me acompanha para todo o lado. Com este projeto consigo proporcionar uma festa completamente isenta de glúten ou uns bolinhos para comer no dia a dia. Quanto a projetos tenho a longo prazo mas ainda é cedo para falar. Por enquanto o meu foco é aprimorar a pastelaria sem glúten com mais variedade de escolha para o cliente. Com esta pandemia vi a importância de se conseguir encontrar a opção sem glúten. Eu avisei os meus clientes que ia fazer uma pausa por tempo indeterminado enquanto durasse o covid-19. Mas as encomendas continuaram e tive mesmo que reabrir e continuar com as entregas. Eram momentos tão especiais que eu não consegui deixar passar. Também me coloquei à disposição para entregar pão e bolos para profissionais celíacos que estivessem na linha da frente. Acho que todos nós aprendemos alguma coisa nestes meses.

 

AMMA: Que mensagem quer deixar aos nossos leitores aos celíacos e não só?

 

PCA: Que sejam felizes. Para um celíaco felicidade é poder comer sem medo. E em cada cliente meu, fica um amigo. Partilhamos experiências em cada entrega e isso é muito bom. Trabalho com o coração e isso deixa-me feliz.

 

Texto: Pedro MF Mestre

Fotos: Patrícia Catarino Afonso

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vamos conversar com o Chef Carlos Madeira

 

 

O Chef Carlos Madeira é Presidente da Associação de Cozinheiros Profissionais de Portugal (ACPP) e Chef executivo na Unilever Food Solutions (UFS).

 

A ACCP nasceu em 1977 e tem como missão o ensino profissional de cozinheiros e pasteleiros, assim como promover cursos de especialização temáticos, vocacionados para formandos com qualquer nível de conhecimentos.

 

Ambos são feitos pelos mais conceituados profissionais na área alimentar todos eles certificados. A missão da Associação não se fica pela formação, mas pretende manter um contacto próximo entre os profissionais do ramo.

 

A UFS fazendo parte uma empresa multinacional de bens de consumo, tem nesta área produtos e serviços de “chef para chef”, ou seja com os produtos alimentares vocacionados para a área profissional de restauração e hotelaria onde há a preocupação de demonstrar aos profissionais da área a forma de como podem inovar e optimizar os seus pratos com este portefólio de produtos com receitas sugeridas pelo Chef. Carlos Madeira e sua equipa: os Chef’s Pedro Gaspar e David Silva.

 

Vamos agora falar com o Chef Carlos Madeira.

 

AMMA: Quando lhe surgiu o interesse de entrar no mundo da culinária? Teve influência de alguém?

 

Carlos Madeira: Além das influências familiares que fazem parte das nossas vidas diretamente, (quem não tem na memória um prato da mãe ou da avó) foi um misto de vontade de ter uma profissão prática e em que a rotina não fosse um perigo! Quando terminei o 12º ano tinha duas hipóteses (criadas por mim!) de futuro profissional: ser advogado ou ser cozinheiro. Fui assistir a alguns julgamentos no antigo tribunal da Boa-Hora, em Lisboa e decidi ser cozinheiro!

 

AMMA: Em termos profissionais onde deu os seus primeiros passos? E como evoluiu a sua carreira?

 

CM: Fiz o curso de Cozinha/Pastelaria na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, terminei como melhor aluno do meu curso e ainda a festejar fui trabalhar para Paris, Meca da gastronomia na altura! Durante o curso fiz estágio de 4 meses no Hotel Palácio no Estoril (curiosamente o Chef Orlando Esteves era presidente da ACPP) e quando regressado a Portugal vim trabalhar para um restaurante de Luxo (Michel), no castelo de S. Jorge. De seguida fiz a abertura do Restaurante-Escola Michel, na Gare Marítima de Alcântara. Em 1990 fui convidado para ser professor na mesma escola onde fiz a minha formação, onde estive até 2002.

 

AMMA: Como surgiram as suas actividades tanto na ACPP como na UFS? Como é o seu dia-a-dia em ambas?

 

CM: A minha ligação com a ACPP tem muito a ver com a gestão e apoio nas áreas em que intervimos, nomeadamente formação e cursos de cozinha para futuros profissionais. Além destes temas, as competições internacionais onde a ACPP, através das suas “Equipas Nacionais de Competição Culinária” fazem também parte das minhas funções na ACPP.

Na UFS tenho a responsabilidade de estar entre as áreas de vendas e a de marketing, preparando tudo (escolha de produtos, desenvolvimento de produtos e de receitas) para que os produtos lançados no nosso mercado sejam bem aceites e utilizados pelos cozinheiros de hotéis e restaurantes. Além disso tenho no Pedro e no David as pessoas que me ajudam na formação das equipas de vendas, nossas e dos nossos parceiros. Além destas funções damos ainda apoio a todas as sessões de fotos, quer de UFS como de GALLO e da parte de retalho da Unilever Fima.

 

AMMA: No geral como vê a evolução da cozinha portuguesa nos últimos 30 anos?

 

CM: Como uma constante mutação em que as novas técnicas e os novos produtos, aliados a um cada vez maior conhecimento e preocupações de nutrição e sustentabilidade, fazem com que a cozinha portuguesa esteja ao melhor nível, sem esquecer a excelente qualidade que temos em produtos frescos e de cozinheiros!

 

AMMA: Nota-se que os profissionais de cozinha estão cada vez mais preocupados com a uma alimentação saudável para os seus clientes. O que tem sido feito nesse aspecto?

 

CM: Sim, os conhecimentos estão mais fáceis de ter e por outro lado os clientes estão mais exigentes, o que faz com que que os cozinheiros sigam na “onda” de uma alimentação cada vez mais saudável e sustentável. É nossa obrigação ter estes tópicos em conta cada vez que pensamos num prato. O equilíbrio é a melhor das medidas utilizadas em cozinha!

 

AMMA: Temos tido cada vez mais Chefs portugueses a ganhar a estrela Michelin, ao que se deve isso? Houve mudança nos critérios? Estamos mais expostos? Há mais excelência na nossa cozinha?

 

CM: É um misto de tudo isso, mas a evolução do turismo nas nossas cidades e a excelência de produtos e de bons chefs fazem o resto. Estamos muito bem nas nossas cozinhas, com boas técnicas e bons equipamentos, e principalmente com bases sólidas de conhecimento do que se passa nos melhores restaurantes e cozinhas do mundo. A internet permite, bem escolhidas as fontes, aumentar imenso o nosso conhecimento e qualidade.

 

AMMA: Sendo Portugal um país tão pequeno, quase 800 x 200Km, como temos uma variedade gastronómica tão rica? Desde o tipo de pratos típicos de cada região, ao queijo, pão, vinho e doçaria?

 

CM: Nós temos produtos excelentes e temos um mix entre produtos de mar e de terra como poucos. A nossa faixa marítima é das maiores e cima de tudo com uma qualidade imensa. A nossa dieta mediterrânica é especial, até porque nós somos um pais Atlântico!

 

AMMA: Uma das suas paixões é o moto-turismo pelas estradas nacionais e internacionais com amigos. Quando chega a hora da refeição habitualmente procuram a restauração tradicional local ou por norma escolhem a mais generalizada?

 

CM: Pedro geralmente as nossas viagens são uma mistura entre todas as vertentes do moto turismo: andar de mota, cultura (incluindo a gastronomia neste grupo). Ao almoço as refeições são mais rápidas e menos intensas para que a tarde seja mais tranquila, mas ao jantar procuramos sempre um bom restaurante, principalmente representativo do pais ou da região onde estamos

 

AMMA: Nas competições internacionais em que temos representantes de Portugal, como é que tem sido o sucesso da nossa cozinha e pastelaria lá fora?

