- Tenista português travado no Jamor após 19 vitórias seguidas
- Araújo, Rocha, Fernandes e Simões eliminados no segundo torneio
A invencibilidade de Gastão Elias no Complexo de Ténis do Jamor terminou na final do Indoor Oeiras Open, torneio do ATP Challenger Tour que foi ganho pelo polaco Maks Kasnikowski. Ainda este domingo, começou no mesmo local outra prova organizada pela Federação Portuguesa de Ténis, esta de categoria superior e até 13 de janeiro.
A jogar a 23.ª final da carreira no circuito secundário, mas apenas a segunda em piso rápido e primeira em indoor, Elias (336.º e ex-57.º) perdeu por equilibrados 7-6(1), 4-6 e 6-3 com Kasnikowski (324.º).
Para o polaco, de apenas 20 anos, a semana perfeita — e com contornos épicos — no Jamor traduziu-se no título mais importante da carreira, por ser o primeiro a nível Challenger, e no melhor ranking, com uma subida de 45 lugares até ao 279.º posto na atualização de segunda-feira.
“É um bom local para ganhar o primeiro Challenger. É excelente ter vindo pela primeira vez a Portugal e conquistar logo um título”, afirmou em conferência de imprensa o polaco que tem como ídolos... João Sousa, que derrotou nos quartos de final, e Cristiano Ronaldo, cujo festejo imitou já com o troféu nas mãos.
A vitória deste domingo foi a terceira da semana contra um jogador da casa (já tinha deixado João Domingues pelo caminho na segunda ronda) e aconteceu perante as várias centenas de espetadores que lotaram o Court 1 da nave de campos cobertos.
Quase sozinho (tinha consigo o irmão mais novo) na missão de derrubar o herói da casa, Kasnikowski não se deixou afetar. Pelo contrário, inspirou-se em Novak Djokovic para tentar "imaginar que estavam a cantar o meu nome" e enalteceu a ocasião: "O barulho do público era tanto que não ouvia a minha própria voz, mas não me posso queixar. É muito bom ver os portugueses a apoiarem os seus jogadores. Era assim que devia ser sempre em todos os países."
O jovem de Varsóvia não só precisou de 2h45 para assinar um dos triunfos mais especiais da carreira (também destacou a estreia vitoriosa ao serviço do país na Taça Davis), como de sangue frio para resistir a um embate muito equilibrado, com trocas de bolas muito longas e um encaixe entre dois jogadores completos.
Na resenha, Gastão Elias lamentou o facto de “o serviço não ter estado ao nível dos outros dias". Os números comprovam-no: só colocou 41% das primeiras bolas e venceu apenas 69% desses pontos, para além de ter cometido 11 duplas faltas — quatro no jogo do último set em que sofreu o break que praticamente acabou com a final.
“Por conta disso tive de lutar por praticamente todos os pontos. Joguei quase todos com o segundo serviço, isto quando não fazia uma dupla falta. E ao longo de três horas isso vai pesando cada vez mais. Acho que foi o que fez a diferença hoje”, lamentou antes de olhar para o copo meio cheio: “Dói um bocadinho por saber que estive tão perto do título, mas agora, com um bocadinho de tempo para refletir e o resto do dia para descansar e preparar o próximo torneio, vou cada vez mais chegar à conclusão de que não posso empurrar-me mais para baixo porque foi uma semana híper-positiva e de que não estava à espera. Ainda para mais nestas condições [piso rápido indoor], em que não jogo frequentemente, só tenho é de ficar feliz.”

A final valeu aos dois jogadores o estatuto de special exempt para o quadro principal Indoor Oeiras Open 2, no qual só irão a jogo na terça-feira. Mas ainda este domingo — aliás, à mesma hora que a decisão que protagonizaram — arrancou neste mesmo local o segundo torneio Challenger consecutivo, com mais pontos em jogo (75) e uma rara final no sábado.
Tal como há uma semana, os primeiros resultados não sorriram à comitiva portuguesa: Pedro Araújo (857.º) perdeu por 6-2 e 6-4 contra Dan Added (304.º), Francisco Rocha (932.º) por 6-4, 3-6 e 6-3 perante Mathys Erhard (333.º), Rodrigo Fernandes (1194.º) pelos parciais de 6-0 e 6-4 frente a Aidan McHugh (349.º) e Martim Simões (1923.º) com 6-3 e 6-2 favoráveis a Tristan Lamasine (309.º).
Sem vencedores portugueses no qualifying, a representação lusa ficará a cargo dos seis jogadores que já estavam assegurados no quadro principal: Henrique Rocha (246.º) e João Sousa (249.º) são, respetivamente, segundo e terceiro cabeças de série e a eles juntam-se ainda os wild cards Jaime Faria (411.º), Tiago Pereira (748.º) e João Domingues (803.º) e, claro, Gastão Elias.