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Catarina Rodrigues reeleita Diretora Desportiva da União Europeia de Judo

 

Catarina Rodrigues, Diretora de Atividades da Federação Portuguesa de Judo (FPJ), foi reconduzida no cargo de Diretora Desportiva da União Europeia de Judo (UEJ) dando desta forma continuidade ao trabalho que tem desenvolvido nos últimos anos no Comité Executivo da UEJ – novo mandato 2016-2020. 

 

O Congresso Ordinário da UEJ realizou-se no sábado, dia 10 de dezembro, em Atenas (GRE), onde o atual Presidente da UEJ, Sergey Soloveychik, foi reeleito. Portugal esteve representado pelo Presidente da FPJ - José Manuel Costa e Oliveira.

 

Recordamos que o Comité Executivo é o órgão Diretivo da UEJ, sendo os membros eleitos para mandatos de 4 anos. Catarina Rodrigues teve o seu primeiro mandato em 2012, sendo a primeira vez que uma mulher foi eleita para o cargo de Diretora Desportiva.

 

Catarina Rodrigues tem trabalhado com diversas federações nacionais em vários eventos desportivos desde 2010 enquanto elemento da Comissão Desportiva da União Europeia de Judo. Do seu currículo faz parte uma licenciatura em Gestão de Desporto pela Faculdade de Motricidade Humana, tendo também uma pós-graduação na mesma área.

 

Desde 1997 que dirige o Setor de Atividades da Federação Portuguesa de Judo, e é responsável pela organização de provas nacionais e internacionais em Portugal, inclusive grandes eventos como Campeonatos da Europa e Opens Continentais.

 

Marcou presença nos tatamis nacionais e internacionais ao logo de 15 anos (1990 e 2005), conquistando entre outros resultados a medalha de bronze no Campeonato do Mundo de 2001, em Munique, duas medalhas de ouro em Taças do Mundo e quatro quintos lugares em Campeonatos da Europa. 

 

Em 2002 foi eleita Atleta do Ano pelo Comité Olímpico de Portugal, recebendo a Medalha Olímpica Nobre Guedes. Foi ainda quinze vezes Campeã Nacional, sempre em representação do Ginásio Clube Português. 


Entrevista:

 

Neste novo mandato o que se propõe fazer, o que gostaria de alterar no judo europeu?

Catarina Rodrigues- A União Europeia de Judo (UEJ) tem como principal objetivo o desenvolvimento do Judo na Europa de uma forma transversal, tendo como objetivo final que os atletas europeus mantenham a supremacia da Europa nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 e posteriormente em 2024.

Para isso temos diversas ferramentas que são utilizadas pelos diversos departamentos da UEJ (Sectores Desportivo, Educação, Marketing e Media). O Sector Desportivo, para o qual fui reeleita Diretora Desportiva, foca-se principalmente em tentar criar as melhores condições para os atletas, treinadores e árbitros da Europa atingirem sucesso, a curto e médio prazo.

Assim desenvolvemos o melhor Circuito Mundial para os escalões de Cadetes e Juniores (Taças da Europa e estágios), os OTC - Olympic Training Centers - onde os atletas europeus podem treinar ao mais alto nível em conjunto - e Seminários para treinadores e árbitros europeus, entre outras iniciativas.

É nossa responsabilidade também, continuar a melhorar a apresentação dos eventos organizados sob a tutela da UEJ, fazendo chegar a nossa modalidade a um maior número de pessoas.

 

Como é que se conquista a prática do judo nas camadas mais jovens? É fácil implementar programas que permitam a descoberta da modalidade?

CR - O Judo devido ao seu alto valor educativo e pelo harmonioso desenvolvimento que permite em termos de psicomotores é uma das modalidades recomendadas pela UNESCO para crianças e jovens.

