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O estágio conjunto das Selecções Nacionais de Cadetes e de Juniores, realizado nas instalações desportivas da Escola Secundária Carolina Michaelis, no Porto, foi muito positivo, na opinião tanto da equipa técnica, liderada por António Guerra, como dos atletas.
Envolvidas em fases de qualificação de competições tão importantes como o Campeonato do Mundo (Juniores) e o Campeonato da Europa (Cadetes), a realizar em Janeiro de 2015, as selecções analisaram, pela voz dos seus capitães de equipa, o trabalho realizado até ao momento.
Na Poule E da 2.ª Ronda de Qualificação para o Europeu de Juniores, disputada em Abril deste ano na cidade da Maia, a Selecção Nacional apresentou-se já frente à França, à Bélgica e à Suécia mesclada de juniores e cadetes com resultados satisfatórios, sobretudo sob o ponto de vista dos jogadores mais jovens.
António Guerra, Seleccionador Nacional de Juniores e de Cadetes, começou por analisar o momento que atravessa a equipa formada pelos jogadores mais novos:
“Começamos a ter um grupo de trabalho já estabilizado, embora existam dois aspectos que temos de resolver com urgência, que são os centrais e o oposto. Precisamos de jogar com um pouco mais de qualidade no meio da rede e precisamos de um oposto mais poderoso. Daí estarmos a realizar um trabalho tão continuado com estes jogadores.
Acredito que até Janeiro vamos conseguir estabilizar definitivamente o grupo de trabalho. O modelo de jogo está definido, muito devido ao facto de estarmos a trabalhar em ligação com os juniores, o que nos permite estabelecer muito mais rapidamente o modelo de jogo. A única brecha que poderá haver neste momento é a qualidade competitiva, porque nos falta efectivamente alguma qualidade competitiva. Falta-nos jogar mais e essa falta de experiência competitiva pode limitar-nos no apuramento”.
Na Poule F do Europeu, Portugal vai medir forças com a Bulgária, a Dinamarca e a Eslovénia.
“A grande incógnita é a Eslovénia, que tanto aparece nas competições com equipas muito fortes como com selecções menos fortes.
A Bulgária apresenta aquele jogo tradicional: alto e pesado, que encaixa bem no nosso – é o modelo de jogo da França, que defrontámos na Fase de Apuramento para o Europeu de Juniores, na Maia. Penso que a Dinamarca é a equipa mais acessível, pelo que, para nos apurarmos para a fase seguinte, temos de ganhar obrigatoriamente à Dinamarca e a outra selecção, seja à Bulgária seja à Eslovénia”.
A diferença de envergadura física entre os atletas portugueses e de outros países parece começar a esbater-se...
“Subimos a média de altura em cerca de seis centímetros. Não temos ainda é a qualidade de jogo dos outros jogadores, pois são muito jovens e ainda em formação. Se conseguirmos dar um volume de treino razoável, penso que dentro de quatro, cinco anos estes jogadores poderão começar a ter hipótese de entrar numa equipa mais experiente. Mas são jogadores muito novos que ainda estão muito atrasados no seu desenvolvimento”.
Este estágio, efectuado com uma certa antecedência relativamente à data de realização da competição, veio acelerar o processo de desenvolvimento do grupo de trabalho.
“É fundamental começarmos a fazer estágios alguns meses antes das competições. Realizar uma pré-selecção antes dos cadetes, o que está já a ser feito no Brasil e nos Estados Unidos. E a Europa, se quer andar ao ritmo dos melhores do mundo, vai ter de caminhar para isso, pelo que brevemente poderá haver uma competição pré-cadetes.
Temos de começar muito cedo a trabalhar com os atletas.
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A fase de qualificação para o Campeonato do Mundo de Juniores será ainda mais exigente.
“Passam poucas equipas. Nesta fase, a Europa só consegue colocar duas na fase final, mas pensamos que se a equipa jogar no máximo do seu potencial – pois tem já um sistema e um modelo de jogo extremamente evoluídos – teremos as nossas hipóteses.
Esta Selecção de Juniores consegue jogar a um nível alto e se for consistente nos fundamentos, e estamos a falar principalmente no primeiro toque, serviço e recepção, é uma equipa que deve ambicionar o apuramento”.
Uma evolução que foi notória na Maia...
“Faltou-nos ritmo competitivo. Penso que se tivéssemos disputado antes mais seis ou sete jogos internacionais, teríamos vencido facilmente a Suécia. Com a França, vai ser sempre assim, podemos ganhar, podemos perder, mas será sempre um jogo equilibrado. Com a Bélgica, faltou-nos ritmo competitivo, frente a uma equipa agressiva e com um modelo de jogo moderno: serve muito bem, é muito agressiva e tem um jogo rápido, combinado e com tomada de decisão muito boa, isso foi evidente e fatal”.
