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Francisco Fidalgo, Coordenador dos Centros de Treino de Alto Rendimento de Voleibol de Praia (CTARVP), mostra-se satisfeito com o desempenho dos atletas que integraram o Estágio da Páscoa, que termina hoje no Instituto Politécnico do Porto – Porto, e cujo trabalho tem em vista a participação das selecções nacionais das categorias Sub em provas internacionais de Voleibol de Praia.
“Como temos dito ao longo dos anos, inevitavelmente numa altura da nossa evolução vamos ter de fazer Voleibol de Praia todo o ano. É óbvio que tem de ser assim para se atingir resultados.
Dentro desse espírito, no ano passado, conseguimos antecipar ligeiramente o início da época e começámos em Abril e isso foi extremamente frutuoso, quer em termos de resultados, que é o que é mais visível, mas sobretudo em termos do nível médio qualitativo dos nossos jogadores.
Na época de 2013/2014 começámos no Inverno, com mau tempo, com chuva, com frio, mas com uma adesão fantástica dos atletas que foram seleccionados. Obviamente, também com muitos condicionalismos naturais, quer dos clubes que eles representam, porque a maior parte deles representa um clube na vertente indoor, e houve que conciliar esses interesses também, quer de outro tipo de dificuldades que são inerentes ao arranque do projecto, mas estamos muito satisfeitos porque consideramos que foi dado um passo, não demasiado largo mas sólido, que vai ser um pouco mais ambicioso no próximo ano.
Mais ano, menos ano, isto vai finalizar com uma opção por uma das vertentes por parte dos atletas quando as condições proporcionadas o puderem racionalmente permitir.
Tenho a certeza de que neste Verão já serão visíveis os frutos deste trabalho, até porque haverá muitas competições internacionais que servirão para aquilatar o trabalho que estamos a fazer. E também porque acredito que logo após o Verão começará a próxima época na praia e com a ambição ainda maior.
Este ano tínhamos treinos três dias por semana (domingo, segunda e terça-feira), para os atletas que podiam, porque a maior parte dos atletas apenas conseguia frequentar um ou dois treinos por semana, dentro deste leque de opções, vamos ter de aumentar um pouco o volume, vamos ter de dar mais treino, os que cá estiverem vão ter de treinar mais horas ainda, e se calhar conseguiremos aproximar-nos cada vez mais daquela opção por uma das vertentes”.
– Para este ano estão previstas as participações em várias competições internacionais e de categorias diferentes: Campeonato do Mundo de Sub-17 (no México, de 15 a 20 de Julho); Jogos CPLP, Sub-17 (em Angola, de 15 a 30 Julho); Campeonato do Mundo de Sub-19 (no Porto / Matosinhos, de 29 de Julho a 3 de Agosto); Torneio WEVZA, Sub-19 (na Holanda, de 12 e 13 de Julho) e Torneio WEVZA, Sub-21 (em Macedo de Cavaleiros, nos dias 23 e 24 de Agosto).
“Uma delas bastante interessante, porque é uma novidade. Pela primeira vez, a Federação Internacional de Voleibol (FIVB) vai organizar a prova mundial de Sub-17 e nós estamos especialmente atentos a esse escalão etário, embora seja um escalão um pouco imprevisível, pois temos aqui jovens com 13 e 14 anos, cujo futuro quer em termos de crescimento quer desportivo é um pouco imprevisível.
Vamos ter de novo o Mundial de Sub-19 em Portugal, o que nos dá a possibilidade de participar nos dois mundiais mais jovens e com a vantagem de ser realizado em casa, o que nos permite um trabalho mais alargado e com mais duplas a competir.
E temos mais: a competição da WEVZA, a nova associação de países europeus, que, no âmbito da CEV, vai ter duas provas, uma de Sub-19 [Holanda] e outra de Sub-21 [Portugal].
São muitas oportunidades internacionais que nós queremos aproveitar ao máximo para os nossos atletas. Para além, como é óbvio, da realização do nosso Circuito Nacional, que envolve centenas de atletas e que acaba por ser a base de tudo isto, pois é onde nós recrutamos os novos atletas”.