Temos as ferramentas, agora é necessário fazer chegar a mensagem aos pais e aos jovens. A União Europeia de Judo, possui diversos projetos que visam fazer a nossa modalidade chegar a esse tipo de populações: "Judo@school", projeto que visa a inclusão do judo como modalidade curricular nos programas de Educação Física – projecto em desenvolvimento já em 10 países, incluindo Portugal -, "Improve your Club" que visa melhorar formação dos professores de judo e ainda espera desenvolver, neste período de 4 anos, um novo programa para incluir Judo nos Ginásios e “fitness clubs”.

 

O facto de ter sido a primeira mulher a ser eleita para Diretora Desportiva da UEJ traz-lhe fortes responsabilidades para o Judo no feminino?

CR - Nunca me preocupei com questões de género e apenas me apercebi dessa circunstância depois da eleição em 2012. Nunca senti que ser mulher num ambiente maioritariamente masculino seja uma vantagem ou desvantagem.

 Acredito que fazendo o nosso trabalho de forma correta, com convicção e humildade, seremos reconhecidos pelos pares, independentemente de ser homem ou mulher.

O Judo feminino está a desenvolver-se a nível mundial, em termos técnicos temos excelente judocas, verdadeiras “Judo Heroes” como a Telma Monteiro em Portugal. Podemos observar também mulheres com papel ativo nas funções de árbitro, treinador ou dirigentes.

É um percurso lento mas seguro, eu estou a tentar contribuir para esse desenvolvimento com o trabalho que faço na Federação Portuguesa de Judo e na União Europeia de Judo.

 

Á semelhança do que acontece em outros deportos, as mulheres são menos participativas na prática e competição da modalidade. Enquanto diretora da UEJ tem em mãos algum projeto que gostaria de ver desenvolvido nesta área?

CR - A União Europeia e a Federação Internacional de Judo estão empenhadas ao desenvolvimento do judo a nível global, esse desenvolvimento passa também pelo desenvolvimento do judo feminino.

Apesar da maioria dos praticantes ainda serem masculinos, algo que julgo nunca irá mudar face à natureza da modalidade e da sociedade, a participação das atletas femininas no contexto europeu e mundial tem-se fortalecido nos últimos anos. Nas camadas mais jovens, apesar de não haver nenhum projeto especifico da UEJ ou FIJ, tenho conhecimento de projetos desenvolvidos em Federações Nacionais com bons resultados.

É possível também observar que cada vez há mais mulheres envolvidas como diversos agentes desportivos. Temos mais treinadoras, quer a nível nacional quer a nível internacional, temos mais mulheres na arbitragem. Há inclusive um projecto da UEJ/FIJ a incentivar ex atletas a seguir a carreira de arbitragem internacional.

A nível de dirigentes ainda há algo a desenvolver de forma a aproveitar melhor as capacidades das nossas judocas ou ex-judocas. A título de exemplo dos 44 Presidentes das Federações presentes no Congresso em Atenas, apenas um era mulher (Presidente da Federação de Judo da Croácia).

Há que fazer ver às mulheres judocas que existem diversas formas de contribuir para o desenvolvimento da modalidade, como atleta, treinadora, árbitro ou dirigente, todas são válidas e onde o sucesso é possível com base na competência e não no género que se possui.

 

Há nitidamente um crescendo de presenças de atletas lusos nos pódios europeus, as camadas mais jovens estão com melhores prestações como vê esta situação?

CR –O judo português nas últimas décadas tem mantido uma consistência de resultados nos diversos escalões. Temos medalhas nas grandes competições Europeias e Mundiais de todos os escalões (cadetes, juniores, seniores e até no veteranos) É uma situação que me deixa naturalmente satisfeita e que contribui para que o judo em Portugal seja uma modalidade de referência e que a nível internacional, Portugal tenha igualmente uma posição relevante entre os seus pares.

 

Que diferenças encontra entre o judo da sua altura enquanto atleta e atualmente?

CR - Na última década o judo sofreu grandes alterações (deixei de competir em 2005).

