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Tentar, tentei… (I)

Quando somos confrontados com tarefas de elevado grau de dificuldade, ou quando nos colocam perante desafios, que julgamos não ser capazes de ultrapassar, sempre aparece uma amiga da onça que nos sussurra – “não perdes nada, tentar não custa”. Está na hora de desmistificar esta premissa de publicitário barato – não custa é o tanas!
 
Quanto mais provas faço, mais erros cometo, mais “brancas” me acontecem e mais cansado me sinto no final das ditas. Estou a caminhar a passos largos para a “reforma antecipada”. O corpo já não responde ao que se lhe exige e sobretudo não recupera as fartas confusões do intelecto.
 
Se me atasco num qualquer ponto, o percurso fica irremediavelmente comprometido, pois não disponho de argumentos físicos para superar as perdas. O remédio é tentar não entrar em pastorícias desnecessárias e absurdas. Ora todo o mundo sabe, que o “berdadeiro” é um perito em parvoíces, portanto, estamos conversados quanto ao tema.
 
Acreditem que eu bem tentei, que o Troféu Ibérico do Barroso passasse para a história, como um belo, eficiente e glorioso momento de orientação pessoal. Infelizmente tal não aconteceu (o contrário seria de espantar). Não foi por falta de empenho ou pela intimidação dos espanhóis, nem tão pouco por cartografia desactualizada ou percursos desadequados. Pura e simplesmente cometi algumas tropelias técnicas, com consequências desastrosas nos números finais.
 
É verdade, que não andei a tratar os mapas da Serra da Cabreira assim tão mal. Na distância média de Salto (4.300 mts), apenas fui alvo de um atascanço profundo e em Moscoso, como me proporcionaram mais uns metros para percorrer (6.200), aumentei as pastorícias para duas bem pesadas. Os restantes vinte e nove pontos, apesar de não terem sido totalmente perfeitos, tenho de os considerar aceitáveis. Para os meus parâmetros, convenhamos.
 
Na primeira jornada, tudo começou por correr às mil maravilhas, com os pontinhos todos no sítio, não obstante os problemas que a coligação “verdes-pedrolas” me ia criando. Identificar pedras não é o meu forte; se estiverem escondidas pela vegetação, então passa a ser uma canseira.
 
No entanto, devo reconhecer, que o terreno apresentava detalhes suficientes, para ninguém se queixar. Se não descortinava a “pedrola”, havia uma linha de água para ajudar, uma reentrância, um muro, uma clareira, uma moita, um caminho…ui…nem me falem em caminhos, que fico stressado e ainda me dá vontade de chorar.
 
Não, não estou deprimido, mas andei lá perto. Como ia dizendo, as pernadas até à quinta baliza desenrolaram-se sem grandes contratempos, mas na seguinte, ao desembocar num entroncamento de caminhos, pejado de informação técnica, fui acometido por um ataque de palermice e estaquei que nem espantalho ao vento.
 
Estradão de um lado, alcatrão do outro, monumento de “alminhas” ao centro, nascente e linha de água à vista, mais um carreiro que não via no mapa e um enorme trilho no mapa que não encontrava no terreno. Enfim, só tinha de continuar a progredir em frente a toda brida e ponto final. Tão simples quanto isso. A questão, é que o “berdadeiro” quando não tem preocupações, não descansa enquanto não as arranja. Se o terreno é pobre, “aqui d’el rei” que faltam pontos de orientação, se oferece um autêntico manancial de pormenores, “valha-me Deus” que confusão.
 
Então onde parava o raio do trilho? O cartógrafo esqueceu-se do carreiro que subia a encosta? Eh pá! Há aqui outro entroncamento mais à frente, com cruzinha (X) de elemento humano. Em qual deles vim parar? Como tinha descido a colina em azimute e a fintar descuidadamente os obstáculos, deduzi logo que me tinha desviado. Só que deduzi mal (para variar).
 
Efectivamente encontrava-me no local correcto, o trilho estava lá, se bem que um pouco sujo, e o carreiro ficou debaixo do ponteado do limite de vegetação. Nem com o auxílio de óculos me safo, irra! Apenas consegui sair da embrulhada em que me meti, depois de muito teimar, baixar os níveis de ansiedade e borrifar-me para o orgulho, solicitando uma dica “ilegal” a um miúdo (situação constrangedora).
 
– “Você está aqui nesta enorme área aberta, na confluência dos caminhos, não vê?” – responde-me ele meio perplexo, de dedo apontado, quase nem acreditando na minha ignorância. - “Eu sei que estou, mas tens de confirmar isso à minha cabeça, que tento há dez minutos, que ela confie no que lhe digo”.
 
Comentaria mais tarde um companheiro de clube, de sorriso trocista afivelado – “demoraste o tempo necessário para cartografar toda aquela área, como um brinquinho” – hehe! (ainda me candidato a colaborador do Armando Rodrigues ou do Alexandre Reis).
 
Depois do inconcebível atraso, que me fatigou o físico e o raciocínio, entrei numa série de pernadas, em zona bastante suja e rica em curvas de nível. Se ultrapassei algumas em descidas loucas (tropeçando e resvalando em tudo o que era galho e pedra), outras houve, que me vi na necessidade de as trepar de gatas. As penosas subidas para os pontos 8 (onze curvas em 200 metros) e 12 (uma rampa de 100 metros, com um violento desnível de 30), deixaram-me completamente nas lonas, terminando num ritmo de “berdadeiro” ancião.
 
Sobressaiu pela positiva o acerto técnico da maioria das progressões, inclusive a do controverso “130” (afirmam as más-línguas que estava na falésia errada), para me manter o moral para a etapa seguinte, dado que o resultado foi confrangedor e a debilidade física notoriamente deu cartas.
  

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terça-feira, 1 de dezembro de 2020 – 12:15:58

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