Duplas brasileiras de ouro no Mundial Sub-19

As duplas brasileiras Eduarda Lisboa / Andressa Ramalho e George Wanderley / Arthur sagraram-se hoje campeãs mundiais de Voleibol de Praia, na categoria de Sub-19, ao vencerem, respectivamente, as finais de femininos e de masculinos disputadas nas praias do Edifício Transparente.

Em femininos, nada fazia prever uma final tão equilibrada, tal o domínio exercido pelas brasileiras durante a prova.
O certo é que Duda Lisboa cumpriu o seu objectivo inicial e venceu, pelo segundo ano consecutivo, o Mundial de Sub-19, mas só depois de, juntamente com Andressa Ramalho, vencer uma batalha competitiva e emocionante, frente às alemãs Lisa Arnholdt e Sarah Schneider: 2-0 (21-14, 13-21 e 19-17), num jogo em que as germânicas estiveram a vencer na negra por 11-7...
"Dedico esta vitória à Andressa. Eu fiz uma promessa e consegui cumpri-la: tornei-me bicampeã de Sub-19, com a ajuda da minha parceira, do treinador e de todos os elementos da comitiva brasileira, que sempre nos apoiaram, e de Deus. Estou muito feliz com isso, porque eu gosto muito do Porto.
No segundo set, não havia maneira de recuperarmos, pois a diferença era enorme, mas tivemos muita força de vontade e assim que começámos a disputar o terceiro nunca mais pensei que a vitória nos poderia fugir. Eu disse: «Nem pensar que vou perder esse título».
E o apoio do público e dos outros jogadores foi incrível. É inexplicável o que senti. Fiquei tão contente"...

No terceiro lugar ficou a equipa-sensação desta edição do Mundial Sub-19, formada pelas gémeas Megan e Nicole McNamara, que derrotou (2-0: 21-16 e 21-12) a dupla checa Adamcikova / Valkova.

A dupla McNamara é treinada por uma ex-jogadora brasileira que se celebrizou no Voleibol de Praia e que agora é a treinadora da Selecção Nacional do Canadá há já quatro anos.
Adriana Bento explicou as duas medalhas conquistadas no espaço de 15 dias por atletas canadianos:
"São fruto do trabalho que está a ser desenvolvido em diversos locais do Canadá. a medalha de ouro [Bukovec-Miric no Mundial de Sub-21] foi obtida por atletas que treinam em Ontário e as gémeas são provenientes de um outro grupo que treina em British Columbia, porque o país é gigantesco e temos atletas de várias localidades. É uma medalha muito esperada porque os resultados vão mudar muito a vida dos atletas canadianos. Resulta de um trabalho desenvolvido por muitos atletas e também por muitos treinadores e em diversos lugares do país".

Como é que a experiente Adriana vê a jovem dupla McNamara?
"É uma dupla com enorme qualidade. Tecnicamente, são perfeitas e, por isso, quando definimos a táctica para o jogo elas aplicam-na na perfeição. Elas treinam há já quatro anos com um treinador [Micha], ou seja, desde os seus 13 anos.
Estou no Canadá há quatro anos, como Seleccionadora, mas esta é a primeira vez que viajo com elas.
Joguei pelo Brasil durante sete anos e disputei muitos campeonatos mundiais e trabalhar no Canadá é muito diferente, mas a ideia é mesmo essa, é mostrar as diferenças entre o trabalho desenvolvido nos dois países e aproveitar os pontos fortes desses dois trabalhos.
A qualidade técnica das duplas que aqui estão, em representação dos vários países, é muito boa".

George e Arthur: "Os nossos êxitos são
partilhados por todos"

Em masculinos, os brasileiros confirmaram o seu favoritismo... e a sua invencibilidade. Venceram (2-1: 21-18, 21-23 e 15-11) os ucranianos  Kovalov e Plotnytskiy, que tinham passado in extremis à fase eliminatória (4.ºs classificados na Poule E).

Wallace Ramos, treinador de George e Arthur justificou o duplo êxito:
"Este é mais um dos resultados do trabalho que temos vindo a realizar há três anos,  trabalhando duro em Saquarema, dentro de um projecto comandado por Jorge Barros. Temos alguns valores individuais, mas estas medalhas são o resultado desse trabalho.
Todos estes jogadores têm muito valor e são capazes de atingir as medalhas, mas nestas finais foram obrigados a superar o dom com que nasceram, pois foram postos à prova durante a competição e mostraram-se muito fortes psicologicamente.
Como é que um treinador se sente ao ver as suas duplas ganharem a medalha de ouro? Eu sinto-me um pouco bobão, pois senti uma enorme alegria. O nosso relacionamento foi crescendo ao longo do tempo e a amizade vai para além da relação treinador/atleta".

Arthur Mariano salientou: 
"Este Mundial de Sub-19 era muito importante para nós. Foi a primeira vez que disputei esta competição.
A força que nos fez superar alguns momentos mais complicados nesta competição é algo que vem de dentro de nós, mas foi muito importante ter o público a apoiar-nos.
Nós treinamos e disputamos os campeonatos para sermos cada vez melhores e, assim, podermos assegurar o futuro do Voleibol de Praia brasileiro.
Agora, nos Jogos Olímpicos da Juventude, tudo vai começar do zero, mas vamos lutar pela medalha de ouro".

George Wanderley destacou:
"A vitória da Duda e da Andressa foi um incentivo para nós. Elas são nossas amigas, treinam ao nosso lado. Os seus e os nossos êxitos são partilhados por todos. O triunfo delas na final, sobretudo da forma como foi concretizado, foi muito motivador para nós.
Quando conseguimos o último ponto no jogo com a Ucrânia... fiquei paralisado. Não tenho palavras para definir o que senti. Somos a melhor dupla do mundo".

A medalha de bronze de Tigrito e Peter foi muito festejada pelo público.
Jose Gomez (Tigrito) e Rolando Hernandez (Peter) acabaram por vencer, por 2-0 (21-18 e 21-19), a dupla holandesa Bouter / Van Steenis.
"Esta medalha de bronze é como a medalha de ouro para nós. Recompensa o trabalho que nós, atletas, os treinadores e o nosso país tem desenvolvido. 
Estamos muito contentes, muito orgulhosos desta medalha que conseguimos para a Venezuela e queremos agradecer a este público, que foi fantástico e nos apoiou do princípio ao fim.
Este resultado significa que o trabalho que estamos a realizar dá os seus frutos e representa algo que poderemos apresentar para o Ministério dos Desportos continuar a apoiar o Voleibol de Praia".

As medalhas e os troféus foram entregues por Luís Alves (Câmara Municipal do Porto), Ivo Santos (CM Matosinhos), Dirk Decher, Supervisor Técnico da FIVB, Vicente Araújo, Presidente da FPV e Vice-Presidente da FIVB, Henrique Gomes (Director do Torneio e Director da FPV) e Álvaro Lopes (Director, em representação da FPV).

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