- Henrique Rocha estava em ação quando a chuva se intensificou
- Francisca Laúndes e Matilde Parreira eliminadas na primeira ronda

Frederico Silva e Sara Lança resolveram os respetivos encontros da primeira ronda do Del Monte Lisboa Belém Open antes da chuva interromper de forma definitiva a jornada desta terça-feira no torneio combinado (ATP Challenger 100 e ITF W75) que a Federação Portuguesa de Ténis e a MP Ténis organizam, entre 22 e 29 de setembro, no Club Internacional de Foot-Ball com os apoios da Câmara Municipal de Lisboa e da Junta de Freguesia de Belém.
Vice-campeão de um ITF M25 em Satu Mare no domingo, Frederico Silva (487.º classificado no ranking ATP) viveu uma autêntica odisseia para regressar a casa a tempo de competir e viu o esforço recompensado com a primeira vitória de um português naquela que é a oitava e mais importante edição do torneio masculino.
4-6, 6-2 e 6-2 foram os parciais da reviravolta sobre Timofey Skatov (195.º), vingando a derrota de há cerca de dois meses no Porto Open para celebrar a primeira vitória desde setembro de 2021 — neste mesmo Del Monte Lisboa Belém Open — em quadros principais de torneios Challenger de terra batida no nosso país.
O caldense de 29 anos demorou mais de 24 horas para regressar a Portugal e não entrou bem no encontro desta terça-feira. Mas a réplica dada na fase final da primeira partida deu-lhe o ânimo de que precisava para encarar a recuperação. À procura de sensações que o ajudassem a ficar confortável no Estádio CIF, melhorou a qualidade do serviço, aumentou a profundidade de bola e passou a ditar o ritmo até celebrar quando estavam decorridas 2h37.
“Estava numa cidade muito pequena e o aeroporto mais perto ficava a três horas de carro. Nessa noite ainda conseguimos fazer uma viagem de três horas até ao aeroporto de Cluj-Napoca, vimos que havia um voo até Milão e achámos que de lá seria mais fácil chegar a Portugal, mas foi um erro crasso porque não havia voos nem para Lisboa, nem para o Porto, nem para Faro. Ainda dormimos em Milão e depois de não sei quanto tempo à procura de ligações acabámos por conseguir um voo de Veneza para Lisboa, mas só às 20h. Fomos até lá de comboio, o voo atrasou uma hora e meia e quando abri a porta de casa faltavam 10 minutos para a meia-noite [desta terça-feira]”, contou, já entre alguns sorrisos e muito cansaço.
A boa notícia acabou por chegar com a chuva, azar para outros, mas que no caso de Frederico Silva significou a interrupção do encontro entre o argentino Thiago Agustin Tirante (97.º) e o italiano Enrico Dalla Valle (266.º), os possíveis adversários na segunda ronda, que só acontecerá na quinta-feira.
Logo a seguir, Henrique Rocha (168.º) ainda entrou em ação, mas a chuva interrompeu o encontro quando servia a 5-6 (40-30) do primeiro set frente ao brasileiro Thiago Seyboth Wild (87.º), terceiro cabeça de série do torneio e vice-campeão de um Challenger em Bad Waltersdorf, na Áustria, este fim de semana.
Por estrear-se estava ainda Jaime Faria (163.º), que só na quarta-feira conseguirá ir a jogo pela primeira vez na terra batida do CIF.

Mais sorte teve Sara Lança, autora da primeira vitória de uma tenista portuguesa no quadro principal feminino. O encontro de parceiras de treino e amigas frente a Teresa Franco Dias aconteceu logo pela manhã e sorriu à mais experiente e mais cotada ao cabo de duas partidas, com os parciais de 6-2 e 6-4 consumados em 95 minutos a significarem um ganho de 9 pontos que lhe permitirão regressar ao top 1000 WTA.
“O timing é perfeito porque perdi uma data de pontos relativos às meias-finais que fiz há pouco mais de um ano em Monastir. Vou voltar a entrar no top 1000 e esse era o meu primeiro objetivo para o ano. Agora que está praticamente conseguido é continuar, apontar ao top 900 e por aí fora”, reconheceu a tenista do Barreiro (top 800 em dezembro de 2018) na conferência de imprensa.
Franco Dias chegou a liderar ambos os parciais com break de avanço (1-0 no primeiro set, 4-3 no segundo), mas foi das duas a que mais cometeu erros diretos e a consistência da mais velha (27 contra 24) prevaleceu para se impor num duelo que mais tarde admitiu ter sido “muito difícil porque mais do que parceiras de treino somos amigas.”
Sara Lança só voltará a atuar na quinta-feira, contra a espanhola Guiomar Maristany (204.ª), mas já na quarta-feira a número um nacional, Francisca Jorge (183.ª), poderá juntar-se a ela no elenco da segunda ronda caso supere a andorrenha Victoria Jimenez Kasintseva (175.ª), de 19 anos e ex-líder do ranking mundial de juniores (quando tinha apenas 15). O encontro será o segundo das 10h no Court 5.
Fotografias: Beatriz Ruivo/FPT e Sara Falcão/FPT