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“Póquer” de portugueses na segunda ronda do Indoor Oeiras Open

 
- João Sousa, Gastão Elias, Jaime Faria e João Domingues iniciam ano a vencer
Os portugueses João Sousa, Gastão Elias, Jaime Faria e João Domingues entraram em 2024 com vitórias e apuraram-se para a segunda ronda do quadro principal de singulares do Indoor Oeiras Open. Organizado pela Federação Portuguesa de Ténis na nave de campos cobertos do Complexo de Ténis do Jamor, em Oeiras, este ATP Challenger 50 assinala o arranque da nova temporada.
O primeiro jogador da casa a seguir em frente foi Jaime Faria, que se tornou não só no primeiro jogador português a vencer no Indoor Oeiras Open, como o primeiro a fazê-lo em toda a temporada que arrancou no domingo. Número 411 mundial, o lisboeta de 20 anos transportou a boa forma de 2023 para 2024 e impressionou a caminho da vitória por 7-6(6) e 6-2 contra o belga Michael Geerts (286.º e oitavo cabeça de série).
 
“Das poucas exibições que tive em quadros principais acho que esta foi a mais estável e mais bem conseguida. Fiz o que tinha de fazer do início ao fim, encontrei soluções, senti-me cada vez mais confortável e consegui subir o nível à medida”, explicou mais tarde, já em conferência de imprensa.
 
Esta foi a quarta ocasião consecutiva em que o atual número sete nacional ultrapassou pelo menos uma ronda em torneios do circuito Challenger e para isso muito contribuiu a elevada qualidade do serviço, pois nem sequer enfrentou um ponto de break e amealhou 83% dos pontos jogados com o primeiro serviço, mas também as respostas agressivas para o centro do court (à procura da bola curta) e o apurado jogo de rede.
 
Segue-se o lucky loser ucraniano Vadym Ursu, que entrou no quadro principal devido à desistência (lesão no pé esquerdo) do austríaco Maximilian Neuchrist e superou a promessa norte-americana Ethan Quinn por 6-4 e 7-5.
A vitória seguinte foi a de João Domingues, que exatamente um ano depois voltou a vencer em quadros principais de torneios Challenger e logo ao eliminar um adversário de calibre como o norte-americano Noah Rubin, a regressar de uma pausa de 18 meses e por isso sem ranking, mas antigo número 125 mundial. 6-4, 1-6 e 7-5 foram os parciais de um triunfo especial por também ter sido o primeiro sob o olhar atento do novo treinador, nada mais, nada menos do que Frederico Marques.
 
“Estou a gostar imenso de trabalhar com ele. As dinâmicas que tem, a intensidade que coloca e a energia que tem são incríveis. Fui eu que o procurei e confio muito nele”, contou em conferência de imprensa.
 
Com "uma boa vitória em piso rápido depois de um ano complicado" a assinalar quer o começo de 2024, quer da parceria, o ex-top 150 tentará prolongar as boas sensações da semana para alcançar os quartos de final de uma prova desta dimensão pela primeira vez desde agosto de 2022, em Praga. Maks Kasnikowski é o adversário que se segue e motivação não lhe faltará, pois na segunda-feira anulou seis match points para surpreender o quinto cabeça de série, Adrian Andreev (265.º), por 3-6, 7-6(10) e 6-3.
 
Para a segunda metade da jornada ficaram reservados os encontros de dois dos melhores tenistas portugueses da história, com Gastão Elias (336.º e ex-57.º) a vencer Kenny de Schepper (479.º e ex-62.º) por 6-4 e 6-4 e João Sousa (249.º e ex-28.º) a superar Samuel Vincent Ruggeri (271.º) por 6-4 e 6-2. Os dois adversários forasteiros vieram da fase de qualificação.
“Foi um encontro bastante bom, em que consegui ser agressivo e ir várias vezes para a frente. Joguei bem do início ao fim e até acho que estive melhor do que esperava”, disse Elias acerca do 16.º triunfo consecutivo no Jamor, mas primeiro em piso rápido (venceu um Oeiras Open em 2021 e dois em 2022).
 
O jogador da Lourinhã não enfrentou qualquer ponto de break e resolveu o encontro frente ao veterano tenista francês — dotado de um serviço muito potente que reforça um ténis dotado para estas condições de jogo — em 1h13 graças a um break em cada set, neutralizando com eficácia o poder de fogo do gaulês no golpe de saída.
 
Com a motivação em alta depois de uma pré-época de luxo nos Estados Unidos da América, o objetivo do segundo tenista português com melhor ranking de sempre continua a ser regressar ao alto nível a que em tempos se habituou a jogar e no qual ainda acredita "poder fazer estragos." Na quarta-feira, contra Cem Ilkel (255.º), terá a oportunidade de dar mais um passo nessa decisão.
 
O quarteto de tenistas lusos apurados para a segunda ronda ficou completo com João Sousa, autor da vitória caseira mais expressiva de toda a jornada. Também ele a competir na nave de campos cobertos pela primeira vez a título individual (há quase nove anos contribuiu para um triunfo de Portugal sobre Marrocos na Taça Davis), o vimaranense de 34 anos também não perdeu o serviço e só teve de anular um ponto de break logo no início do segundo set, contando com a sua "marca registada" — a pancada de direita — para desequilibrar um adversário 13 anos mais novo.
 
"As primeiras rondas custam sempre", contou mais tarde, mas mesmo sem realizar "a melhor das exibições" considerou ter estado "à altura do desafio" para entrar com o pé direito num ano diferente, o primeiro da carreira profissional a começar em território nacional.
 
Segue-se Paul Jubb, um adversário que conhece de outras andanças (foi contra ele que somou a primeira das três vitórias com que fez história em Wimbledon 2019) e que recorda ter "melhor esquerda do que direita" e uma preferência por "um ténis reto, bom neste tipo de superfícies rápidas.”
 
Desfechos diferentes conhecerem os dois mais novos do grupo que foi a jogo no quadro principal.
 
Henrique Rocha fechou 2023 em grande (64 vitórias, seis títulos ITF M25 e mais de 600 lugares ganhos num ranking em que já surge no 246.º posto), mas não conseguiu transportar o momento para 2024 e esbarrou no norte-americano Thai-Son Kwiatkowski (322.º), que impressionou pela pancada de serviço — só perdeu 10 desses pontos — e triunfou pelos parciais de 6-4 e 6-4.
 
Já Tiago Pereira (748.º), foi a jogo no quadro principal de singulares de um Challenger pela primeira vez, exatamente um ano após a estreia no qualifying de uma destas provas, e apesar da experiência do adversário ainda deu boa réplica antes de perder por 7-6(5) e 6-1 com o bielorrusso Egor Gerasimov (366.º, mas antigo 65.º).
 
Dos quatro portugueses vitoriosos, apenas João Domingues voltará à ação já na quarta-feira (não antes das 15 horas). Mas a jornada também contará com os encontros de pares de quatro duplas com portugueses, incluindo Frederico Gil (com Pedro Araújo) e Gonçalo Falcão (ao lado de Lorenzo Giustino), os únicos exclusivamente dedicados a esta variante.
 

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terça-feira, 2 de junho de 2026

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