 

CM: Temos um palmarés invejável, com muitas medalhas das 3 categorias, mas acima de tudo com o orgulho de ter nessas competições internacionais, e desde 1992, centenas de chefs portugueses que nunca se esquecem dessa presença e dos conhecimentos que daí trouxeram.

 

AMMA: Como Chef e presidente de equipas de júri explique-nos em que aspectos é que é avaliado um prato em competição. Vocês avaliam desde a fase de confecção e o resultado final, ou o vosso trabalho é focado no produto final, empratamento e o resultado do que foi confeccionado?

 

CM: Uma mistura entre inovação, técnicas apuradas, higiene, equilíbrio nutricional e custo. Até o desperdício pode ser avaliado. Obviamente o sabor é o item com maior peso (40%).

 

AMMA: Na UFS, desde 2013 até 2018 houve a competição anual “O Melhor Arroz de Portugal”, tendo de seguida evoluído para “O Melhor Sabor de Portugal” (MSP), com os pratos de arroz, carne e peixe confecionados pelos restaurantes finalistas em cada uma das áreas. A avaliação era um momento de grande concentração para o júri. Quais foram os critérios base na avaliação de cada prato?

 

CM: A avaliação no MSP era baseada nos critérios da World Association of Chefs Societies (WACS) pois os chefs envolvidos nas mesmas são júris acreditados da mesma (Chefs Paulo Pinto e António Bóia), além de mim próprio.

 

AMMA: Houve um caso curioso, o restaurante Estrela da Mó, em quase todas as suas participações era premiado. No que se destacava estilo de cozinha deles para serem imbatíveis?

 

CM: O sabor era brutal! Parece que ainda me lembro dos aromas e sabores das confecções deles. O produto era bom e as preparações eram simples, mas bem feitas, com os tempos de cozedura perfeitos. Portugal no seu melhor!

 

AMMA: Já assisti a alguns workshops e eventos dirigidos por si. Além da arte na gastronomia, tem também a arte de dirigir a sessão divertida e descontraída. Isso aprende-se? Como?

 

CM: Pedro o facto de ter dado aulas durante tantos anos é uma ajuda grande a que não tenha aquele aperto de ter uma audiência. A partir daí é o gostar imenso do que faço e de transmitir o conhecimento para outros. Sou defensor de que não deve haver segredos na cozinha, devemos partilhar. É isso que faço com quem trabalha comigo, sem segredos, a querer que eles sejam melhores que eu, para me desafiarem a mim a ser melhor, não estagnar!

 

AMMA: Que tipo de workshop/formação mais desafiante e imprevisível que lhe pediram para fazer?

 

CM: Fazer uma demo para 2000 médicos num congresso médico, pôr um chairman da Unilever que esteve uns anos a trabalhar em Lisboa, que era vegetariano, a arranjar um peixe grande (implicou escamar e retirar tripas e guelras), foram desafios interessantes…

 

AMMA: A cozinha é uma arte, cada cheftem o seu estilo, a sua “assinatura”. Do ponto de vista do cliente como é que é vista e classificada a arte na cozinha?

 

CM: Não querendo ser controverso, na minha opinião existe uma cozinha onde a arte é uma realidade, principalmente nos restaurantes com Estrela Michelin anteriormente mencionados, e aí sim a arte está no prato, e existem os outros sítios onde comemos sem pretensiosismos e com uma cozinha honesta, sem grande arte mas cheios de sabor e memórias.

 

AMMA: Como tem sentido o feedback da restauração neste período delicado. Espera-se superar os prejuízos provocados pelo Covid19 ou o futuro é muito reservado para o sector?

 

CM: Não sei responder a esta questão, mas sem dúvida serão tempos complicados, pois na nossa área restaurantes e hotéis simplesmente fecharam, e ainda não abriram, e muitos deles não irão reabrir, pois todas as restrições que são impostas, simplesmente não são possíveis de serem feitas. O futuro deverá ser diferente, devemos ter a capacidade de nos re-inventarmos e de apanhar novas maneiras de agir, take-away, delivery, catering em escritórios vizinhos poderão ser a forma de trabalhar.

 

AMMA: Que palavras quer deixar à restauração portuguesa (proprietários, chefs) e também aos jovens que estão a fazer os seus cursos para entrarem no mercado de trabalho?

 

CM: Coragem e constante adaptação ao que o mercado nos pede! E que é um orgulho estar convosco, seja na ACPP, seja na UFS. Contem comigo e com a minha equipa!

Obrigado Pedro pela tua lembrança, bem-hajas.

 

Agradecemos ao Chef Carlos Madeira por ter partilhado connosco um pouco da sua vasta experiência, desejamos melhores dias ao sector, aos profissionais a continuação da sua criatividade tanto para a aplicar em Portugal como também para levar mais longe a riqueza da nossa gastronomia com o seu serviço de excelência. Aos que estão a dar os primeiros passos nesta arte, que tenham carreiras promissoras.

 

Texto: Pedro MF Mestre

Foto: cedida por Carlos Madeira

 

 

Rosa Vaz - Artista Plástica, Promotora cultural, Ilustradora, Poetisa ...

 

 

Vamos conhecer Rosa Vaz, Artista Plástica, Promotora cultural, Ilustradora, Poetisa. Nasceu em, Angola. Tem mais de 30 anos de carreira, vive em Portugal, em Braga.

 

De pai originário de Monção, no  Norte de Portugal e  mãe angolana de Huambo, Rosa nasceu em Malange, nos anos 60 e aí viveu a sua infância. Esta genética territorial, por assim dizer, reforçou os seus laços com o Norte de Portugal e as matrizes africanas que ficariam para lá do mar, depois da guerra civil de Angola, mas vivem e habitam no seu coração, no imaginário e no olhar sorridente que procura sempre o mar e o pôr do sol, como se de um equilíbrio intrínseco e de pele, se tratasse.

 

Durante a guerra na sua terra natal veio para Monção, onde estudou no liceu. Seguiu os seus estudos na Universidade no Porto tendo-se mudado mais tarde para Braga onde os concluiu e fixou a sua residência atá hoje.

 

A sua obra está  representada, através de trabalhos em pintura em acrílico, aguarela, Pintuta Textil, pintura Cerâmica, desenhos, murais cerâmicos, ilustração de livros e poesia.

 

Rosa Vaz participa em vários grupos de promoção e divulgação cultural, de forma especial ligados à Lusofonia, como o Projecto ARTÁFRICA da Fundação Calouste Gulbenkian, a Associação de Escultura e Arte Contemporânea de Vila Nova de Famalicão, a ONGD Engenho e Obra, em Braga, o projecto Porlith (Portugal Litânia), o Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora, entre muitos outros.

 

A actividade de escritora e poetisa, teve início muito cedo, participando com os seus escritos em jornais, colectâneas e actividades culturais. Nesta área tem representação na Antologia Universal Lusófona, editada pelo CEMD, e ainda no Guia de Autores e escritores de Angola, de Tomás Gavino Coelho.

 

Das reminiscências de África, desse mundo colorido, alegre, sorridente, saltitante, trouxe as memórias das cores da terra, o colorido dos frutos, a magia do azul do mar, e a suavidade dos pôr de sol numa simbiose perfeita com as cores mais monótonas da Europa, recortadas aqui ali por pequenos contrastes. O azul a sua cor de eleição.

 

‘’Nas minhas obras, revivo na temática urbana todos os contrastes evidentes da sociedade que me rodeia, e projeto-os em reticulados constantes da vida, do corre-corre diário, nas linhas divagantes das construções irreverentes e angustiantes onde muitas vezes, o homem é só mais uma peça de arrumação temporária esvaziado de sensações puras e livres que lhe adormecem as memórias e os sonhos’’ Rosa Vaz.

