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Museu Carlos Machado

Localidade: Concelho: Distrito:
Ponta Delgada Ponta Delgada RA Açores

 

O acervo do Museu Carlos Machado integra coleções de História Natural, de Arte e de Etnografia Regional. A coleção de História Natural reportam-se à fundação do museu, no final do séc. XIX e refletem o espírito científico dessa época. Incluem exemplares de diferentes partes do globo, muito embora as espécies açorianas tenham maior relevância. Este espólio é constituído pelas seguintes coleções: peixes; crustáceos; aves; mamíferos; moluscos; insetos; aracnídeos; répteis; flora; geologia e mineralogia. A coleção de Arte está organizada, principalmente, em núcleos de Pintura, Escultura e Arte Sacra. Dentro da Pintura, salientam-se as telas do Morgado de Setúbal, dos finais do século XVIII, oferecidas a este museu pela Condessa de Cuba, bem como as obras oitocentistas, do micaelense Marciano Henriques da Silva, pintor régio de D. Luís. Já do século XX, para além dos artistas açorianos, destacam-se alguns exemplares de pintura contemporânea portuguesa, que permitem marcar a evolução das mentalidades e alargar a vocação deste museu. Na Escultura sobressai a obra de Ernesto Canto da Maya, artista micaelense, que estudou em Paris, onde ganhou o "Grand Prix de Sculpture", em 1937. A exposição de Arte Sacra é constituída, essencialmente, por Pintura e Escultura, salientam-se as tábuas quinhentistas da Oficina de Coimbra e as que representam os Santos Mártires de Lisboa, oferecidas ao museu pelos herdeiros de Vasco Bensaúde. Do núcleo de pinturas da Igreja do Colégio dos Jesuítas de Ponta Delgada, merece particular atenção a "Coroação da Virgem", de Vasco Pereira Lusitano. De referir ainda a existência de um conjunto significativo de peças de Ourivesaria e de Esculturas em Marfim. A Secção de Etnografia Regional é constituída essencialmente por coleções referentes à cultura popular tradicional de S. Miguel. Na constituição das primeiras coleções esteve presente a preocupação em representar as atividades mais significativas da vida rural micaelense, pelo que, no primeiro núcleo de objetos que foram recolhidos, encontram-se os relativos à atividade agrícola, piscatória e à produção de cerâmica. A reconstituição do interior doméstico de S. Miguel, nomeadamente da cozinha rural e do quarto de cama de casal, foi objeto de especial destaque. Nas diversas peças que compõem a coleção de Etnografia Regional, podemos encontrar ainda elementos referentes a algumas etno-tecnologias que existiram na Ilha, como, por exemplo, a arte de sapateiro, carpinteiro, marceneiro, da cestaria ou da fiação e tecelagem. A tradicional indústria doméstica feminina, das rendas e bordados, tem também alguma representação nesta coleção. A religiosidade popular é outro aspeto contemplado no espólio etnográfico do museu, nomeadamente através de Lapinhas, bonecos de presépio e Registos religiosos, sendo complementada a exposição com quadros do pintor regionalista Domingos Rebelo.

 

A criação do Museu Carlos Machado refletiu a mentalidade científica do século passado. O grande interesse pelas Ilhas, demonstrado pelos naturalistas da segunda metade do século XIX, a par da divulgação da teoria da evolução das espécies de Darwin e das campanhas oceanográficas de Sua Alteza o Príncipe Alberto de Mónaco e El-Rei D. Carlos, terão sido fatores determinantes para a fundação do Museu de História Natural. As primeiras coleções foram reunidas por Carlos Maria Gomes Machado, Reitor do antigo Liceu Nacional de Ponta Delgada e professor da disciplina de Introdução à História Natural.

 

Em 1880, por ocasião das celebrações do tricentenário da morte de Camões, foi inaugurado o então denominado "Museu Açoreano", expondo diversas coleções de Ciências Naturais, nomeadamente, Zoologia, Botânica, Geologia e Mineralogia, hoje consideradas históricas.

 

Este património foi sendo enriquecido com o apoio de vários micaelenses de prestígio intelectual e social, como o Marquês da Praia e Monforte, Francisco de Arruda Furtado, Dr. Bruno Tavares Carreiro, Coronel Francisco Afonso de Chaves e o Conde de Fonte Bela, que ofereceu a coleção de Etnografia Africana e suportou as despesas da deslocação de Manuel António de Vasconcelos a Lisboa, onde cursou taxidermia, para além da colaboração de naturalistas de outras ilhas dos Açores e do estrangeiro.

 

Em 1890, o "Museu Açoreano" passou a estar dependente do Município de Ponta Delgada, denominando-se, a partir de 1914, "Museu Carlos Machado", em homenagem ao seu fundador.

 

Em 1912, o Dr. Luís Bernardo Leite Athayde foi convidado a organizar e dirigir a Secção de Arte do Museu e orientar a Secção de Etnografia, promovendo, a partir dessa data, a realização de exposições de pintura, com artistas nacionais e locais, tendo as aquisições e ofertas constituído o primeiro núcleo de pintura deste Museu. Para tal, contaram com subsídios da Câmara Municipal, da Junta Geral do Distrito e ainda com a generosidade de alguns particulares, como o Marquês de Jácome Corrêa. Nessa altura, o espólio encontrava-se repartido pelo antigo Convento dos Gracianos, onde estava instalado o Liceu, e pelo edifício da Alameda de D. Pedro IV, onde foram expostas as coleções de pintura, botânica, mineralogia, geologia e a biblioteca.

 

É dentro do espírito do "Movimento Regionalista", que se começam a reunir as primeiras coleções de etnografia, ligadas ao desejo de preservação da cultura popular, preconizada pelo Professor José Leite de Vasconcelos e concretizada no Museu Carlos Machado, primeiramente, pelo Dr. Luís Bernardo Athayde, e, mais tarde, pelo Dr. Alfredo Bensaúde e Dr. Armando Côrtes-Rodrigues.

 

Em 1928, foi apresentada à Junta Geral a proposta de aquisição do Convento de Santo André, para nele serem reunidas todas as coleções. A história deste convento, onde está atualmente instalado o Museu, remonta ao século XVI, tendo sido fundado, em 1567, por Diogo Vaz Carreiro e sua mulher Beatriz Rodrigues Camelo e entregue definitivamente à ordem feminina de S. Francisco, em 1577.

 

Este edifício é um dos belos exemplares de arquitetura conventual de Ponta Delgada, tendo sofrido várias alterações, ao longo dos séculos, até ser adaptado a Museu, em 1930.

 

Em 2006, a coleção de arte religiosa foi transferida para a Igreja do Colégio dos Jesuítas, outra edifício de referência de Ponta Delgada, que passou a Núcleo de Arte Sacra do Museu Carlos Machado nesse mesmo ano. Com o encerramento do Convento de Santo André para obras de beneficiação, remodelação e ampliação, a coleção permanente atualmente aberta ao público está agora nesse espaço, no horário normal de funcionamento do Museu.

 

Em 2010 inaugurou o Núcleo de Santa Bárbara, fronteiro ao edifício sede, para onde foram transferidos os serviços administrativos e o centro de documentação, oferecendo de igual modo novos espaços expositivos.

 

Conteúdos da responsabilidade do museu e editados pela DGPC

 

Outras Informações: Rua Dr. Carlos Machado - 9500-105 Ponta Delgada

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terça-feira, 7 de julho de 2020 – 15:22:12

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