Ricardo Mello, paixão e talento no DJ’ing e no Design

 

 

Ricardo Mello é um jovem grande talento tanto na arte de DJ, produtor de música eletrónica em Portugal e ainda na sua dedicação ao design.

 

Nascido em 1984, Ricardo aspira ao sucesso musical logo aos sete anos de idade iniciando-se no piano e na percussão, sendo que foram o motor para chegar ao DJ’ing com o sucesso que tem atualmente na sua vocação musical.

 

O que pretende quando está na sua mesa de som e com todo o equipamento associado é ver o impacto que a sua música está a ter no público presente na pista, ou seja agitar-lhes o sangue  proporcionando um bom momento de dança, divertimento e descompressão. O seu estilo baseia-se no deep house, house vocalizado, eletrónica e mainstream. Os DJ’s que o influenciaram ao longo de duas décadas passaram por David Guetta, Daft Punk, Deadmau5, Bob Sinclar, Martin Solveig entre outros, sendo estes os mais marcantes.

 

Na sua carreira de animação musical ao longo destes anos partilhou espaços com os mais famosos nomes da música de pista como David Guetta, Axwell, Steve Angelo, Miguel Miggs, Dj Vibe, Diego Miranda, Chus & Ceballos, Bob Sinclair, David Moralles, Martin Solveig, Edward Maya, Ives Larock, Dimitri From Paris, entre outros.

 

Os primeiros passos foram dados na então discoteca Coconuts em Cascais, uma das mais emblemáticas da altura na linha, onde trabalhou durante vários anos.

 

Não se contenta com o passar música para uma pista de dança e ter o retorno da animação dos clientes do espaço. Aposta também na fundação da “Emmo Records”, e aderiram a este projeto no território da dança, artistas como o DJ Vibe, Kobbe, Cytric, Carlos Frauvelle, Richie Santana, Milton Channels, Kobbe, Eric Entrena, Dário Nunez, Tarot, Sérgio Fernandes, London 909, e outros.

 

Em 2005 Ricardo Mello lança-se no mercado de produção internacional trabalhando com vários artistas e produtoras de vários países, assim como o lançamento do tema “Tribal Dream” em colaboração com vários artistas de renome, tendo sido a alavanca principal para o este seu lançamento internacional. Assim este DJ cria um portefólio de temas originais e outros remixados que foram bem recebidos e reconhecidos nos mercados estrangeiros. O destaque vai para o seu tema original “Tears” com a editora Canadiana Readymix Records, assim como também o tema em remix “If you like”, um original de Mickiyagi feat Orly Weinerman, com a norte americana Soundgroove Records.

 

Ricardo trabalhou como DJ oficinal para a revista Portugalnight Mag entre 2008 e 2011, para tal foi percorrendo os melhores clubes nacionais e estrangeiros, passando pela Suíça, Espanha, Andorra e o Brasil.

 

O ano de 2009 fica marcado pela sua animação musical na prestigiada discoteca Kapital em Lisboa, e dois anos mais tarde assina como DJ residente no Guilty no espaço do Chef Olivier. Estas são duas das suas grandes presenças nos espaços de diversão noturna da capital portuguesa.

 

Em 2012 e durante três anos Ricardo Mello esteve como DJ residente na prestigiada Kadoc, uma das mais mediáticas discotecas nacionais por onde passaram muitos dos maiores nomes das diversas partes do mundo da música eletrónica para as pistas de dança.

 

O artista esteve durante vários anos como Dj Residente do conceituado espaço noturno “Lust in Rio”, e continua a atuar frequentemente em alguns conceituados clubes a nível nacional.

 

Um dos projetos mais recentes de Ricardo Mello consiste no lançamento de vários temas em parceria com o maior nome do DJ’ ing português, o Diego Miranda. Neste momento estão a desenvolver um novo tema, dando a continuidade ao projeto.

 

O tema também recente “Could This Be Love” foi feito em colaboração com artistas do Reino Unido, os m4dc4t e a Kerry Reeve, assim como a Norte Americana Marika Takeuchi. O êxito que alcançou já leva a mais de 350.000 Streams no Spotify assim como o interesse de mais de 20 rádios a nível mundial de difundir esta música.

