- Jaime Faria afastado na primeira ronda
- Francisca Jorge travada por ex-número um mundial de juniores
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Henrique Rocha assinou a terceira vitória da carreira contra um top 100 mundial e apurou-se para a segunda ronda do quadro principal de singulares do Del Monte Lisboa Belém Open, igualando as prestações de Frederico Silva e Sara Lança. Em sentido contrário, Jaime Faria e Francisca Jorge não foram além da eliminatória inaugural no torneio combinado (ATP Challenger 100 e ITF W75) que a Federação Portuguesa de Ténis e a MP Ténis organizam, entre 22 e 29 de setembro, no Club Internacional de Foot-Ball com os apoios da Câmara Municipal de Lisboa e da Junta de Freguesia de Belém.
Cerca de 48 horas depois do início, Henrique Rocha (168.º ATP) terminou o que ficou pendente e superou o brasileiro Thiago Seyboth Wild (87.º, terceiro cabeça de série e finalista de um Challenger no passado domingo) por 7-6(4) e 6-3 num encontro retomado e concluído nos campos cobertos.
O número três nacional reentrou num embate suspenso a 5-6, 40-30 ainda na terça-feira com quatro pontos consecutivos, essenciais para agarrar o ascendente do compromisso e nunca mais o largar.
O segundo dos quatro, o único mini-break do desempate do primeiro parcial, selado com um passing shot em toque, foi porventura o ponto mais importante do embate e encaminhou o português de 20 anos para o terceiro sucesso frente a um adversário do top 100, terceiro nos derradeiros quatro duelos (saldo, agora, de três triunfos para quatro dissabores) e apenas 13 dias após ter feito história ao vencer Casper Ruud para assinar a primeira vitória de um português contra um top 10 na Taça Davis.
Rocha foi capaz de colocar profundidade de bola nas respostas ao serviço e concretizou o único break do embate com mais um dos muitos winners de direita, pancada em especial destaque como é apanágio no jovem luso, para marcar encontro na segunda ronda com Federico Arnaboldi. O italiano (229.º) foi responsável pela eliminação de Duarte Vale na primeira ronda.
“Foi um encontro complicado porque dormi duas noites depois do início e ainda joguei pares pelo menos. Comecei bem, há dois dias, estava a jogar bem e a sentir-me bem ali fora. Infelizmente, ou felizmente, a chuva parou o encontro, não sei qual seria o desfecho na terça-feira. Hoje entrei bem, fiz o que tinha planeado e fiz bem”, disse o portuense em conferência de imprensa.
“Foram dois encontros diferente dentro de um. As condições fora são bastante mais lentas, lá dentro a bola estava mais rápida. E consegui servir bem nos momentos mais importantes”, acrescentou. “As condições indoor favorecem-me. Cá fora não sou um grande servidor, mas lá dentro é diferente. Não é o serviço em sim, mas as consequências do mesmo. A bola desliza mais, é mais rápida e quem responde fica mais inseguro. Estava a esconder bem o serviço e ia variando, isso fez a diferença. E quando consigo equilibrar o serviço com o meu adversário tenho de certa forma um ascendente, porque a jogar de fundo sinto-me melhor.”

Bem menos feliz foi Jaime Faria. Tal como o amigo de volta ao circuito mundial depois de representar Portugal na competição por equipas (no caso do lisboeta foi a estreia com as cores do país e logo com três encontros nas pernas, dois de singulares e um de pares), o lisboeta de 21 anos ficou muito aquém do necessário e perdeu por 7-5 e 6-2 com Oriol Roca Batalla, que já o tinha derrotado há exatamente um ano, então em Braga, nos primeiros quartos de final Challenger da carreira (em 2024 os dois torneios trocaram de posição no calendário).
Faria (163.º) apoiou-se no serviço para ditar o ritmo nos primeiros minutos frente a um Roca Batalla (160.º) pressionado pelos 75 pontos que defende esta semana, mas perdeu a concentração, cometeu erros em demasia (sobretudo de direita) e nem o golpe de saída o ajudou a travar o espanhol, que fechou o encontro com 12 dos últimos 14 jogos.
"A partir do momento em que levo o break no primeiro set, a 4-2, já com a bola mais desgastada, fiquei um bocado irritado e não lidei bem com as ideias pré-concebidas que tinha antes do encontro. Fiquei frustrado e ele foi mais competente. Não foi o melhor desfecho e fiz um segundo set péssimo”, admitiu numa conferência de imprensa em que não fugiu à autocrítica: "A minha disponibilidade mental não foi a melhor hoje, não lutei para resolver os meus problemas. Estava mais a fugir aos problemas do que a enfrentá-los e para ser um bom jogador tenho de começar a lidar melhor com estas situações, senão os outros passam-me à frente e o comboio passa rápido."
A jornada de sexta-feira começará com o encontro de Frederico Silva (487.º) frente ao argentino Thiago Agustin Tirante (97.º), o único resistente entre os quatro top 100 que compuseram a primeira versão do quadro, e logo a seguir continuará com o frente a frente de Rocha com Arnaboldi. Se vencerem, os dois portugueses terão de regressar ao Estádio CIF na parte da tarde (após descanso e nunca antes das 15h) para disputarem os respetivos embates dos quartos de final.
A jornada também poderá ser dupla para Sara Lança, caso a tenista do Barreiro consiga dar seguimento à vitória de terça-feira contra a compatriota Teresa Franco Dias, um resultado que já lhe assegurou o regresso ao top 1000 WTA, e surpreenda a espanhola Guiomar Maristany Zuleta de Reales (204.ª) para marcar presença nos quartos de final frente à vencedora do embate entre Arantxa Rus (82.ª e ex-41.ª), primeira cabeça de série, e Amandine Hesse (259.ª e ex-154.ª).
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Desta vez, o Del Monte Lisboa Belém Open não sorriu a Francisca Jorge no capítulo individual. Semifinalista há um ano, a melhor tenista portuguesa da atualidade (está na 183.ª posição do ranking WTA) não resistiu a Victoria Jimenez Kasintseva (175.ª) e perdeu por 6-2 e 6-4 com a jovem de 19 anos, número um mundial de juniores quando tinha apenas 15 anos.
A tenista andorrense imprimiu mais intensidade e tirou proveito das condições rápidas para comandar desde o primeiro jogo um encontro que concluiu em 84 minutos, virando a atenção da vimaranense de 24 anos para os pares.
"Ela jogou bastante bem e foi muito agressiva desde o início, enquanto eu não tanto. O campo é rápido, desliza um bocadinho e eu não consegui ajustar-me da melhor forma, por isso ela tirou bastante vantagem. Isso retirou-me confiança e demorei a entrar no encontro, mas não deixei de tentar e fui atrás do resultado para tentar dar a volta", reconheceu Francisca Jorge na análise a um dia que disse ter sentido “passar-me um pouco ao lado.”
Nessa variante, o dia foi bem mais risonho para a portuguesa, que ao lado da irmã mais nova, Matilde Jorge, não sentiu dificuldades (6-1 e 6-4) em passar pela lituana Iveta Dapkute e pela georgiana Sofia Shapatava rumo às meias-finais.
Campeãs do torneio em 2022, Francisca Jorge e Matilde Jorge perseguem a 34.ª final lado a lado e o 17.º título.
Fotos: Beatriz Ruivo/FPT e Sara Falcão/FPT