 

A artista plástica participou em exposições individuais e coletivas tanto em Portugal como no Estrangeiro. Desde Monção a Melgaço, Vigo, Corunha, Villa Garcia de Arosa, Ferrol, Santiago de Compostela, Guimarães, Porto, Esposende, Lisboa, Caminha, Valença, Montemor-o-Novo, Póvoa de Lanhoso, Coimbra, Vieira do Minho, Fafe, Braga, Barcelos, Sousel, Viana do Castelo, Bragança, Vilnius, Newark entre outros locais.

 

Está representada em coleções de Arte, de teor público e privado tais como Câmaras Municipais, Bancos e Fundações.

 

A sua interação com outros artistas na promoção da Cultura, levam Rosa Vaz a Promover vários eventos ao longo destes anos como por exemplo, ‘’os Dias de África’’, em parceria quer com a Universidade Católica de Braga, quer com a Biblioteca Lúcio Craveiro de Siva, o Museu dos Biscainhos, o museu D. Diogo de Sousa, etc… ; as Noites de Prata do Museu dos Biscaínhos,, as Conversas Desconcertantes na BLCS  etc… Assim como ilustração de livros e ilustração da capa de um CD dos D’ Alma – ‘’Melodias do Teu Poema”, onde também está presente uma música de um poema seu. E também a ilustração da capa de um CD de Torsten Muller , músico que vive no Canada.

Nos  “Dias de África” em Maio de 2018, organizado por Rosa Vaz,  promoveu  uma tertúlia com o tema “África no Coração”, moderada pela Rosa Vaz, e contou ainda com um Desfile de Moda, um espectáculo de Dança e uma Exposição de Pintura.

 

 

Pela ocasião da comemoração dos seus 30 anos de actividade artística, edita o livro de poesia “Pele de Lua” em conjunto com uma exposição de Pintura intitulada “Rosa Vaz – 30 anos de arte e cultura” em Novembro de 2018, na Biblioteca Lúcio Craveiro da Sila, em Braga.. 

 

 

E durante um ano fez um ciclo Exposições em vários locais do país para comemorar os 30 Anos de Carreira na Arte e Cultura.

 

A sua exposição colectiva mais recente foi “No Feminino” em conjunto com mais 4 artistas Plásticas. Foi inaugurada a 7 de Março com previsão de encerramento a 19/04 em Barcelos.

 

" Tenho uma necessidade permanente de uma viagem emocional, onde me cruzo com as memórias, com os cheiros de África que me embebedam de saudades das cores fortes, do cheiro do mar, do anoitecer macio, dos rostos e gestos sorridentes, daquelas cores terra que por entre as janelas da cidade cinzenta eu exalto, eu construo em cada pedaço de espaço, em cada olhar que registro num tempo sem fim, num tempo infinito... porque, - “Pintar é escrever o mistério da imaginação!"

Rosa Vaz

25 de fevereiro de 2014

 

AMMA: Onde deu os seus primeiros passos na arte? Ainda em Malange ou já em Portugal?

 

Rosa Vaz: A Arte nasce connosco, A gente vai apercebendo-se que tudo que vê, pinta, desenha, escreve é carregado de uma sensibilidade que outros não têm.

 

AMMA: Com que idade veio para Portugal?

 

RV:Com 12 anos

 

 

AMMA: Quais são as suas influências do tempo de infância passada em Angola?

 

RV:Os sorrisos, o calor, o abraço, a felicidade, a Natureza próspera e colorida, os dias quentes, o amanhecer de cores incríveis às 5 da manhã, a chuva que caia de repente e se ia em bora deixando tudo enlameado, e aquelas danças à chuva dos putos da escola que fugiam das salas para vir abraçar a cuva….tão bom!! Que saudades!

 

AMMA: Expôs com vários pintores durante estes anos. Também visitou vários museus e galerias de grandes nomes da Arte que já cá não estão. Destacaria alguns com cujas obras  se identifica mais?

 

RV:Sim, Expus com muitos artistas, posso destacar, o Roberto Chichorro, a Carmen Touza, gosto muito das suas obras, além de serem  seres humanos muito simples e acessíveis; dos que cá não estão destaco a Vieira da Silva, sem dúvida e o Pollock

 

AMMA: A paixão pela pintura e pela escrita nasce em que altura da sua vida?

 

RV:Pintar ou escrever é uma forma de comunicação, faz parte do artista, é como se fosse a nossa pele e coração, sempre a vibrar, a sentir.

 

AMMA: Quando pinta temas africanos, sente nostalgia?

 

RV:Não se trata só de nostalgia, é uma forma de  recordar e tornar vivas as memórias da minha Infância

 

 

AMMA: Prefere a tela, a cerâmica ou acrílico sobre o papel? Quais as suas técnicas e materiais preferidos?

 

RV:Não tenho preferência. Depende da criatividade do dia, ou das encomendas. Não importa o suporte, o que gosto mesmo, é de criar Arte.

 

 

AMMA: Qual a sua conjugação de cores preferida?

 

RV:Azuis, ocres, laranjas, vermelhos, dourados

….

AMMA: O Norte de Portugal inspira-a nos seus trabalhos? Em que aspecto? O que lhe dá mais prazer pintar?

 

RV:O Norte fascina-me pelos recortes de paisagens, aglomerados de casarios como se abraçassem para não se perderem uns dos outros, os campos e caminhos na natureza, preenchidos de gente que sorri e tem sempre uma história para contar, as montanhas a tocar os céus, o mar azul, fresco, ondulado, com personalidade,,,,, Amo o Norte!

 

AMMA: E na escrita, sobre que temas incide mais a sua poesia e o que a move?

 

RV:Sobre coisas simples, que nos roubem sorrisos, sobre a beleza  dos afetos na vida, sobre o Amor, sempre o Amor por tudo.

 

AMMA: Costuma ir na rua e de repente puxar pelo bloco para escrever?

 

RV:Imensas vezes, e pintar também. Muitas vezes pinto, com restos de café, quando tomo o meu cafezito!!!

 

AMMA: Alguns dos seus trabalhos referem-se à dança, porquê?

 

RV:Fui bailarina em miúda, portanto tenho um fascínio enorme pelo ballet por música clássica, em especial por Bach

 

AMMA: Todas as artes estão ligadas entre si?

 

RV:Sem dúvida . É fácil uma poesia criar um quadro, como um quadro gerar um poema, uma história, uma música.

 

AMMA: Também necessita de ter o seu espaço, o sossego, o seu cantinho sem ser interrompida?

 

RV:Verdade, Desligo o telemóvel e conduzo até ao mar, de preferência, Moledo e depois continuo viagem atá Monção, a minha terra de adoção, onde gosto de ir, de estar e rever os locais e amigos de antigamente.

 

AMMA: Quando é interrompida num momento de inspiração como reage?

 

RV:Sorrio… faço de conta que não percebo, e mudo de lugar… para continuar com a inspiração.

 

 

 

AMMA: O seu atelier como o descreve?

 

RV:O meu atelier é o local onde eu solto a minha inspiração, é a ‘’casa’’ onde guardo os meus pensamentos.

 

AMMA: Como classifica cada obra concluída?

 

RV:Cada obra é mais um capitulo da vida, é mais um registo que ganha voz, espaço, vida própria.

 

AMMA: Qual é a sensação com que fica quando alguém adquire uma obra sua? Além da felicidade do interesse do comprador, sente que é uma parte de si que vai embora?

 

RV:Quando vendo um quadro, sinto que alguém terá o privilégio de conversar com a minha inspiração de vez em quando. Sinto uma partilha de afinidade.

 

AMMA: Na pintura, como foi o seu percurso nos vários estilos ao longo destes 32 anos?