 

A pandemia determina o fecho de muitas atividades em todo o país, sendo que os espaços de diversão noturna foi uma das áreas mais afetadas em termos de tempo de encerramento. Num ano não abriram portas para o público uma única noite.

 

Aqui proprietários, artistas, barmen’s, seguranças e todos os intervenientes no bom funcionamento destes espaços, tendo a sua atividade parada tiveram que se reinventar num mercado onde o desemprego domina. Alguns com sucesso, outros não.

 

Ricardo Mello tem a capacidade de se reinventar e dar cartas noutras atividades em que teve formação como o design, e também o colecionismo.

 

Vamos conhecer melhor este artista.

 

 

AMMA: Ricardo começa com 7 anos a perceber que é a música que vai dominar a sua profissão e o estilo de vida. Foi fácil conseguir ter aulas de piano e percussão, ou entrou muito pelo mundo autodidata?

 

Ricardo Mello: Eu logo cedo, felizmente, tive acesso a vários instrumentos lá por casa. O meu Pai tocava Saxofone na banda da Policia e dava uns toques no piano e assim desde logo cedo comecei a sentir que a música fazia parte de mim e iria fazer parte da minha vida.

 

AMMA: Que recordações tem da primeira vez que assume uma mesa de mistura para pôr uma pista a dançar?

 

RM: Tenho uma história engraçada. Retrocedendo ao ano de 2001, era eu copeiro na mítica Coconuts em Cascais, quando o DJ residente na altura faltou motivo de doença. Salvei a noite e assumi desde dia em diante a residência da discoteca.

 

AMMA: É fácil de perceber qual é o tema que o seu público quer ouvir de seguida? Isso sente-se?

 

RM: Não é fácil, senão qualquer um seria Dj. Existe por ai muito curioso que basicamente o que faz é passar as playlists da rádio da moda. O caminho não é esse. Temos que sentir o que as pessoas querem ouvir e isso ganha-se com o passar dos anos, a experiência.

 

 

AMMA: O mercado do DJ’ing e da música eletrónica, antes da pandemia, era devidamente valorizado como arte, ou ainda havia algumas arestas a limar?

 

RM: O mercado do Djing  já não é valorizado em Portugal há vários anos. Na minha opinião derivado às modas dos djs vindos dos Reality Shows e dos cursos ao empurrão que na última década explodiram no nosso país banalizando, e assumo, quase destruindo a profissão. Felizmente as atuações e o tempo encarregam-se de contar a verdade e fazer sobressair aqueles que realmente trabalham e amam a profissão.

 

AMMA: Tendo em conta que o seu estilo baseia-se no deep house, house vocalizado, eletrónica e mainstream e teve como influência os maiores DJ’s da atualidade. Tudo isto reflete-se no sucesso da sua carreira? É este o tipo de som que o público mais escolhe para as mais conceituadas pistas de dança em Portugal?

 

RM: Eu venho da escola de sonoridades mais duras, mas cedo percebi que a minha essência vinha do tribal e ritmos quentes, onde as boas batidas prevalecem. (risos) Se tiver um vocal a assentar bem, então temos malha!

 

AMMA: Reinventar-se, inovar, cunhando a sua marca pessoal no seu trabalho, foi algo que demorou a ser reconhecido ou conquistou com agilidade este mercado?

 

RM: Desde muito cedo sou também produtor de música, sendo esse um dos grandes impulsionadores do meu nome na música à parte dos longos anos de Dj Residente em grandes clubes por esse Portugal fora.

 

AMMA: Trabalhar com os nomes mais conhecidos do público internacional, para além de serem experiências únicas aprende-se muito com eles?

 

RM: É verdade, tive oportunidade de partilhar a cabine com muitos dos grandes nomes a nível mundial. Como eu costumo dizer, de cada gig, trouxe comigo um pouco deles.

 

AMMA: Tem algum episódio engraçado que queira partilhar sobre uma dessas prestações em parceria com DJ’s internacionais?

 

RM: Tenho varias, mas um dos episódios mais engraçados que vivi mesmo foi na Kadoc quando partilhei a cabine com o Bob Sinclar, uma das minhas referências e acabei a tocar umas musicas com ele no final da noite.

 

AMMA: Gravar nos EUA e Canadá passaram pela sua carreira. Esses países são mais acessíveis para a produção deste estilo de música do que Portugal?

