A Selecção Nacional de Seniores Masculinos ficou ontem afastada da participação na Liga Mundial 2013 ao perder, novamente pela margem mínima (
2-3: 25/20, 23/25, 25/17, 21/25 e 13/15), com a Holanda.
Nos dois jogos da eliminatória, ficou bem vincada a ideia de que a Holanda é forte, mas ao alcance de Portugal. O que terá faltado, então? João José foi o porta-voz do sentimento de frustração que grassou no seio da equipa das quinas: "Não faltou nada... Apenas vencer. Os nossos adversários nunca foram os melhores em campo."
Os jogos do 3.º Play-off de qualificação para a Liga Mundial 2013 foram disputados no Tosport Centrum, em Roterdão, um palco onde Portugal festejou a qualificação para o Europeu de 2010/2011, mas do qual nunca conseguiu sair vitorioso dos jogos com a Holanda que aí realizou em 2009, 2010 e 2012.
Portugal entrou muito bem no jogo e em pouco tempo construiu uma vantagem de cinco pontos (6-1), com três pontos de Alexandre Ferreira (dois ataques e um serviço) e outros dois de Rui Santos (bloco e ataque). Edwin Bene viu-se obrigado a reunir com os seus jogadores e a Holanda recuperou algum terreno (3-6 e 4-7), mas a Selecção Nacional conseguiu atingir o primeiro tempo técnico com uma vantagem representativa do seu domínio no jogo (8-4).
Um bloco de Wytze Kooistra aproximou novamente os holandeses (7-9) e foi o mesmo jogador a manter a diferença, com um ataque desferido desde a zona central da rede (9-11).
Novo serviço directo de Alex Ferreira (13-10) voltou a impulsionar Portugal (14-10) e a obrigar o técnico holandês a rectificar a sua estratégia juntamente com os seus pupilos.
Debalde, já que Alex voltou a servir um «ás» (15-10). A segunda paragem obrigatória chegou com Portugal a vencer por 16-11.
Uma «curta» de João José - é cada vez mais nítida a cumplicidade com o distribuidor Tiago Violas - cavou um fosso pontual de seis pontos (18-12), que Valdir tratou de aumentar logo de seguida.
O capitão luso fez o 20-13, Valdir o 21-15 e Alex o 23-16, desbravando ainda mais o caminho para o triunfo por 25-20, selado com um ataque de André Lopes.
O segundo set começou sob o signo do equilíbrio (1-1, 3-3, 5-5), tendo a Holanda passado a liderar o marcador após Humphrey «Tony» Krolis ter concretizado dois serviços directos consecutivos e Jeroen Rauwerdink um ataque que selou o resultado à chegada ao primeiro tempo técnico (8-5).
André Lopes aproximou (7-8) Portugal após duas boas defesas de Ivo Casas. Os holandeses voltaram a distanciar-se (11-8), mas os portugueses reagiram com prontidão (11-11).
Um bloco individual de Ruca a Bas van Bemmelen deu, finalmente, a liderança a Portugal (13-12), mas Kooistra e Krolis (10.º ponto) recuperaram-na pouco depois (16-14).
Aliás, seria Krolis a somar os pontos no ataque e no serviço que dariam uma vantagem confortável à Holanda (19-16).
Portugal recompôs-se (20-21); Krolis voltou a facturar (22-20) e Ruca respondeu à letra (21-22), mas seria o jovem e excelente distribuidor holandês, Nimir Abdleaziz, a fechar o set com ataque ao segundo toque: 25-23.
A Holanda entrou de rompante no terceiro parcial (5-1).
Alex e Valdir aproximaram Portugal (5-6), mas a equipa de Edwin Bene logrou chegar com uma vantagem de dois pontos (8-6) ao primeiro tempo técnico.
Portugal chegou à igualdade (9-9) através de um bloco de André Lopes/João José e passou para a frente pela primeira vez com um serviço directo de Valdir Sequeira (11-10).
Bene foi obrigado a pedir tempo quando Portugal fez o 13-10, mas Valdir manteve a distância pontual (14-11) e a equipa de Flavio Gulinelli atingou o segundo tempo técnico a vencer por 16-13.
Dois pontos de Valdir no ataque aumentaram a diferença (19-15). Novos dois pontos do oposto luso, desta vez um de serviço directo e outro no ataque, robusteceram o avanço pontual (22-16).