 

RV:Começa-se com o querer ‘’gritar’’ que estamos vivos, …..com o tempo aprendemos a ter tempo de fazer o que queremos escrever com tinta, o que vemos, à nossa volta, com delicadeza

 

AMMA: Como curadora e organizadora de eventos culturais, como é a magia de estruturar a disposição da arte para que os visitantes consigam interiorizar a mensagem que lhes quer passar?

 

RV:É mesmo um momento de magia, de empolgamento.

 

AMMA: As suas exposições costumam ser preparadas somente por si, ou também tem alguém a trabalhar na curadoria delas?

 

 

RV:Depende. Mas seja em que situação for, a última palavra e definição de espaços e luzes e outros pormenores, é sempre minha!. Sou uma artista, muito mãe galinha do que é a minha criação. Não tenho problema nenhum em dizer, NÃO, ou NÃO CONCORDO. Ou até recusar expor em certos espaços com os quais não me identifico.

 

AMMA: Tem uma pegada importante de trabalho seu dedicado à lusofonia. Como é que ele nasce, e o que tem sido construído nesse âmbito? Estamos a falar de que tipo de artes?

 

RV: A Lusofonia, é um território de memória muito alargado a muitas pessoas e países, tento fazer  tudo que posso quando se trata de divulgar e promover nesse âmbito, quer na Pintura, Música, escrita, dança, etc…

 

AMMA: Como se conseguem descobrir e reunir os autores dos vários países de expressão portuguesa?

 

RV: Há um leque muito alargado de autores, pintores, músicos, que de vez em quando, se reúnem, num evento para falar do deu trabalho, e promover a gente nova que vai aparecendo.

 

AMMA: Prefere exposições somente com obras da sua autoria ou em conjunto com outros artistas?

 

RV:Depende das circunstâncias, dos convites, dos espaços.

 

 

AMMA: Sendo um pouco atrevido: é verdade que gosta de pintar com os pés descalços? Sente-se mais descontraída?

 

RV:Verdade…adoro pintar descalça….sentir a energia.

 

 

AMMA: A saúde têm sido traiçoeira ao longo da sua vida, mas como mulher lutadora tem vencido. Como vê cada um desses episódios mais marcantes, e que ensinamentos lhe deram?

 

RV:Vou falar do mais recente. O cancro de mama em 2018, no ano que iria começar as comemorações dos meus 30 anos na Arte e Cultura. Sei que a 3ª cirurgia foi numa 3ªfeira, e eu no sábado dessa semana, estava a fazer a apresentação da 1ª exposição comemorativa dos 30 anos que iria percorrer várias cidades durante um ano, ( mal me tinha em Pé….)  mas fui, e inaugurei a Exposição com um sorriso e uma fragilidade imensa transformada em fortaleza, e apresentei o meu livro de poesia PELE de LUA, ( sempre com o meu filho, o meu guerreiro protetor, ao lado e com os olhos rasos de água) no meio de amigos, familiares, várias entidades, incluindo elementos ca Câmara Municipal de Braga, ( e todos tentavam esconder a emoção…) por me  verem  ali num esforço enorme….foi emocionante! Muito!!!

 

 

AMMA: Relativo a esse último, o cancro da mama, o que quer partilhar com todas as mulheres num  incentivo à vida, baseado na forma de como lutou para vencer o seu?

 

RV:Um dia de cada vez, cumprir com todos os tratamentos e, muito amor pela vida para podermos ter pensamentos positivos.

 

AMMA: Quanto a planos para curto prazo, para além de vencer o Covid-19, em que projectos está a trabalhar para lançar após terminar a pandemia?

 

RV: Nova Exposição de Pintura, e o meu 2º livro de poesia.

 

 

AMMA: Por último e com tema livre, que palavras quer deixar aos nossos leitores?

 

RV: Não se esqueçam de abraçar/amar quem vos faz sorrir e vos dá alegrias. Amem a Natureza, nós somos a Natureza!! O Amor é o segredo para fazer tudo na vida! E, nunca se esqueçam só temos uma vida.

A si, Pedro, o meu sorriso de gratidão por esta oportunidade de levar aos seus leitores um pouco da minha Alma.

Bem Haja!

 

 

Texto: Pedro MF Mestre

Fotos: Arquivo Rosa Vaz

 

 

Vamos conhecer os 2JACK4U

 

 

Fomos conhecer a dupla 2JACK4U, um projeto de Acid Techno com características pouco comuns. E pouco comuns porquê? Porque munidos de maquinaria analógica, sintetizadores, drum machines (máquinas de ritmo) e efeitos percorrem o país com os seus míticos lives improvisados de Acid Techno, género musical que surge no final dos anos 80. No seu estúdio em Cascais preparam o seu setup analógico, escolhem as máquinas (Roland TB-303, Roland TR-909/808/606, Roland SH-101, Roland MC-202, Behringer Pro-1, entre outros) e efeitos (delays, reverbs, phaser, distorção) que vão utilizar e apresentam os seus lives em festivais e locais de diversão nocturna, tendo já passado pelo Festival Neopop (Viana do Castelo), Brunch Electronik (Lisboa), Festival Forte pelo Lux (Lisboa), Gare Club (Porto), Desterro, Damas (Lisboa) entre muitos outros locais. Têm ainda um slot mensal com o seu programa “Covil Sessions” da Rádio Quântica e neste momento de pandemia é habitual vê-los e ouvi-los nos streamings que fazem nas redes sociais a partir do seu estúdio a que chamam Covil!

 

 

2JACK4U é composto por André Faustino, médico de profissão, cascalense por natureza e Rubina Góis professora de filosofia, nascida e criada no arquipélago da Madeira. A jornada musical de André Faustino começou quando se dedicou a aprender órgão clássico e formou a sua primeira banda de escola nos anos 80, “Os Sulfúricos” que tocavam covers do rock, pop eblues. Manteve-se em bandas de rock até final de 1991. Rubina Góis entrou no mundo da música quando começou a trabalhar numa sala de ensaios e gravações em Alcântara, posteriormente conheceu o André através de um amigo em comum, o Francisco. Juntos formaram os “LorenzFactor”, projeto de djing tendo a partir daí surgido outros projetos como “The Cage Cabarrett” de música experimental, “2jack4U” de Acid Techno improvisado com hardware analógico, “Pharmacia” banda de Krautrock com Ricardo Simões e Mário Fernandes.

Vamos conhecê-los melhor com uma breve conversa.   

               

AMMA: Como surgiu a vossa formação musical?

 

2Jack4U

 

Rubina Góis: Desde pequena que adoro musica, sempre me interessei por conhecer ondas novas e novos estilos musicais, a música para mim faz parte de toda a minha existência e não poderia viver sem ela, mas é quando venho estudar filosofia para Lisboa que começo a trabalhar nesta área por ter conseguido trabalhar na receção de uma sala de ensaios em Alcântara, os estúdios HCU.  Mais tarde, conheci o André através do nosso amigo em comum, o Francisco Rodrigues e como trio formámos os LorenzFactor, projeto de djing que percorreu Portugal de norte a sul com os seus djsets multifacetados e divertidos.

 

André Faustino: No meu caso começa quando inicio a aprendizagem do órgão e começo a tocar nas Missas do Colégio dos Salesianos onde estudei até ao 12º ano. Para podermos usar a sala de ensaios, tocava órgão nas missas, era uma espécie de moeda de troca para a banda que formei com os meus amigos, na altura “Os Sulfúricos”, pudesse ter uma sala de ensaios. Aliás tocávamos todos nas Missas e dias de Celebração. “Os Sulfúricos” duraram alguns anos mas era uma banda mutável pois sempre que saía um elemento mudávamos o nome; fomos Eqivoko, Cabo da Moca, SilverRose (estes são os nomes de que me lembro).