 

RM: Foram oportunidades aproveitadas. A Readymix foi um dos meus primeiros lançamentos internacionais, seguiu-se a Soundgroove Records dos Nova Iorquinos Midnight Society e mais recentemente uma colaboração que quase que dá a volta ao mundo. 

 

 

AMMA: Com a globalização dos meios digitais, é mais fácil ou mais difícil ser-se DJ? Há mais facilidade de trabalhar em parceria com outros nomes internacionais através das plataformas de música digitais?

 

RM: Sim e vêm de encontro à  pergunta anterior a esta resposta. Hoje em dia tornou-se fácil colaborar com artistas de todo o mundo. As redes sociais vieram unir a música, as culturas, o mundo. Infelizmente nem tudo são vantagens, mas há que aproveitar e adaptarmo-nos às tendências do futuro.

 

 

AMMA: Das discotecas nacionais por onde passou a sua música, começando no mítico Coconuts em Cascais até aos mais recentes clubes de diversão nucturna, como o “Lust In Rio”, a Kadoc, Kapital, Bosq, Rádio-Hotel, entre outros, tem que adaptar o seu som a cada casa, ou o público contagia-se com o seu estilo pessoal?

 

RM: Cada uma dessas casas têm o seu estilo próprio. Na Kadoc era tudo bem mais fácil, bastava tocar algo com uma batida mais forte e uma vozinha lá no meio que a malta dançava. Em clubes de grandes dimensões, assim como em festivais é sempre tudo mais simples, sendo mais fácil de agradar às massas. Em clubes mais pequenos tudo é diferente e se não soubermos educar o nosso público, temos que nos render às tendências ou arriscamo-nos a “vazar” a pista.

 

AMMA: Um facto curioso na sua carreira foi entre 2008 e 2011 a colaboração com a revista Portugalnight Mag, o que o obrigou a deslocações e prestações musicais no estrangeiro. Como é trabalhar fora de Portugal? É muito diferente na vossa arte?

 

RM: Não foi só com a Portugalnight Mag que viajei até ao estrangeiro, mas é verdade que eles foram uns dos grandes impulsionadores  da minha carreira, levando-me em tours, até alguns países da Europa ou até às duas edições da Sensation White realizadas em Portugal.

 

AMMA: Estamos em tempo de pandemia há um ano. Os espaços de diversão noturna estão completamente fechados ao público desde essa altura. Alguns ainda passaram música exclusivamente na Internet para tentar animar os seus clientes confinados no primeiro estado de emergência do ano 2020. Alguns profissionais readaptaram-se, outros não conseguiram. Conhece muitos colegas seus que estejam em graves dificuldades? Desde DJ’s, proprietários e restante staff?

 

RM: Infelizmente tenho muitos amigos e conhecidos a passar mal. Fico triste só de pensar. Segue daqui um abraço de força para eles esperando melhores dias.

 

AMMA: Como DJ, e falando do seu caso pessoal, quais as maiores “dores” que sente pelo facto da pandemia ter surgido, parando a atividade presencial? Este sector tem tido apoio de alguém?

 

RM: No meu caso pessoal e numa altura onde rodava por algumas das casas mais badaladas da capital e do país, foi como se de um balde de gelo se tratasse. Sinto que todos aqueles anos que dediquei a esta causa, parem deitados ao lixo. Lembro-me que por vezes quando ia tocar a clubes mais pequenos e familiares, que dizia que não sentia a mesma coisa. Hoje são esses clubes que tanta falta me fazem. Fez um ano que deixei de fazer o que mais gosto.

 

AMMA: Tem esperança de um dia voltarmos a ficar com tudo bem como antes? Já sonha com o regresso?

 

RM: O meu regresso esta para breve, esperemos. Já tenho algumas coisas marcadas para este ano, entre eles um festival, mas é tudo uma incógnita ainda. Esperemos por melhores dias.

 

AMMA: Relativamente às conquistas que teve ao longo destes anos que balanço faz da sua carreira de DJ?

