A Argentina venceu, por 3-1 (23/25, 25/21, 25/19 e 25/23), Portugal no terceiro e último dia de competição do 2.º Torneio da Poule D da Fase Intercontinental da Liga Mundial 2012, em Buenos Aires, capital da Argentina.
O 3.º Torneio da poule D será disputado no próximo fim-de-semana, em Guimarães.
Pela primeira vez desde o início da Liga Mundial, ficou a sensação de que a jovem selecção portuguesa poderia ter ido mais longe e alcançado a sua primeira vitória na competição.
Depois de um set em que se exibiu a bom nível e foi recompensado com um triunfo por 25/23, Portugal parecia fadado a vencer o segundo parcial, mas os momentos finais, com o nervosismo mesclado com algumas decisões duvidosas da arbitragem, deitaram tudo a perder.
Abalado, o conjunto luso foi uma pálida imagem de si mesmo no terceiro parcial, que perdeu... logo desde os primeiros pontos.
No quarto, a Selecção Nacional voltou a estar a perder por muitos pontos, recuperou até igualar (22-22), mas acabou por claudicar nos momentos finais, onde apareceu o «herói» argentino, facundo Conte a salvar a sua equipa, deixando os portugueses inconsoláveis...
No outro jogo do dia, a Bulgária venceu a Alemanha por 3-2 (25/19, 14/25, 19/25, 25/23 e 16/14).
O primeiro set do Argentina-Portugal começou sob o signo dos serviços falhados, devido à agressividade aplicada na sua execução, com o prato da balança a cair mais para o lado dos portugueses neste capítulo: quando se atingiu o primeiro tempo técnico, a equipa das quinas tinha falhado três serviços, exactamente a diferença em pontos que separava as duas equipas, com vantagem para a Argentina (8-5).
Esta situação, somada ao facto de a recepção e o bloco não estarem a ser eficazes, fizeram com que os sul-americanos construíssem uma importante vantagem (11-7).
Sentindo o perigo, os portugueses acertaram o seu serviço e pressionaram a recepção e defesa do adversário. E, com um bloco de André Lopes/Marcel Gil e dois serviços directos de Marcel, igualaram o marcador (11-11). Mais um serviço directo, desta vez da autoria de Marco Ferreira, colocaram Portugal na liderança pela primeira vez no set (13-12), uma vantagem que os europeus lograram levar até ao segundo tempo técnico (16-15), com Marco a contabilizar o quarto ponto da sua conta pessoal.
Dois blocos consecutivos de Alexandre Ferreira/Marcel Gil distanciaram Portugal (18-15). A Selecção Nacional colmatava as falhas iniciais e passava a ter o controlo das acções do jogo...
Um ataque ao centro de Marcel e um serviço directo de Alex mostravam que Portugal estava no bom caminho.
No ataque, André Lopes e Rui Santos (22-17) reforçaram o favoritismo de Portugal, mas a Argentina reagiu (19-22) e obrigou Flavio Gulinelli a parar o jogo para assim cortar o ímpeto dos sul-americanos.
A «táctica» surtiu efeito e novo serviço directo de Marco colocou Portugal a um ponto do triunfo no set (24-20). Mas os argentinos não abriram mão da vitória facilmente (23-24), tendo valido a experiência do capitão de Portugal, André Lopes, que optou atacar em jeito, fazendo a bola reflectir para fora ao contactar com o bloco dos argentinos, em vez de efectuar o ataque em força: 25/23.
No início do segundo set, Portugal voltou a servir com agressividade e eficácia, causando problemas na transposição da recepção/ataque dos argentinos (3-1) e complementando essa acção com blocos duplos ou triplos (5-3). Um ataque, ao segundo toque, de Tiago Violas (6-4)desanimou ainda mais os argentinos, que falharam um serviço (Ivan Castellani) que deu o 8.º ponto a Portugal (8-6).
Os portugueses agradeceram e responderam com um serviço directo (ainda tocou os braços de Facundo Conte) de Alex Ferreira (9-6). Um bloco de André Lopes/Rui Santos fez o 11-8 favorável aos lusitanos.