 

AMMA: Tiveram vários nomes para este projeto ao longo destes anos. Porquê?

 

2Jack4U: Não existiram vários nomes para este projeto. Existem e existiram outros projetos desde 2005/6. O primeiro foi LorenzFactor um trio de DJs, a partir daí surgiram muitos outros projetos paralelamente. Uns acabaram, outros estão em hibernação. “2jack4u” é a nossa vertente mais dançável porque o género musical assim o dita, falamos do Acid Techno. Mas existem outros projetos como “The Cage Cabarrett”, projeto mais experimental, mas também com maquinaria analógica, “Pharmacia”, projeto com formato banda onde eu e a Rubina contribuímos com os sintetizadores analógicos, o Ricardo Simões com bateria e outra parafernália de efeitos e instrumentos e o Mário Fernandes com o baixo. Existe também “The Man With No Head”, que é um projeto dedicado às produções dentro do estúdio. E a Rubina tem o seu projeto a solo, como Trigher que utiliza também sintetizadores e caixas de ritmo analógicas. No entanto há algo comum entre todos os projectos, são todos baseados em improvisação, 'sem rede', com material por vezes mais velho que nós. E, claro, temos centenas de horas gravadas de jams com outros artistas ou projectos, gravados aqui no estúdio.

 

 

AMMA: Em Portugal há mercado para a música alternativa mais em concreto o Acid Techno, ou ainda se sente alguma resistência da parte dos espaços de música nocturna e do público em geral?

 

2Jack4U: Neste momento não podemos considerar o Techno ou a Dance Music como alternativo. Por exemplo o Techno foi considerado em 2019 Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Cada vez é mais difícil encontrar espaços nocturnos dedicados unicamente ao Rock, no entanto locais com música de dança abundam pelo país. Porém os nossos Lives são uma metamorfose das nossas várias influências, canalizadas para aquelas máquinas, resultando num estilo que realmente podemos considerar mais underground e alternativo.

 

AMMA: Como vêm o futuro da música de dança em Portugal?

 

2Jack4U: Com bons olhos porque existe cada vez mais autonomia por parte dos produtores, mais ferramentas seja a nível de produção, mas também de divulgação do teu trabalho. Hoje em dia já não precisas de ser “descoberto” por uma editora para dares a conhecer a tua música, claro que com uma editora o caminho torna-se mais fácil. As plataformas de divulgação digital dão mais autonomia aos projetos para divulgarem a sua música e chegar a qualquer parte do mundo. Essa autonomia permite também que conheças e tenhas acesso a mais música de diversas origens. As bandas de garagem tornaram-se num produtor de quarto (BedRoom Producer).

 

AMMA: Como foram os vossos primeiros tempos antes de se lançarem e terem o sucesso que têm hoje e também quais foram as maiores dificuldades que sentiram?

 

2Jack4U: O acesso a certos espaços noturnos e festivais é um caminho por vezes difícil. Ser conhecido não significa que um projeto é bom ou mau, mas por norma só te convidam para grandes festivais ou grandes casas quando já tens uma certa “fama” no mercado, fama que não é necessariamente sinónimo de qualidade.  

 

AMMA: Em que festivais e locais de diversão noturna é que já atuaram?

 

2Jack4U: Tocámos em locais como o Lounge, Desterro, Damas, Lux Frágil, Village Underground, Europa, Flur, Eka Palace (Lisboa); Gare, Maus Hábitos, festas da Ácida (Porto); Oceans Club para a EON (Portimão), Friday Hapiness Pizza Night (Monchique), Stereogun para a Lobo Mau Records (Leiria). E no Festival Neopop (Viana do Castelo), no Brunch Electronik, no Camping do Festival Forte (Montemor-O-Velho), no Zigur Fest (Lamego), nas Oficinas do Convento (Montemor-O-Novo), entre outros.

 

 

AMMA: Para uma atuação ao vivo, em média quanto tempo investem a prepará-la?

 

2Jack4U: Uma vida inteira (risos). É um trabalho que nunca para porque todas as aprendizagens são importantes para a tua evolução no teu trabalho. Mas gostamos de ter algum tempo mínimo, digamos 2 semanas, para pensar o setup, ou seja, as máquinas e efeitos que vamos utilizar e (muito importante) as ligações entre elas, depois das máquinas ligadas e testadas a palavra de ordem é “jammar, jammar, jammar”! Sempre improvisado! Sempre diferente!

 

AMMA: Os 2Jack4U têm a particularidade de usar equipamento analógico. Existe algum motivo especial para isso?

 

2Jack4U: Na verdade tudo começou quando o Francisco aparece no Covil com um flyer publicitário dos anos 70, de uma freira a manipular um sintetizador numa mala (EMS Synthi A) com a frase ‘Every Nun needs a Synthi’. Isto aconteceu por volta de 2009, a partir desse momento foi a desgraceira dos sintetizadores e comprámos o primeiro um Theremin. Nesse momento decidimos entre os 3 que o (pouco) dinheiro que angariássemos no djing seria para investir em synths e drum machines. Ficámos, portanto, máquino-dependentes J

 

AMMA: Como muitos dos aparelhos analógicos estão descontinuados do mercado, há dificuldade em conseguir obtê-los e fazer a sua manutenção? Ainda há componentes para substituição?

 

2Jack4U: É muito difícil porque a procura é cada vez maior e a oferta é pouca. Não é qualquer técnico que tem os conhecimentos para reparar máquinas analógicas do século passado. Já não existem os componentes originais, mas é possível encontrar alguns componentes que podem bem substituir os originais. Por outro lado, existem componentes que já não são possível encontrar, nesse caso dizes adeus à máquina, pois não há forma de a voltar a pôr a funcionar. Mas, no entanto, por as máquinas serem tão antigas, os componentes são extremamente simples (devido à electrónica na altura ser mais rudimentar) e esses conseguimos arranjar com facilidade. Mas a verdade é que muitos synths resultaram de lotes de peças defeituosas o que lhes dá um carácter único. E quando esse lote acaba... acaba a produção desse synth. Há várias histórias do mundo da música de grandes sucessos comerciais que resultaram de erros de produção ou lotes de peças defeituosas. O Roland TB-303 é o exemplo mais evidente e famoso!

 

AMMA: Assim para além dos vossos conhecimentos musicais, este projeto também requer conhecimentos de eletrónica. Houve necessidade de novas aprendizagens? Isso foi um bom desafio?

 

2Jack4U: No nosso caso, não nos dedicámos aos conhecimentos da engenharia eletrónica, porque o nosso trabalho não é reparar a máquina, mas o nosso papel é usá-la em termos criativos; esse é o nosso desafio. Tivemos de estudar o que é a síntese analógica, como funcionam os sintetizadores, o que fazem, como trabalham, para que servem tantos “botões” (risos), tivemos também de estudar qual a melhor forma de colocar várias máquinas a conversar  uma com as outras, tivemos de estudar a melhor forma de montar um estúdio. Toda a componente técnica de reparação das máquinas foi sempre realizada por pessoas especializadas, atualmente pelo nosso “drº dos synths”, o Rui Antunes.

 

AMMA: Em que aspeto a atividade musical acaba por ter impacto na vossa vida profissional?

 

2Jack4U: Principalmente no sono (risos). Nunca temos fins-de-semana. É um interruptor passar da fase profissional para a fase criativa.

 

AMMA: Agora em situação do Covid-19 têm estado a oferecer espetáculos online de acesso livre. É uma questão de solidariedade para quem não pode sair de casa?