A Federação Internacional de Judo fez um excelente trabalho, sabendo adaptar a modalidade às novas realidades e necessidades. O judo é hoje uma modalidade bem cimentada no Programa Olímpico, é das modalidades com maior grau de universalidade em termos de participação e em países medalhados, no RIO 2016 participaram na competição de judo atletas de 134 NOC´s, tendo as medalhas sido conquistada por 26 países diferentes. Os 14 títulos olímpicos atribuídos foram distribuídos por 10 diferentes nacionalidades, o que é representativo do desenvolvimento do judo a nível global.

Temos um circuito mundial bem estruturado no escalão sénior com Prize Money, algo impensável no meu tempo de atleta.

A União Europeia de Judo tem um circuito de Cadetes (15-17 anos) e Juniores (18-20 anos) que permite aos jovens atletas competir, mas acima de tudo, treinar com colegas de outros países. Estes estágios internacionais são essenciais para o desenvolvimento de qualquer judoca que tenha perspetivas de excelência no futuro.

Recordo-me que a minha primeira convocatória para a seleção nacional foi para a participação no Mundial de Juniores, o que hoje em dia seria difícil de acontecer .

Felizmente, hoje as condições de controlo e avaliação de treino estão também mais desenvolvidas e enquadradas em equipas multidisciplinares.

Um outro desenvolvimento que observo, e que já referi, está relacionado com a maior participação feminina, vejo por exemplo mais treinadoras em posição de maior responsabilidade nas seleções nacionais.

Uma área onde ainda julgo podemos melhorar, e um aspeto que sempre me foi bastante querido, é no acompanhamento pós-carreira. Para poder viver a sua carreira de alto rendimento totalmente focado na tarefa e objetivos desportivos, o atleta não deve estar demasiado preocupado com o futuro após carreira de alto rendimento.

É responsabilidade do atleta garantir a sua formação e perceber o que quer fazer no futuro, mas no momento da integração na vida profissional deve existir um enquadramento e orientação suportada pelas Entidades responsável da área desportiva. Há vários modelos no estrangeiro e tenho conhecimento que estamos também em Portugal a caminhar neste sentido. Considero fundamental.

 

Quer deixar uma mensagem para os atletas que dão os primeiros passos na modalidade? E para os que já estão no circuito internacional?

CR - Para quem se inicia no judo, que se divirtam na prática da modalidade, que sigam os seus valores educativos dentro do dojo (sala onde se pratica judo) e nas actividade do dia a dia.

Para os atletas de alto rendimento, que acreditem no trabalho que fazem, que encontrem o equilíbrio entre a ambição e a humildade que vos levará ao sucesso.

Uma das consequências, ainda que paralela, desta posição que ocupo na UEJ é poder acompanhar ao vivo algumas das grandes conquistas do judo português. Um privilégio!

 

O Presidente da FPJ – Manuel Costa Oliveira esteve presente na reunião da EJU que teve lugar em Atenas e acompanhou a reeleição de Catarina Rodrigues para o cargo de Diretora Desportiva:

 

“Foi com enorme satisfação que observei os trabalhos e pude ver a Prof. Catarina sentada na Mesa ao lado da Presidência. Mais, o Presidente da UEJ veio agradecer-me a nossa indigitação da Prof. Catarina o que é sem dúvida um grande orgulho para todos nós da comunidade do judo e dos portugueses.

Um segundo momento, também muito importante, foi o reconhecimento e a homenagem à nossa Judoca Telma Monteiro, pelo seu feito histórico da conquista da medalha de bronze nos JO do Rio 2016.

Foi um enorme orgulho ver a Telma Monteiro no livro HEROES OF EUROPEAN JUDO AT THE OLYMPICS e ver o seu nome gravado a ouro na placa EJU OLYMPIC AWARD 2016.

De facto, foi um orgulho para mim e para todos nós, constatar o reconhecimento de todos, que amiúde me vinham felicitar por tão grande feito da Telma Monteiro”.

 

 

Periodicidade Diária

sexta-feira, 10 de julho de 2020 – 11:43:29

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