 

RM: Bem... Tendo em conta que fui um dos primeiros DJ/Produtores a ter o seu próprio selo editando os maiores artistas do mundo, já ter passado um pouco por todo o lado e ter muitas historias bonitas nas malas, considero-me uma pessoa de sorte. É claro que nunca estamos satisfeitos, mas tenho noção que atingi um patamar onde não é fácil chegar.

 

AMMA: Curiosamente o Ricardo não deixa a música de parte, continua a desenvolver em parceria com o grande nome da industria musical de pista Diego Miranda, mas também reinventou-se. Antes de irmos ao design, retoma o colecionismo. Como surge isso? Já era algo que queria fazer desde muito jovem e agora foi o momento certo? Qual foi o tema central do seu colecionismo?

 

RM: Sim, lancei recentemente um tema EDM com o Diego e temos outro quase pronto para sair, desta vez algo mais melódico e quente que estou ansioso que todos oiçam. Sim, desde muito novo sempre adorei Super-heróis, preferencialmente a Marvel Comics. Com o nascimento dos meus sobrinhos a paixão cresceu e há cerca de 4 anos comecei a comprar tudo o que encontrava. Dou por mim com a casa estilo museu (risos).

 

 

AMMA: Além do colecionismo o Ricardo Mello é também designer. Em paralelo com o DJ’ ing também se formou em design?

 

RM: Sim tenho vários cursos e formações de Design e Multimédia, entre outros. Como eu costumo dizer, o saber não ocupa lugar e dá jeito.


AMMA: As artes gráficas também eram uma paixão antiga?

 

RM: Sim desde sempre. Estudei artes e sempre adorei jogos, fotografia e multimédia. Sempre tentei acompanhar as tendências, o que me trouxe uma grande bagagem e me tem catapultado para alguns lugares interessantes a nível profissional.

 

AMMA: Derivado a esta situação que temo vindo a abordar, foi um mudar de agulhas no mercado de trabalho? Em que tipo de grandes projetos tem estado envolvido?

 

RM: Neste momento colaboro com a Estoril Praia Sad como designer e integro também as mesmas funções no Grupo Global Context. A par de tudo isto sou também Label Manager da Less is More Records, uma das mais conceituadas editoras de música de dança portuguesas.

 

 

AMMA: De regresso ao tema da música, mantém ativo o seu perfil no Spotify com o seu nome “Ricardo Mello” (os nossos leitores poderão desfrutar do seu som neste espaço), com milhares de audições mensais, acha que pode ser um motor para partilhar momentos musicais em pandemia? Os temas que tem disponíveis estão todos de livre acesso, ou tem alguns pagos? Qual a sua perceção das plataformas de som digitais para os artistas transversalmente à área musical que tenham?

 

RM: Sim cada vez mais as plataformas da música de dança e ainda por mais numa altura como esta,  são a catapulta para os artistas e neste caso o Spotify e o Beatport têm sido dois grandes aliados. Neste momento tenho o meu mais recente tema a “Could This Be Love” que leva já mais de 350.000 Streams e que roda em mais de 20 rádios por todo o mundo. Esta a correr bem.

 

AMMA: Tem alguma palavra que queira deixar aos seus colegas do mercado da diversão noturna que estão neste momento parados?

 

RM: O que desejo a todos é que tenham força, fé e coragem... Não sei se alguma vez mais voltaremos a ter o que tínhamos. Sei que não estamos perto, mas já tivemos mais longe de voltar a estar juntos. Não desmotivem, reinventem-se... Numa altura como esta o pior que podemos fazer é desmotivar. Há tantas outras coisas que podemos fazer sem deixar de parte este nosso mundo. Força!!!

 

AMMA: Uma palavra aos nossos leitores, principalmente aos mais novos, sobre a atividade de DJ, o que podem fazer para seguir em frente com os seus projetos no pós-pandemia, e como lidar com as dificuldades que o mercado possa ter sem nunca desistirem?

 

RM: Em primeiro lugar quero agradecer à AMMA Magazine esta oportunidade. A todos os leitores o que desejo é que nunca desistam dos vossos sonhos. A vida passa depressa, acreditem e lutem por aquilo que mais desejam. Sejam felizes, acreditem em vocês. Todo o novo dia é uma nova oportunidade. Obrigado!

 

Texto: Pedro MF Mestre

Fotos: Rui Loureiro e Arquivo de Ricardo Mello

 

 

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