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O selecionador nacional de estrada, José Poeira, reconheceu ontem os percursos do Campeonato do Mundo de Estrada, que vai realizar-se em Ponferrada, Espanha, entre 21 e 28 de setembro.
O início da preparação do mundial aconteceu ontem, com José Poeira a ter como cicerone o vencedor da Volta a Portugal de 1990, Fernando Carvalho, há alguns anos radicado nesta região espanhola.
O selecionador nacional analisou os percursos de fundo e de contrarrelógio de elite. A corrida de fundo, na qual Portugal irá defender o título conquistado por Rui Costa em Florença, vai disputar-se no dia 28 de setembro e terá 254,8 quilómetros, resultantes de 14 voltas a um circuito de 18,2 quilómetros.
Tal como em Florença, o perímetro de competição conta com duas subidas, embora na prova espanhola sejam teoricamente menos exigentes do que em Itália. No entanto, ao contrário do que aconteceu em 2013, toda a corrida será feita no sobe e desce do circuito, sem qualquer troço anterior em estradas planas.
Os ciclistas vão trepar ao Alto de Montearenas, uma escalada com 5,1 quilómetros de extensão e uma inclinação média de 3,5 por cento, e vão escalar até ao Alto de Compostilla, 1100 metros com algumas rampas a atingirem os 10 por cento.
“As subidas do ano passado faziam mossa só por si, enquanto estas parecem mais suaves. Mas eu costumo dizer que carga leve ao longe pesa. As subidas que vamos encontrar em Ponferrada são pastosas, boas para aqueles corredores que sobem em potência, é preciso ter poder para rebocar andamentos pesados, de forma a endurecer a corrida e a limitar o número de candidatos”, afirma José Poeira.
O contrarrelógio de elite, marcado para o dia 24 de setembro, terá 47,1 quilómetros. Pode dizer-se que o exercício individual está dividido em duas fases distintas. Os primeiros 33 quilómetros são quase exclusivamente planos e também não escondem qualquer dificuldade técnica. Daí em diante, os corredores vão enfrentar as duas subidas que integram o traçado da corrida de fundo.
“É um contrarrelógio muito difícil, pois fazer um bom resultado está apenas ao alcance de corredores com um grande controlo. Os maiores roladores não podem aproveitar ao máximo as suas qualidades na parte que lhes é favorável, pois necessitam de guardar reservas para a duríssima fase final, onde vão encontrar duas subidas que podemos considerar muito complicadas em contexto de contrarrelógio, intercaladas por descidas rápidas, mas com alguma exigência técnica, que exigem todos os sentidos bem alerta. Atendendo às caracerísticas dos nossos principais especialistas, diria que este é um percurso que nos agrada. Em teoria, é-nos mais vantajoso, por exemplo, do que o de Florença”, analisa o selecionador nacional.
José Poeira considera a visita de ontem a Ponferrada como “muito importante para começar a delinear estratégias, uma vez que a conquista de bons resultados exige um trabalho de vários meses”. Prevê-se que José Poeira regresse a Ponferrada, acompanhado por corredores potencialmente selecionáveis, de modo a que os próprios atletas tomem contacto com os traçados e as suas exigências.