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Bastidores do POM`11 (II)

Antes de prosseguir com a dissertação numérica e análise comportamental, quero fazer um pequeno parêntese, para dar uma explicação à comunidade orientista, sobre um assunto pertinente. Que fique bem assente, que o “berdadeiro” não teve qualquer interferência nos abastecimentos líquidos. Sei que houve água com fartura nos percursos longos (chuva não faltou), não havendo motivo para que alguém passasse sede, mas infelizmente votei derrotado nesta questão. Não permitiram o fornecimento de “minis” fresquinhas, ideia que eu defendi com unhas e dentes. Prometo que para a próxima, voltarei à carga.
 
 Outra área que parece não se ter comportado mal, foi a que andou ao colo com os jornalistas, repórteres televisivos e fotográficos, proprietários, vip`s e demais convidados. Toda a gente que visitou o POM, recebeu tratamento digno e de acordo com a ocasião, pelos atentos relações públicas de serviço.
 
 No que à comunicação diz respeito, até não nos podemos queixar. Nunca os média gastaram tanto tempo e papel, com uma prova de Orientação (entupimos diariamente os emails de dezenas de redacções, com “press releases”). Ver a “Bola” e “Record” a disponibilizarem uma página inteira e a “SIC”, “RTP” e “RTPN”, passarem vários blocos de imagens nos serviços noticiosos, tratando da nossa modalidade, para além de um milagre é uma estrondosa vitória.
 
 Para a posteridade ficarão igualmente, as belas imagens captadas pelas objectivas dos “artistas” da fotografia, algumas, verdadeiras obras-primas de instantâneos desportivos, em plena comunhão com a natureza. Ainda nesta vertente, de evidenciar o notável trabalho realizado pela Localvisão, que acompanhou o evento desde a sua apresentação, com reportagens sugestivas, deixando-nos um esplêndido lote de vídeos, que no futuro poderão funcionar, como excelente meio de promoção e divulgação.
 
 Contudo, há um pormenor que convém salientar, sobretudo, porque será porventura o mais relevante e decisivo. Toda esta festa não teria qualquer significado, se os terrenos apresentados para o desenrolar das provas, não reflectissem características de qualidade. O intenso e cuidadoso trabalho de prospecção das áreas de competição, que teve o seu início há mais de dois anos, foi o sólido alicerce, para que o POM`11 se tornasse inesquecível.
 
 Sem mapas de excelência, não haverá prova de Orientação que resista. Os 7,789 km2 produzidos de novo e os 2,363 actualizados, deverão ser um bom exemplo. Estamos convencidos, que o nível técnico dos percursos foi do agrado da maioria e a filosofia da cartografia utilizada, não terá enganado ninguém. As opiniões que nos foram chegando dos mais variados quadrantes, atestam a nossa presunção.
 
 - “Agora diz-me tu, seu sabichão. O que farias se os donos das herdades vos fechassem os portões na cara?”.
 
 Finalmente a “vozinha” mostra a sua perspicácia. Na realidade, a boa vontade dos proprietários das Herdades do Gamito, Couto da Arnela, Entre Ribeiras e Coutadas, para além da receptividade da Administração da Fundação Alter Real, demonstrou ser crucial no desenvolvimento de todo o processo organizativo. Sem a sua colaboração generosa e desinteressada, conjuntamente com o apoio logístico e financeiro das autarquias envolvidas, Crato, Alter do Chão e Portalegre, o Portugal O`Meeting`11 não teria visto a luz do dia.
 
 O que eles devem ter sofrido, rezando para que aquela turba, que vertiginosamente atravessava os seus domínios, não lhes causasse prejuízos nos muros e vedações, não provocasse algum enfarte numa vaca mais assustadiça ou impotência a um garanhão de linhagem. No dia 9 de Março, o seu respiro de alívio ecoou por todo o Norte Alentejano. Bem hajam!
 
 - “Não estarás a puxar demasiado a brasa à tua sardinha? Quem ler isto, vai pensar que foi tudo um mar de rosas. Não houve falhas?”.
 
 Claro que aconteceram alguns imprevistos, mas foram imediatamente solucionados, de maneira a não perturbarem o normal decorrer do evento. Desde um gerador que teve de ser substituído à última hora, por não dispor de potência suficiente, ao atascanço no lamaçal do auto-tanque dos bombeiros, que vinha encher os depósitos de água. Um inesperado furo, que atrasou uma carrinha carregada de material, destinado às chegadas do Gamito. O desentendimento entre dois bois de Entre Ribeiras, que quase impediram com a sua fúria, a abertura de uma vedação. Uma box “preguiçosa” que voltou a adormecer e gerou uma quantidade de falsos “mp`s”, até ser substituída com o máximo de discrição. O desaparecimento de um elemento característico associado a um ponto e… Enfim, um rol de problemas, que apenas não acontecem, a quem não se mete nestas andanças. No entanto, temos consciência que, por escassez de recursos, alguns sectores não funcionaram como desejávamos (um segredo que fica entre nós). Só que diz-se por aí à boca cheia, que o óptimo não existe na Orientação, portanto, estamos completamente tranquilos, hehe!
 
 Em termos pessoais, resta-me acrescentar, que sinto um enorme orgulho, em pertencer à lista dos oitenta elementos da distinta família do Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos (e alguns amigos), que compuseram a estrutura organizacional do POM, superiormente liderada por quem sabe. A vontade, a entrega, o empenho, a seriedade, demonstradas pela totalidade dos intervenientes, são dignas de um louvor orientista.
 
 Foi uma experiência única, porém, demasiado desgastante. Certamente, que o sucesso alcançado é uma agradável recompensa e não deixa de ser gratificante, o constatarmos a satisfação da maior parte dos atletas, mas francamente, não apetece repetir a dose nos tempos mais próximos. Outros que se cheguem à frente.
 
 Não pretendia particularizar ninguém em especial, mas acho que não seria justo, se deixasse passar em claro o trabalho inexcedível do supervisor. Apesar de não fazer parte do Clube (por acaso até pertence a um adversário), foi mais um elo importante em toda a engrenagem, demonstrando uma solidariedade e disponibilidade apreciáveis. O GD4C tem de estar-lhe inteiramente reconhecido (vou enviar-lhe uma proposta de sócio).
 
 Uma mágoa trouxe, deste evento tão especial. A vertigem do momento foi de tal ordem, que nem dispus de um minuto de calma, para me lembrar de solicitar aos campeões Gueorgiou (com quem troquei umas breves palavras de circunstância) e Niggli, uma foto de família com o “berdadeiro”. Para o ano não lhes perdoo esta falta. Assim eles apareçam, lá para os lados de Viseu.
 
 Uops! Desculpem, mas tenho de me ausentar. Fiquei encarregado de ir pagar os 200 quilos de carne consumida, depois de sair da fisioterapia, onde ando a tratar um lumbago, provocado pelo excesso de labor físico alentejano.
  

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terça-feira, 1 de dezembro de 2020 – 12:27:27

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