Dois momentos de desconcentração custaram a Portugal dois pontos (12-11) e os argentinos lograram mesmo igualar e passar para a frente no marcador (14-13) por intermédio de Castellani e chegar à segunda paragem obrigatória em vantagem (16-14), impulsionados por um público incansável.
Os portugueses acusaram o golpe (16-19) e Gulinelli foi obrigado pedir tempo e a falar em particular com os seus jogadores, que recuperaram a calma e... recuperaram no marcador (19-20).
Ruca manteve a distância (20-21). Marcel Gil fez o 22-23... mas a arbitragem assim não o considerou, marcando falta na rede. Assim, com um resultado favorável de 24-21, foi fácil aos argentinos fechar o set: 25/21.
Os argentinos iniciaram o terceiro parcial a exalar confiança (2-0). Marco Ferreira, com um serviço directo, ainda logrou a igualdade (3-3), mas a equipa de Javier Weber voltou a distanciar-se (6-3, 8-4 e 10-6).
Um serviço directo de Castellani (14-9) empolgou os argentinos e o público afecto. Um bloco triplo... e um ataque para fora (16-9) complicaram ainda mais a vida aos portugueses.
Marco Ferreira tentou reaproximar os portugueses com um ataque e um serviço directo (11-17), mas os argentinos geriam bem a vantagem e pressionavam cada vez mais, abrindo lacunas quer na recepção quer na defesa alta (20-12), o que deu aos sul-americanos o triunfo por 25/19, apesar da reacção dos portugueses lhes ter permitido recuperar três pontos consecutivos.
O início do quarto set pautou-se pelo equilíbrio (2-2, 4-4), mas uma melhor eficácia no ataque deu alguma vantagem aos homens da casa (8-5). As falhas na recepção dos portugueses eram bem aproveitadas pelos argentinos, que, mostrando-se ainda intransponíveis no bloco, lograram facturar oito pontos consecutivos (14-5) e atingir o segundo tempo técnico com uma vantagem bem dilatada (16-8).
A paragem fez bem à Selecção Nacional, que encurtou a distância (14-18), obrigando Javier Weber a gastar um pedido de tempo.
Paulatinamente, os portugueses galgaram terreno e obrigaram os argentinos a cometer erros (19-20), Weber voltou a reunir com os seus jogadores... Miguel Tavares Rodrigues igualou (20-20) com um serviço directo. Marco Ferreira fez o 22-21, mas os argentinos chegaram-se à frente (24-23) por Facundo Conte, e logo selaram o triunfo: 25/23.
Marco Ferreira, autor de 19 pontos, foi o melhor pontuador do jogo, seguido do seu irmão Alexandre, com14 pontos.
O artilheiro português reconheceu:
"Custa perder desta maneira. Entrámos bem no jogo, ao contrário de todos os outros jogos, vencemos o primeiro set e quase conseguíamos novo triunfo no segundo. Não o conseguimos e a equipa perdeu a confiança e foi-se abaixo animicamente.
No quarto set, estivemos em desvantagem por muitos pontos, mas nunca baixámos os braços. Sem cometermos erros, conseguimos igualar e acreditámos sempre que era possível vencer o set, mas infelizmente não conseguimos. Este set deixou um sabor amargo. Estou convicto de que se vencêssemos, conseguiríamos ganhar o jogo".
André Lopes, Capitão de Portugal: "Tal como disse ontem, o nosso objectivo era vencer o jogo. Começámos bem, depois fizemos um set muito mau, recuperámos e batemo-nos de igual para igual pela vitória.
Estamos contentes porque estamos a conseguir fazer algumas coisas boas, mas sentimo-nos frustrados porque temos consciência de que poderíamos ter conseguido outro resultado".
Flavio Gulinelli: "No balneário, conversámos sobre o jogo de ontem, no qual tivemos um começo muito mau. O nosso objectivo para este jogo era modificar essa situação e isso foi conseguido, pois vencemos, pela primeira vez, o primeiro set de um jogo nesta edição da Liga Mundial.
Foi pena que a equipa tivesse desmoralizado no terceiro set, pois melhorámos no final do quarto set e poderíamos ter conseguido outro resultado.
Queríamos vencer a Argentina e agora esse objectivo terá de ser atingido em Guimarães".