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Balanço do Mandato - Presidente da Federação Portuguesa de Judo – Eng.º José Manuel A. Costa e Oliveira

 

- Que balanço faz do Ciclo Olímpico e Paralímpico – Rio 2016?

 

O ciclo Olímpico e Paralímpico correram muito bem na Federação Portuguesa de Judo, aquilo que nós chamamos de ciclo Rio 2016. Durante um ciclo Olímpico nunca tínhamos tido tantas medalhas, que claro, são um dado importante. É o resultado do trabalho realizado, a nível de Cadetes, Juniores e Seniores, culminando na Medalha de Bronze da Telma Monteiro nos Jogos Olímpicos e das classificações da Joana Ramos, do Sergiu Oleinic e do Jorge Fonseca.

 

Penso que correu bem, com destaque para Cadetes e Juniores. Nos Cadetes, Portugal nunca tinha conquistado uma Medalha Europeia, alcançada agora pela Patrícia Sampaio. Nos Juniores, conseguíamos medalhas, em média, de 10 em 10 anos e neste ciclo subimos ao pódio todos os anos. Falo de Medalhas Mundiais e Europeias de Atletas de grande qualidade como o Nuno Saraiva, Mariana Esteves e outros que tiveram num grande nível.

 

Também nunca tínhamos tido tantos Judocas no Projeto Olímpico e a participar nos Jogos como tivemos agora com a Joana Ramos, a Telma Monteiro, o Sergiu Oleinic, o Nuno Saraiva, o Célio Dias e o Jorge Fonseca, mas foi pena não termos tido mais, uma vez tivemos vários atletas que ficaram “à porta” da qualificação. Estou a lembrar-me da Ana Cachola, do Carlos Luz, do Nuno Carvalho, do Diogo Lima, o André Alves e a Yahima Ramirez, que ficaram muito perto de irem ao Rio de Janeiro. Ainda assim, os 6 que mencionei e foram aos Jogos, tiveram uma prestação fantástica e permite-me dizer que o balanço é altamente positivo.

 

Em relação ao Judo Paralímpico o que alcançámos também foi excelente. Nunca Portugal tinha tido um judoca nos Jogos desta vertente e teve agora o Miguel Vieira, que começou por ser esperança paralímpica e chegou aos Jogos Paralímpicos. O Miguel conseguiu um 9º lugar, tínhamos as expectativas ligeiramente mais elevadas, mas penso que ainda assim foi bom, porque sobretudo foi o abrir de uma porta, ao ponto de, agora, já termos mais atletas como o Djibrilo Iafá que são esperanças paralímpicas. Tendo em conta o trabalho que temos desenvolvido nesta área, não será exagero acreditar que, depois de este ano termos tido o primeiro Judoca Paralímpico, podemos ter 3 atletas em Tóquio, o que é um crescimento notável.

 

Se considerarmos o Judo Adaptado e o Surdolímpico também verificamos um crescimento. Já tínhamos a Joana Santos do Algarve a obter grandes resultados, voltou recentemente a medalhar no Campeonato do Mundo e agora surge João Machado, uma nova esperança Surdolímpica. Na vertente adaptada, para atletas com deficiências intelectuais, também demos passos importantes ao participar em Campeonatos da Europa e a conquistar medalhas.

 

É evidente que a Federação Portuguesa de Judo cresceu bastante nestas áreas, o que me deixa particularmente satisfeito por tudo o que foi feito.

 

- O que ficou por fazer neste ciclo?

 

Eu diria que houve algumas coisas que ficaram por fazer. As dificuldades financeiras não permitiram fazer tanta coisa como gostaríamos e tínhamos planeado.

 

Na área da formação, avançámos com o programa “Judo at School” onde vamos formar 200 jovens de 10 escolas, mais de 200 professores de educação física na área do judo e iniciar um projeto de formação com a Federação Internacional de Judo no início de janeiro. Apesar do muito que se fez nesta área penso que há muito para se fazer ainda.

 

Eventualmente poderíamos ter feito mais no desenvolvimento da modalidade no interior do país: eixo Guarda – Castelo Branco – Portalegre – Évora – Beja, há muito para se fazer nesta área que denomino de interior. Infelizmente não houve recursos financeiros para avançar com atividades que promovessem esse crescimento, o que naturalmente nos deixou aquém das expectativas.

Estão preparadas estratégias de longo e outras de curto/médio prazo.

 

Precisamos que o Judo seja mais reconhecido, encha pavilhões, tenha grande aceitação do público e atraia patrocinadores. É um caminho que temos que fazer com recursos humanos, técnicos e financeiros.

Gostava de ter avançado mais neste caminho, mas estou satisfeito com tudo o que alcançámos, daí a recandidatura.

 

Sou novamente candidato porque naturalmente gosto muito do Judo, mas principalmente porque ainda tenho muito para fazer enquanto presidente. A modalidade tem que crescer mais, temos que atrair grandes parceiros, delinear e incentivar uma estratégia de crescimento mútuo com a vizinha Espanha, entre outros projetos.

 

- Quais são os principais objetivos da sua recandidatura?

 

Os principais objetivos da minha recandidatura passam pela Inovação e Crescimento. Temos que prestar um serviço. Relembro o slogan da União Europeia de Judo que diz “Judo more than Sport”, eu acredito muito nisto, temos um serviço a prestar à população principalmente aos mais jovens e seniores. Portanto, para além das medalhas que alcançamos na alta competição, que claro que são importantes e nos enchem de orgulho e satisfação, eu acredito nessa prestação de serviço à população e é algo em que estou muito focado.

 

É isto que me motiva para me recandidatar, apostando na inovação e crescimento.

 

- O que a família do Judo pode esperar de si no próximo ciclo?

 

Podem esperar muita seriedade, entrega, dedicação e uma equipa empenhada e em crescimento. Repare, quando cheguei à Federação Portuguesa de Judo, a equipa técnica era muito direcionada ao Judo Olímpico. Atualmente está direcionada para o Judo Olímpico, claro que sim, mas também ao Judo Paralímpico, Adaptado, aos Kata – uma vertente importante na modalidade e aos Veteranos. A equipa técnica da FPJ cresceu e queremos que continue a crescer e a desenvolver estas áreas, com certeza que os resultados irão aparecer fruto desse trabalho.

 

É isso que as pessoas esperam de mim, inovação, criatividade, dedicação, seriedade e uma grande equipa para trabalhar, e é para isso que cá estamos.

 

 

Periodicidade Diária

domingo, 12 de julho de 2020 – 15:33:53

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