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Congresso Nacional Olímpico - Delmino Pereira defende maior autonomia das federações

O presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, Delmino Pereira, interveio no Congresso Nacional Olímpico, na Maia, advogando uma maior autonomia das federações desportivas na definição de estratégias de alto rendimento e na alocação dos fundos disponíveis.

 

O dirigente apresentou diversos exemplos, demonstrando que os critérios administrativos nem sempre têm em conta a multiplicidade de realidades das distintas modalidades desportivas e, dentro destas, das diferentes vertentes e disciplinas.

 

“Temos realidades distintas para as quais devemos ter soluções diferentes. Os corredores de estrada são profissionais, dependendo da Federação e das seleções nacionais até à categoria de sub-23. A partir daí profissionalizam-se e conseguem bons contratos com equipas de topo mundial, e a nossa preocupação passa por compatibilizar os interesses desportivos, olímpicos e não só, da seleção com os interesses das respetivas equipas. Depois temos outra realidade, nas restantes vertentes olímpicas, em que, por não serem profissionais, os corredores de cross country, de BMX e de pista estarão sempre dependentes da Federação”, explicou.

 

O tratamento igual para realidades que são distintas, provoca desajustamentos no financiamento, com repercussões numa distribuição nem sempre equitativa dos recursos financeiros. “O Rui Costa tem agora uma bolsa, mas já é atleta de alto rendimento há muito tempo. Quando mais precisava desse apoio, na altura em que era sub-23, não o teve. Agora que não precisará tanto, pois tem um contrato profissional, recebe a bolsa. Em contrapartida, e para continuar a falar de atletas olímpicos, o David Rosa é amador e tem de lutar contra os seus adversários estrangeiros, todos eles profissionais. É fundamental que o BTT português disponha de uma bolsa, que possa ser investida nos seus melhores corredores, para que consigam competir no circuito mundial”, alertou Delmino Pereira.

 

O presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo chamou ainda a atenção para a necessidade de se investir na vertente de pista, na qual Portugal conseguiu duas medalhas em europeus e mundiais, ao fim de poucos anos de trabalho. “Das nove medalhas olímpicas de ciclismo, cinco são atribuídas na pista. É, provavelmente, a vertente com maior potencial de sucesso olímpico”, frisou.

 

Delmino Pereira recordou outras incongruências na classificação das modalidades desportivas. O ciclismo é considerado um desporto individual, mas o dirigente Federativo assinalou que “na prova de fundo em estrada, quando temos um corredor favorito a uma medalha, tendo em conta as suas caraterísticas e o percurso da prova, é preciso construir uma equipa que trabalhe para esse corredor”. Só que, sendo catalogada como modalidade individual, só são premiados com bolsa os corredores que obtenham resultados pessoais, o que levanta uma questão: “Como é que o selecionador vai convencer os ciclistas a abdicarem dos seus próprios resultados em prol de um objetivo maior, que é a conquista de uma medalha por um colega de seleção”?

 

Na opinião de Delmino Pereira, estas situações apenas poderão ser corrigidas “se as federações tiverem autonomia para gerir o processo, porque só as federações e os selecionadores poderão construir grupos de trabalho, pelo que deve ser dada prioridade às opções técnicas dos selecionadores”.

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terça-feira, 26 de maio de 2026

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