 

2Jack4U: Para nós é uma oportunidade de continuar o nosso trabalho, divertirmo-nos e divertirmos quem assiste, e ficamos felizes quando recebemos um “obrigado por isto, estava mesmo a precisar” porque significa que o live que transmitimos em streaming não nos fez só felizes a nós, mas a outros que estiveram (mesmo que por breve minutos) a assistir, se pudermos animar e dar mais alento a quem não pode sair de casa.

 

AMMA: Com o fecho dos espaços de diversão noturna ficam limitados à participação na Rádio Quântica e aos diretos online?

 

2Jack4U: Ficamos todos limitados em tudo, mas é necessário adaptarmo-nos e reinventarmo-nos daí estarmos a emitir os nossos diretos semanais online a partir do estúdio. Agora também há mais tempo e oportunidade para criar faixas novas que em breve sairão em várias compilações. A participação na Rádio Quântica é mensal e também convidamos outros projetos a mostrar o seu trabalho. Não centramos o programa “Covil Sessions” unicamente aos nossos projetos.

 

 

AMMA: Têm alguma mensagem que queiram deixar tanto aos vossos fãs como aos outros artistas que neste momento estão a viver as mesmas dificuldades que vocês devido ao confinamento?

 

2Jack4U: Parar é Morrer. Não Pára Não Morre! Tudo é Mudança e Incerteza (daí adorarmos a improvisação) e esta Pandemia veio comprovar isso e abalar todas as Certezas que o Ser Humano necessita e em que se apoia. Isto veio mudar tudo e temos que nos adaptar. E vamos conseguir! A Música não é só um escape é também um poderoso medicamento e meio de comunicação. E nesta altura precisamos tanto de comunicar uns com os outros....

 

AMMA: São tempos para repensar um pouco a vossa estratégia e alinhar o vosso futuro como projeto ou não estão preocupados com isso?

 

2Jack4U: Temos saudades de estar na presença das pessoas, de partilhar com elas o nosso trabalho, de fazer os lives e saudades da comunicação que se estabelece ao vivo. Queremos voltar aos lives porque sentimos falta dessa comunicação e união que sentimos com as pessoas quando tocamos. A nossa única estratégia é tocar!  (sorriso).

 

AMMA: Como estamos a falar de saúde e tendo em conta que o André é médico, tem tido uma vida mais atarefada, nos últimos tempos. Consegue gerir bem a atividade de clínico com a música? A música acaba por ser um escape para si?

 

2Jack4U: Neste momento aguardo ser chamado para as 'trincheiras' mas até agora ainda não estive na linha da frente. A música é sempre uma catarse. É a terapia ao fim do dia. É o Xanax e o Prozac sem ressaca (risos).

 

AMMA: A Rubina também está a viver um novo desafio para os próximos tempos que será terminar o ano letivo com os seus alunos à distância. A pergunta é semelhante à do André, como consegue gerir nestes tempos que são novidade para todos e a atividade musical?

 

2Jack4U: O desafio é enorme e está a dar-me muito prazer preparar as aulas à distância onde neste momento trabalho com sessões síncronas, mas também com sessões assíncronas. Aquilo de que me apercebo é de uma maior motivação dos alunos para aprender. Penso que os miúdos são constantemente bombardeados com a escola, o ter de aprender isto e aquilo, a serem obrigados a passar demasiado tempo no espaço escolar e dentro das salas de aulas o que se torna exaustivo e desmotivador. Com esta pausa pandémica eles aprenderam a valorizar as aprendizagens e os conhecimentos. Esta é também uma altura para o ensino se reinventar fora da sala de aula e quando regressarmos ao espaço comum trazermos connosco aquilo que aprendemos com o ensino à distância.

 

AMMA: Em termos de rentabilizar o vosso projeto, estão a idealizar o lançamento de algum álbum, ou mesmo para aquisição dos temas nas plataformas eletrónicas?

 

2Jack4U: Existem várias faixas prontas a sair em breve em diversas para compilações. Durante esta pandemia, para além dos streamings, estamos a focar-nos também num projeto colaborativo com outros produtores portugueses e a focarmo-nos na produção de um álbum ainda sem data anunciada.

 

AMMA: Agradecemos a vossa disponibilidade por esta conversa, para vos darmos a conhecer melhor aos nossos leitores, fazer o balanço da atividade da música alternativa, neste caso o Acid Techno e ainda a conjuntura social que atravessamos com a atividade do projeto.

 

Texto: Pedro MF Mestre

Fotos: André Dinis Carrilho

 

 

Sofia Caessa Güerne apresenta “Quem tem Medo do Halloween?”

 

 

Fomos à descoberta de um livro cujo lançamento decorre por ocasião do Halloween, em que a sua autora desmistifica as personagens e mostra que nem todos são maus como se pensa. Por trás da aparência de cada um há uma pessoa boa e todos e somos diferentes.

 

 

Sofia Caessa Güerne, é uma talentosa escritora que já conta com a sua terceira obra destinada a crianças. Antes de “Quem tem Medo do Halloween?” já lançou com sucesso o “Augui e as Lágrimas Sem Fim” e “Augui e o Mistério do Vale das Fadas”. Este novo livro conta com as ilustraçõesde Mafalda Claro, também uma jovem e talentosa artista.

 

Tem dedicado a sua vida às crianças, tanto em ateliers criativos, como num projecto que desenvolveu na Bélgica a “Little Film Academy”, baseado em cursos e ateliês de cinema e escrita criativa para crianças.

 

Embora seja de naturalidade portuguesa, passou por países que a inspiraram, como a já referida Bélgica, Brasil e EUA.

 

Regressa a Portugal, e lança estes livros da também jovem editora Lêleh Land, agora com uma plataforma electrónica disponível (https://leleh-land.com) onde se poderão encontrar estes títulos para compra online e outras informações. A linha que a editora traçou é que os seus livros não recorrem nem ao conflito nem ao medo nos seus textos, mas sim o oposto: a transmissão dos valores humanos e com personagens a mostrar a realidade e a beleza da vida.

 

A saúde não lhe tem sorrido da melhor forma. Já lutou e venceu uma situação de cancro, estando agora a recuperar de uma segunda incidência.

 

Tem também a Hora do Conto, onde preenche o seu tempo a contar histórias para as crianças.

 

Os seus dois filhos também lhe servem de inspiração, vamos ver esta questão e outras na breve conversa que tivemos com a autora.

 

AMMA – Como teve início a sua paixão para a interacção com as crianças através de histórias?

Em 2001 fui para Nova Iorque estudar no Lee Strasberg Theatre Institute e no período de 5 anos em que vivi nos Estados Unidos trabalhei num jardim de infância Montessori.

Há cerca de oito anos fui viver para Bruxelas e propuseram-me dar um ateliê de escrita criativa para crianças. Tinha tido experiência a trabalhar com crianças, mas não num regime de ensinar algo específico. Foi intimidante, mas o ateliê correu muito bem e as crianças gostaram muito. Foi maravilhoso ver a criação de histórias e personagens, ver a imaginação e a criatividade no seu estado mais puro. Aprendi muito e apaixonei-me por esse momento de dar uma pequena semente e vê-la florescer. Inspirou-me ver crianças que não tinham motivação nem interesse na escrita escreverem histórias fantásticas e originais. Um ano depois essa mesma associação cultural contratou-me para fazer um ateliê de cinema. A experiência foi tão maravilhosa que passado um ano tinha fundado uma escola de cinema para crianças.

 

 

AMMA – Quando “nasceu” o seu primeiro livro, qual foi a principal emoção que sentiu?

