Nuno Borges cumpre sonho de criança e vence o Maia Open

 
- Maiato conquistou o “título mais especial” no palco que o viu crescer e tornar-se tenista profissional
 
O sonho comanda a vida e comandou a semana de Nuno Borges, o maiato de 26 anos que este domingo realizou um objetivo de criança ao vencer o Maia Open — torneio do ATP Challenger Tour que a Federação Portuguesa de Ténis e a Câmara Municipal da Maia organizaram no Complexo Municipal de Ténis da Maia onde cresceu até se tornar jogador.
 
O feito foi assinado perante milhares de espetadores que preencheram por completo as bancadas e contra uma das estrelas do elenco de luxo da sexta e mais importante edição da prova: o francês Benoit Paire (130.º e ex-18.º com três títulos ATP no currículo), que nada pôde fazer para travar uma exibição que roçou a perfeição selada com os parciais de 6-1 e 6-4 em 1h02.
 
Num dos melhores elencos de sempre de finais portuguesas na categoria, Nuno Borges foi o melhor do início até à conclusão do duelo. O excelente controlo de emoções do número um nacional, aliado ao dia errático do carismático jogador francês (e algo desinteressado a partir do momento em que o resultado começou a fugir) foi um cocktail explosivo a favor da estrela da casa.
E o triunfo ainda podia ter sido mais esclarecedor, já que o maiato liderou por 6-1 e 5-1 antes de ceder o serviço no jogo seguinte quando nem sequer tinha enfrentado um break point até então.
 
O português ainda viu Benoit Paire salvar um championship point no oitavo jogo, mas na segunda vez que dispôs de oportunidade de sentenciar o último embate do torneio encontrou a 30-30 um dos pontos mais importantes e bem jogados e pouco depois pôde celebrar efusivamente e deitado no court, perante um Complexo Municipal de Ténis da Maia a sorrir e a aplaudir em uníssono.
“É sem dúvida um sonho tornado realidade”, reconheceu em conferência de imprensa, fazendo eco às palavras que tinha dito ao público antes e depois de erguer o troféu.
 
“Quando ganhei o match point comecei a reviver os momentos que tive aqui no passado. Onde agora temos a tenda dos jogadores é o Court 1, aquele em que provavelmente passei mais horas entre os meus 12 e 14 anos. Podia estar aqui durante meia-hora a contar histórias. O Central claro que é o pico da Maia, um estádio que me diz muito e a vários portugueses também. Tivemos cá eliminatórias da Taça Davis, eu fui apanha-bolas na Taça Davis... chegou a haver aqui um torneio ATP do qual eu não me lembro, mas que teve jogadores como o Juan Carlos Ferrero e agora fazer parte desse grupo de campeões deste campo, com um estádio cheio como nunca me lembro de ver e com família, amigos e aqueles que treinaram comigo é algo que me diz muito.”
2023 foi o melhor ano da carreira de Nuno Borges e por isso o Maia Open não é o título mais importante em termos de pontos (esta época venceu o Challenger 175 de Phoenix e o Challenger 125 de Monterrey), mas “emocionalmente foi, sem dúvida, um highlight na minha carreira e algo muito especial para mim.”
 
Com o triunfo caseiro, que corresponde ao quinto troféu da carreira no ATP Challenger Tour, o melhor tenista português da atualidade subirá 12 lugares na atualização do ranking de segunda-feira, até ao 66.º posto — a três da melhor classificação, alcançada em abril.
A cereja no topo do bolo para a época de afirmação ao mais alto nível e a rampa de lançamento perfeita para um 2024 que espera ser de novos voos, um deles até Paris para cumprir outro sonho, o de representar Portugal nos Jogos Olímpicos.
Declarações de Vasco Costa, presidente da Federação Portuguesa de Ténis: “O que se passou durante a semana foi bastante positivo. Hoje o público esgotou por completo o pavilhão, mas nos dias anteriores também tivemos muitos espetadores e isso é importante e um sinal de que o ténis está a viver momentos de grande entusiasmo. Obviamente que para o Nuno Borges esta vitória é muito importante. Defende muitos pontos já no início de um ano, que é um ano em que pode apurar-se para os Jogos Olímpicos, e fico muito contente por ele ter conseguido ganhar, assim como por todos os jogadores portugueses. Tivemos cinco a jogar a segunda ronda, outros que passaram o qualifying e esta é a função da Federação Portuguesa de Ténis: pôr jogadores portugueses a competir em boas condições e em casa.” Em relação ao Maia Open, depois de conversas com o presidente da Câmara Municipal da Maia posso dizer que é nossa intenção elevarmos o torneio à categoria Challenger 125. Isto depende de conversas com a ATP, mas penso que será possível uma vez que se trata da última semana do calendário e que na Europa não há muitos torneios."
 
Declarações de João Maio, diretor do Maia Open: “É um sonho de longa data do Nuno, meu e da cidade. Temos vindo a evoluir há muitos anos e o nosso sonho era ter aqui um torneio grande. Este teve jogadores do top 100 e nomes consideráveis como os do Fabio Fognini e do Benoit Paire, que esteve na final. E ter um torneio destes e o Nuno, que o persegue desde que o joga, a ganhar, faz com que seja um dia feliz para a Maia.”
 
Fotografias: Sebastião Guimarães/FPT
 

Atenção! Este portal usa cookies. Ao continuar a utilizar o portal concorda com o uso de cookies. Saber mais...