João José, no ataque, e André Lopes, no serviço, fizeram o 24-17 e coube a Jelte Maan, com um ataque para fora, fechar o parcial com a vitória portuguesa por 25-17.
Uma boa exibição do potencial da equipa das quinas, na recuperação e rectificação de um começo adverso.
No quarto set, a Holanda voltou a pressionar (2-0, 3-1), mas Portugal igualou (4-4) e o jogo entrou numa toada de equilíbrio (6-6), pese embora o facto de os representantes do país das tulipas terem atingido em vantagem (8-7) o primeiro tempo técnico, mercê de um ataque de Maan.
Portugal igualou aos 9 pontos, após uma jogada em que salvou bolas impossíveis...
A Holanda chegou aos 13-11 por intermédio de Rauwerdink e Gulinelli reuniu com os seus jogadores. Valdir ainda fez o 12-13 no ataque, mas os holandeses distanciaram-se e fizeram o 16-12 por intermédio de Maan, num serviço em que a bola bateu na tela e caiu junto à rede no campo dos lusitanos.
Um bloco de João José aproximou os portugueses (14-16), mas Kooistra assinou, no ataque, os 18.º e 20.º pontos (20-15) e tudo se complicou ainda mais...
A reacção portuguesa surpreendeu tudo e todos: um bloco de João José/Marco Ferreira/Alex Ferreira fez o 18-20 e um serviço directo de André Lopes (19-20) pressionou ainda mais a Holanda, que pediu desconto de tempo.
Tudo parecia fadado para acontecer o volte-face, mas Kooistra, com um serviço directo, colocou a sua equipa a vencer por 23-20 e um bloco de Krolis fez o 24-20. Um ataque de Valdir ainda reduziu a diferença, mas era demasiado tarde e Rob Bontje selou o set cpm o resultado de 25-21-
No quinto e último set, o equilíbrio (3-3, 6-6) manteve-se até ao primeiro tempo técnico: 8-6, com um ponto de João José, no ataque. O capitão voltaria a facturar (9-7), mas os holandeses chagariam à igualdade (9-9) com um serviço directo de Krolis. Um bloco de Abdleaziz deu ainda mais vantagem à equipa da casa (11-9), mas Rui Santos, com um bloco, fez renascer a esperança na equipa lusa (10-11). Kooistra fez o 12-10, no ataque, mas Alex respondeu à altura, com um ataque e um serviço directo (12-12).
Ruca finalizou uma jogada de nervos com um ataque eficaz (13-13), mas foi com um ataque para fora que Portugal perdeu o set e a hipótese de disputar a Liga Mundial em 2013.
Valdir Sequeira, com 23 pontos, Alexandre Fereira (19) e João José (16) foram os portugueses que mais pontuaram, enquanto na Holanda Tony Krolis foi o mais concretizar, com 18 pontos.
Flavio Gulinelli: "Primeiro, devo dar os parabéns aos nossos jogadores, Nunca é fácil jogar fora de casa, num ambiente destes e frente a uma equipa como a Holanda. Mas nós jogámos de peito aberto e acho que merecíamos mais, pois o jogo foi muito equilibrado mas nós acabámos por concretizar mais pontos do que os nossos adversários.
Contudo, para a história o vencedor é aquele que corta a meta em primeiro lugar e quem venceu hoje foram os holandeses. Parabéns pela forma como se bateram.
Apesar de tudo, estes resultados deram-nos boas indicações e confiança para os jogos da fase de qualificação para o Campeonato da Europa 2012, que vamos disputar, na próxima semana, em Vila do Conde".
João José, capitão de Portugal: "Estamos frustrados e isso é natural, depois do que se passou hoje. Sem menosprezar o valor da Holanda, pela primeira vez desde que represento a Selecção Nacional senti que, apesar da derrota, fomos a melhor equipa em campo nos dois jogos. O que faltou? Não faltou nada, apenas vencer".
Rob Bontje, capitão da Holanda: "Pegando nas palavras de João José, diria que as duas equipas mereciam ambas estar na Liga Mundial em 2013.
Estes jogos foram muito difíceis e muito bons para a nossa equipa, pois aprendemos muito sobre nós próprios".