O primeiro livro “Augui e as Lágrimas Sem Fim” foi uma história que escrevi para oferecer à minha avó. Na altura vivia nos Estados Unidos e não tinha muito contacto com a minha avó por isso achei que ela merecia uma prenda especial e feita por mim. Escrevi a história a lembrar-me de momentos especiais vividos entre neta e avó. Momentos nossos em que passávamos tempo na natureza a colher frutos. Como não sabia ilustrar, fiz uns desenhos muito básicos em Powerpoint. Encadernei o livro à mão e enviei-o para a minha avó. Essa foi a semente da personagem Augui que representa as avós, a ligação única entre avó/avô e netos, às memórias que não desvanecem no tempo. Este livro é uma homenagem à minha avó, à dedicação e ao amor que ela nutriu por mim, às lições que aprendi com ela, aos momentos que vivemos. Agora os meus filhos estão a criar esses momentos e memórias mágicas com os seus avós.

 

AMMA – Como a sua família, mais em concreto os seus filhos a inspiram nos seus temas?

Desejo que os meus filhos cresçam num ambiente cheio de amor, tolerância e respeito. O segundo livro da serie Augui (Augui e o Mistério do Vale das Fadas) fala da magia que está perdida e isso simboliza a inocência que se tem vindo a perder no mundo. Lembro-me da minha infância ser colorida com inocência, pureza e bondade. É certo que era outra época, sem tecnologia, sem tanta pressão social. Desejo para eles uma infância mais próxima da infância que tive o privilégio de ter. Tive o privilégio de ter crescido com uma família que me proporcionou uma infância feliz em que eu pude ser criança no sentido mais puro e bonito - deram-me as ferramentas para sonhar, imaginar, brincar. Esse livro mostra-nos valores que são extremamente importantes- o respeito, a coragem, o amor, a bondade, a paz- de uma forma explícita. Ou seja, para haver magia no mundo é preciso existir esses valores. O livro do Halloween, apesar de à superfície parecer uma história meramente divertida, fala-nos dos medos e mostra-nos facetas das próprias crianças e da vida. Quis escrever esta história para comunicar com os meus filhos que os monstros não são medonhos e que eles próprios têm medos, que o Monstro de Frankenstein, apesar de grande e intimidante, no fundo só quer ter um amigo. Essas personagens representam pessoas reais com quem os meus filhos (e as crianças) terão que se confrontar na vida. Para além dos livros publicados, invento histórias quando acho necessário passar uma mensagem de uma forma mais lúdica e menos frontal. Histórias que os fazem pensar e que os inspiram.

 

AMMA – A Hora do Conto ocupa-a durante grande parte do seu tempo livre. Mesmo assim é um elemento fundamental para a sua vida e carreira?

A Hora do Conto e a interação com as crianças são fundamentais. Para a minha carreira enquanto escritora e editora, é essencial estar em contacto com as pessoas que vão apreciar o meu trabalho porque é para elas que escrevo. Aprendo muito com estes eventos. Inspiram-me a escrever mais e melhor. E por vezes essa interação inspira uma criança a querer sonhar ser escritora. Na minha infância, apesar de ler muitíssimo, acreditava ser impossível ser escritora. Não me recordo nessa altura de ter conhecido uma escritora. Acredito que uma experiência assim teria engrandecido esse pequeno sonho de ser escritora. Felizmente tive uma professora que acreditava em mim e que me disse que um dia eu iria ser escritora. Para a minha vida pessoal é um privilégio contar uma história a crianças e ver os seus olhos a brilhar. Adoro trabalhar com crianças- é verdadeiramente inspirador e gratificante!

 

AMMA – Os problemas de saúde que tem tido, vencendo um cancro e estar a lutar contra o segundo também a fortaleceu como mãe e como escritora?

Eu não acredito que esteja a lutar contra o cancro pois uma luta é sempre algo negativo. Acredito sim que estou a trabalhar em conjunto com o cancro para me fortalecer enquanto mulher, para me conhecer mais profundamente e para mudar perspectivas e hábitos menos bons. Ter um diagnóstico de cancro em estado avançado com um filho de três anos e outro com ano e meio fez-me ver a vida de outra forma. Tornei-me uma mãe mais forte, mais confiante e que se esforça ainda mais para dar o seu melhor. Não sou perfeita e nunca o serei, mas aceitar a morte fez-me crescer e sentir ainda mais gratidão pela vida que tenho e pelos filhos que amo. Passar por dois cancros num espaço de três anos com energia e amor pela vida e pelos momentos do dia-a-dia fez-me acreditar em mim, nos meus sonhos, nas minhas capacidades como mãe, escritora e ser humano. Já tinha desistido do sonho de ser escritora (apesar de de ter trabalhado em artigos em revistas e como guionista), mas ter cancro e confrontar-me com a minha mortalidade fez-me acreditar em mim e seguir em frente. Talvez fosse a única oportunidade de concretizar esse sonho. Começar uma editora do zero, sendo mãe solteira e estando doente, não teria sido possível sem o apoio dos meus pais a nível emocional, financeiro e logístico. Agora como autora de três livros, desejo que a as minhas histórias inspirem e que possam, de uma forma pequenina, fazer a diferença em alguém. Gostaria muito de escrever um livro sobre o meu percurso com o cancro pois acredito que poderia ajudar muitas pessoas. Mas, cada dia de cada vez e cada projeto de cada vez.

 

AMMA – Com este seu novo trabalho, a ideia de desmistificar aquilo que aparentemente seria mau, mostrando o lado bom de cada personagem e da vida foi um grande desafio?

Não foi um desafio mostrar o lado bom de cada personagem pois todos nós temos essa dualidade. Mas, foi uma confirmação e aceitação de que, mesmo com as melhores intenções, todos nós julgamos precocemente, fazemos juízos de valor, temos medo do desconhecido. O castelo que o personagem visita representa o mundo- é grande, assustador, cheio de coisas e pessoas desconhecidas. Nem sempre temos vontade de “entrar no castelo”, mas com coragem podemos entrar e ver que afinal há tanta coisa boa e divertida dentro do castelo. Quis desmistificar esse preconceito que os monstros são maus, que os zombies nos comem vivos, que os lobisomens são agressivos. No fundo, temos todos momentos em que agimos assim e temos todos as mesmas necessidades básicas. As crianças são marotas, os adultos têm atitudes menos boas. Os pais que, nesta sociedade, andam exaustos a viver em piloto-automático parecem zombies e as crianças são como os lobisomens- são pessoas com instintos animais. Somos todos criaturas do Halloween e vivemos todos dentro deste grandioso castelo que por vezes parece e é mesmo assustador. Mas, com aceitação, compreensão e tolerância podemos interagir com maior harmonia e paz.

 

AMMA – O porquê do Halloween para o tema deste livro?

Eu fiz a maior parte da minha escolaridade obrigatória em escolas internacionais. O Halloween e o Thanksgiving foram celebrados na minha infância e eram as minhas referências culturais. Só com onze ou doze anos é que percebi que estas eram celebrações americanas e não portuguesas. Mas essas referências culturais ficaram enraizadas em mim.
 

AMMA – Na fase de concepção da obra escrita juntando a ilustração da Mafalda Claro foi uma tarefa fácil para ambas?

Este livro foi feito ao contrário. A Mafalda quando trabalhou comigo há uns anos fez estas ilustrações para uma história de uma outra escritora. Quando fui diagnosticada com cancro há três anos tive que suspender todos os projetos. Tinha as ilustrações- sou uma grande fã do trabalho da Mafalda- e ficava com um aperto no coração sempre que as via “sentadas” no computador. Não as podia usar com a história da outra escritora por isso as ilustrações tiveram paradas durante uns dois anos. Uma noite os meus filhos pediram-me para lhes inventar uma história. Adormeci ao lado deles e na manhã seguinte acordei às 6:00 com esta história na cabeça. Fui logo escrevê-la e perceber se dava para usar estas ilustrações com esta nova narrativa. O processo de desconstrução e construção das ilustrações foi muito engraçado e um grande desafio. No fundo, é um trabalho que faço nos ateliês de escrita criativa e foi muito divertido passar por esse processo. É fascinante ver como é que uma imagem pode ser interpretada de várias formas consoante as pessoas que a percepcionam. Felizmente a Mafalda gostou do projeto e avançamos com o livro.

