
Portugal teve um dia entre o céu e o inferno, no Mundial de surf da ISA (International Surfing Association), que termina sábado em Huntington Beach, Califórnia.
A Seleção Nacional começou o sexto dia da competição da melhor maneira, com Guilherme Fonseca a passar às meias-finais do “main event” ou percurso de qualificação.
O surfista português foi segundo classificado na sua bateria, sendo superado apenas pelo japonês Kanoa Igarashi, um dos nomes grandes do circuito mundial. Igarashi somou 13.87 enquanto Guilherme totalizou 12.07 com as suas duas melhores ondas. Arredados para as repescagens ficaram o argentino Santiago Muniz (6.43) e outro ex-CT, o brasileiro Jadson André (2.83).
Na meia-final, Fonseca terá pela frente o peruano Lucca Mesinas e o norte-americano Kolohe Andino, mais um nome grande do surf mundial.

Mas se a jornada começou com celebrações para as cores nacionais, os heats seguintes foram mais amargos, com Guilherme Ribeiro e Frederico Morais eliminados em condições de mar muito difíceis, com poucas ondas e alguma falta de sorte na escolha das mesmas.
Guilherme Ribeiro foi batido pelo costa-riquenho Malakai Martinez e pelo indonésio I Ketut Agus, enquanto Frederico Morais foi ultrapassado por Joshua Burke, dos Barbados, e por Mihimana Braye, de França.
Depois disto, foi a vez da competição feminina entrar na água, com Teresa Bonvalot a protagonizar um dos heats mais impróprios para cardíacos até ali, e a passar em segundo lugar (6.67), disputando até à última onda a qualificação e sendo batida apenas pela francesa Pauline Ado (8.17).
Dois heats depois, em condições de mar mais favoráveis, Yolanda Hopkins também garantiu a presença nas meias-finais de qualificação, assinando excelente exibição (13.47) mas batida pela inspirada norte-americana Kirra Pinkerton (14.67).
Agora, nas meias, Teresa e Yolanda alinham na mesma bateria, enfrentando a australiana Sally Fitzgibbons, antiga vice-campeã mundial profissional, e a peruana Daniella Rosas.
Finalmente, Francisca “Kika” Veselko, protagonizou uma das baterias mais ingratas do Mundial. A portuguesa até tinha começado bem o dia, passando em segundo à ronda 6 das repescagens, mas aí, na última onda do seu heat, viu-se ultrapassada pela espanhola Nadia Erostarbe e pela francesa Vahine Fierro, acabando afastada da prova num golpe de teatro que encerrou um dia cheio de emoções para a comitiva nacional.
“Foi um dia misto de emoções”, resumiu João Aranha, presidente da Federação Portuguesa de Surf e líder da comitiva nacional, acrescentando: “Numa primeira fase da competição, fomos prejudicados pelo julgamento, que arredou o Frederico Morais para as repescagens demasiado cedo, e a partir daí andámos a correr atrás desse prejuízo. Hoje, tivemos alguns excelentes resultados, com a Teresa, a Yolanda e o Guilherme Fonseca a darem passos importantes, mas, por outro lado, as eliminações do Kikas e do Guilherme Ribeiro foram pesadas. Contudo, nada muda no nosso foco e nos nossos objetivos e agora estamos na reta final da competição e não podemos deixar que nada nos afete.”
A Seleção Nacional
Frederico Morais (CRC Quinta dos Lombos )
Guilherme Ribeiro (ASCC)
Guilherme Fonseca (Ass. Sealand)
Teresa Bonvalot (Sporting)
Yolanda Hopkins (CN Portimão)
Francisca Veselko (CRC Quinta dos Lombos)