O balanço deste primeiro estágio é...
“... Muito bom. Muito acima do que estávamos à espera e a todos os níveis, técnico e táctico, e em termos colectivos. Neste momento, o grupo está a ficar muito coeso e temos uma cultura de treino que não existia. Os jogadores estão a preparar-se fisicamente, mesmo individualmente, têm cuidados com a alimentação, etc.. Penso que estamos a dar passos gigantescos. Não esperava ter tão cedo as selecções ao ritmo e ao nível que estão a trabalhar. Penso que este estágio foi muito enriquecedor.
Tem havido uma grande colaboração por parte dos clubes e dos pais.
Começámos por articular o nosso trabalho com o dos clubes e como tem havido uma enorme vontade de ajudar a Selecção, penso que vamos estagiar o melhor possível, mas, e devido às competições nacionais, estágio mesmo só será possível realizar naquela altura pré-competitiva, em Dezembro, e voltar a ter consistência e volume de treino”.
Bernardo Martins, Capitão dos Juniores e zona 4 do Castêlo da Maia GC:
“Este estágio correu muito bem e foi muito importante para o nosso trabalho, pois treinámos num bom nível. O facto de termos reunido as duas selecções, de cadetes e de juniores, permitiu-nos também não pararmos durante o Verão, o que beneficiou muito o nosso trabalho. Temos evoluído como jogadores e como equipa”.
A fase qualificativa para o Europeu foi um exemplo, como explicou o atleta nascido em 3 de Fevereiro de 1995:
“A Poule de Apuramento disputada na Maia mostrou algumas coisa que já conseguimos fazer, mas também soube a pouco. Tínhamos a ambição de passar, não conseguimos e estamos a trabalhar para atacar agora a qualificação para o Mundial.
O nosso objectivo para a poule do Mundial terá de ser o apuramento e é para isso que estamos a trabalhar.
Nos jogos que fizemos para o Europeu, na Maia, viu-se já um bocadinho do nosso trabalho e, no futuro, creio que aparecerão ainda melhores resultados. Temos vindo a desenvolver um trabalho muito bom, muito completo e temos colhido alguns frutos”.
"Com a (pouca) sorte que nós temos calham-nos sempre adversários muito fortes, para mais porque estamos as equipas europeias têm muita tradição na modalidade, mas isso não nos desmotiva, pelo contrário, pois se nos saírem adversários muito fortes, a motivação e a vontade de ganhar ainda será maior.
Para enfrentar adversários desse nível, Portugal terá de jogar com muita garra e, principalmente, trabalhar arduamente nos treinos e, a meu ver, isso está a ser conseguido”, salientou.
André Rosa, filho de Manuel Rosa, antigo jogador do CDUP e FC Porto, é o Capitão dos Cadetes, tendo integrado em 2013/2014 a equipa sénior do CS Marítimo e a Selecção Nacional de Juniores na Poule F da 2.ª Ronda da Fase de Apuramento para o Europeu 2015.
“Foi um trabalho fantástico. São jogadores mais experientes. Eram todos um ano ou dois mais velhos do que eu e por isso a nível de aprendizagem foi excelente.
Foi uma experiência muito boa porque deu para apanhar um pouco o ritmo que eles já tinham, o seu empenho nos treinos e a forma como encaram os jogos e a sua atitude dentro de campo.
Tudo isso ajuda um jogador a crescer e o trabalho com os juniores têm sido muito bom nesse aspecto”, recordou, acrescentando:
“Apanhámos dois adversários fortes [França e Bélgica], mas creio que nos mostrámos à altura dos desafios. Demos tudo o que tínhamos para dar, embora pudéssemos ter feito ainda melhor e colhido daí uma vitória... Acima de tudo, foi uma experiência muito boa, gostei imenso de ter tido esta oportunidade de integrar a Selecção de Juniores e pretendo pôr em prática na Selecção de Cadetes o que aprendi com a de juniores”.
Este estágio misto foi “muito produtivo”, segundo o central, nascido em 26 de Janeiro de 1997.
“Na poule de Juniores só estavam cinco ou seis cadetes, mas neste estágio a equipa esteve completamente integrada, o que nos permitiu usufruir de toda a experiência dos Juniores.
Vamos continuar a trabalhar, empenhar-nos cada vez mais nos treinos e depois vamos com tudo para dentro do campo. O nosso objectivo é claro: queremos vencer, pelo que vamos continuar a trabalhar para termos capacidade para isso”.