 

AMMA – Quais são as faixas etárias de crianças com que mais costuma lidar nas suas actividades?

Nas horas do conto há crianças desde os 4 anos. Nos ateliês de escrita e cinema trabalho com crianças dos 8-12 anos de idade. São faixas etárias distintas e cada uma oferece desafios e aprendizagens diferentes.

 

 

AMMA – Agora com a loja online consegue chegar a um leque mais alargado de público. Prevê ter que fazer reedições em algum dos temas.

Isso seria fantástico! Mas, antes de pensar em reeditar, gostaria de ter os livros em inglês. Já foram pedidos versões em inglês, mas de momento não tenho recursos financeiros para essas edições.

 

AMMA – Já tem um quarto livro em preparação?

Há já um quarto livro pronto para ser editado. As ilustrações são também da Mafalda Claro e o livro é muito bonito. Chama-se “A Guardadora de Sonhos” e é sobre uma menina que vive nas nuvens e que anota num grande livro todos os sonhos que nós aqui na terra sonhamos. Escrever um livro sobre o poder e a magia do sonho era inevitável para mim. Sou uma grande sonhadora e acredito que nunca devemos desistir dos sonhos. Desejo lançar esse livro na primavera. Depois desse livro gostaria muito de trabalhar com outros autores e artistas.

 

AMMA – Finalizando a nossa conversa, quer deixar uma mensagem aos nossos leitores?

Não deixar de sonhar- sonhos grandes e sonhos pequenos! Nunca sabemos quando chega o momento em que um sonho se concretiza. Tinha desistido do sonho de ser escritora e por uma adversidade grave este sonho concretizou-se. Ler um livro é algo muito poderoso. E ler para uma criança é verdadeiramente mágico.

 

Entrevista por: Pedro MF Mestre

 

Foto - Bárbara Araújo http://www.barbararaujo.com/
 
Editora -

AVEC – “Heaven / Hell”

 

 

AVEC é uma jovem música e compositora austríaca. Ela já esteve algumas vezes em Portugal sendo a última no início de 2018 no WestwayLab.

 

A compositora é conhecida por transformar a face negativa da sua vida, no Som e na Letra criando a perfeita harmonia no prazer do ouvir dos seus trabalhos. Tem o Pop como seu estilo musical, oscilando entre o suave, o mais alternativo, conjugando também com temas mais ritmados.

 

É desta forma que está construído o seu último trabalho “Heaven / Hell”, um disco de originais com dez temas base, mais dois de bónus, escritos ao longo dos últimos dois anos, e é composto pelas músicas: Love, Over Now, Under Water, Close, Heaven Hell, Breathe, Still, Leaving, Alone, Yours, e ainda Body e Dear.

 

Este álbum teve estreia mundial a 14 de Setembro, e o single acompanhado pelo teledisco “Under Water” com lançamento feito a 17 de Setembro. “Under Water” é um tema que não é fácil interiorizar à primeira vez que se ouve e visualiza, contudo com a continuação descobrimos a riqueza que ele tem no seu interior, sendo que foi nele que a compositora fez a sua grande aposta. Ao fim de três dias do lançamento no canal da artista no Youtube já tinha quase 60 mil visualizações. Nesta rede social o seu maior êxito tem sido o tema “Dead”, com 240 mil visualizações em dois anos.

 

Para Portugal “Heaven / Hell” está disponível para aquisição através das plataformas de venda digitais, ou compra via Internet, não estando disponível a venda do CD nas lojas habituais. O disco tem no seu interior um interessante livreto com a letra das músicas, acompanhadas por ilustrações temáticas. A construção da capa em cartão duro torna-o ainda mais especial que as embalagens tradicionais. Para os mais aficionados e colecionadores a encomenda do CD poderá ser a melhor opção.

 

AVEC tem um plano de concertos muito ambicioso para 2018, em que até ao fim do ano tem agendados 27 espectáculos entre vários locais na Áustria, Alemanha, Holanda, Suíça, Luxemburgo e Bélgica.

 

À conversa com AVEC:

 

AMMA: Como consegue transformar os seus sentimentos em música?

 

AVEC: Para mim a música foi sempre uma forma de terapia, foi basicamente o isso que me levou a começar a escrever. Não sabia o que fazer com estas emoções e pensamentos na minha cabeça, então a música tem sido para mim uma espécie de escape, uma forma de me exprimir.

 

AMMA: Acontece enquanto está a compor, ou também quando está em estúdio e no palco?

 

AVEC: São três estados diferentes para mim. Quando componho necessito de estar sozinha, tenho que por tudo cá para fora e deixar que seja o coração e a alma a falar. Em estúdio estou mais focada nos arranjos e composição e tentar descobrir a forma de conjugar tudo. No palco sou uma pessoa um pouco tímida, não gosto muito de estar sobre os holofotes, de ser o centro das atenções, mas estou a tentar sê-lo. Contudo adoro estar com a banda à minha volta em palco, transpondo a minha música para o exterior, num ambiente afectivo e fazer vibrar as pessoas.

 

AMMA: O tema “Heaven / Hell” (Céu / Inferno) é o meio termo do que acontece na sua vida, os bons e os maus momentos são importantes?

 

AVEC: Claro que sim, a vida é assim não é? Tem que se lidar com as coisas boas assim como com as coisas más da vida, depende é da forma como se lida com isso. Na minha perspectiva sem os maus momentos na nossa vida, não podemos ter os bons, tudo acontece por algum motivo que acaba por nos tornar mais fortes.

 

AMMA: Porquê a escolha de “Under Water” para acompanhar o lançamento do álbum?

 

AVEC: “Under Water” é uma canção muito especial para mim, pois penso que tenha sido a mais autêntica que alguma vez escrevi. Este tema é sobre a honestidade, a reflecção e ser autêntica comigo própria. O que fez sentido escolher “Under Water” para ser o single de acompanhamento do álbum.

 

AMMA: Esteve em Portugal no início de 2018 no WestwayLab. Está nos seus planos voltar a Portugal para um concerto numa nova tournée?

 

AVEC: Gostaria muito de voltar, desejo que seja no próximo ano.

 

AMMA: É importante a ajuda dada pelo governo austríaco para artistas que estejam no início de carreira? O seu apoio é suficiente para os ajudar a divulgar o seu trabalho no estrangeiro?

 

 

AVEC: Nós temos um bom sistema de apoio na Áustria para artistas e músicos, sem dúvida acerca disso, e eu estou muito agradecida por todo o apoio que tenho recebido ao longo destes anos.

 

AMMA: As novas plataformas de música on-line serão a melhor forma de promover e comercializar o trabalho dos novos músicos, ou acha que os tradicionais CD’s, o suporte físico, continuam a ser uma boa forma de promover e vender o seu trabalho?

 

AVEC: Por muito que goste dos CD’s e do Vinil, penso que nos dias que correm, realmente a melhor forma de promoção e venda do trabalho de um artista é através das plataformas digitais: o online, o streaming e a comunicação social.

 

AMMA: Como pode um consumidor valorizar o seu trabalho construído para um álbum, quando se consegue adquirir apenas uma parte do se trabalho (por exemplo uma música só).

 

AVEC: É sem dúvida uma desvantagem das plataformas digitais, as pessoas tendem a comprar ou ouvir somente temas isolados em vez de se familiarizarem com o disco todo.

 

Texto: Pedro MF Mestre

Imagens: AVEC – Kidizin Sane

 

 

Sandy Kilpatrick

 

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