– Essas participações, aliadas a alguns resultados significativos, vão ajudar também em termos de ranking internacionais dos jovens atletas...
“Nós estaríamos cada vez mais afastados das grandes provas internacionais senão participássemos nelas, pois o sistema que vigora, quer na Federação Internacional, quer na Confederação Europeia, é um sistema em que os países vão acumulando pontos pelas suas participações em anos anteriores.
Obviamente, quem não participa, não acumula pontos e depois não tem entrada nas provas. E isso é um ciclo vicioso que nos estava a deixar de fora, mas nós estamos, lentamente e já pelos resultados que tivemos no ano passado nos Sub-19, a recuperar espaço dentro dessas provas, de modo a podermos candidatar-nos, no futuro, às grandes provas mundiais, nomeadamente à participação no Circuito Mundial e à tentativa de qualificação olímpica, por via do Circuito Mundial [World Tour] ou por via da Taça Continental [Continental Cup] porque o objectivo máximo será sempre conseguir que Portugal retorne às grandes competições internacionais.
Contudo, vamos fazê-lo de uma forma tranquila, pausada e com passos seguros e curtos. Tem sido essa a opção da Federação nestes últimos dois, três anos com o nosso projecto e nós somos perfeitamente solidários com essa opção.
É evidente que as condições não podem ser excepcionais, nós conhecemos as dificuldades do País e no desporto essas dificuldades têm de se fazer sentir também e, portanto, de uma forma pragmática, nós queremos conquistar pontos e espaço dentro daquelas que são as condições possíveis para este País”.
Margarida Vasques:
“É preciso consciência de que os resultados aparecem fruto do trabalho feito com tempo”
Margarida Vasques, de 15 anos, do Leixões SC, integra os trabalhos do CTARVP desde 2013.
Muito satisfeita pelo estágio agora realizado, a atleta do Leixões SC no indoor, faz um balanço positivo:
“Os treinos têm corrido muito bem. Começámos em Dezembro, de início era mais difícil por causa das condições climatéricas, como o mau tempo e o frio, mas agora está a melhor.
Ainda bem que conseguimos fazer o estágio, pois as condições proporcionam outra qualidade de treino.
Temos ainda muito trabalho pela frente antes de podermos dizer que estamos preparados para as competições internacionais, mas tenho a certeza de que tanto a equipa técnica, como os próprios atletas estão a dar tudo por tudo, o que está a fazer com que os treinos sejam muito produtivos, principalmente ao fim e no princípio da semana, que é quando se conseguem reunir mais atletas, embora não seja fácil, pois os atletas dividem-se entre a praia e o pavilhão.
Nas últimas competições, e eu acompanhei de perto pois treinei durante o Verão todo, registaram-se bons resultados no Mundial, sobretudo nos masculinos, mesmo para o nível de trabalho que se realizou no ano passado, que não foi tão grande como está ser este ano. Apesar de os femininos não terem tido tão bons resultados, tiveram uma boa prestação.
A competição também não é fácil. É preciso alguma consciência de que os resultados aparecem fruto de um trabalho feito com tempo.
A prestação das duplas portuguesas vai depender de muitos factores, mas da forma como temos treinado, com qualidade, e o empenho de todos os que aqui estão vai haver bons resultados este ano. Nem sempre se pode alcançar medalhas, como o segundo lugar da Joana Neto e da Mariana Filipe no Europeu Sub-18, em 2010, mas estou confiante que os portugueses terão uma boa prestação em termos classificativos”.
Tomás Silva:
“Portugal tem excelentes atletas, com bastantes capacidades”
Tomás Silva, de 19 anos, joga no Leixões SC, tendo representado Portugal no Mundial de Sub-19 organizado pela FPV no Porto em 2013.
Uma competição que lhe deixou boas recordações, já que, contra (quase) todas as expectativas, a dupla formada por Tomás Silva e Diogo Maia alcançou um honroso 9.º lugar, a mesma classificação de Bernardo Martins e Francisco Pombeiro, jogadores que integram a Selecção Nacional de Juniores de Indoor.
“Tive a oportunidade de representar Portugal no Campeonato do Mundo de Sub-19, realizado no Porto, no ano passado, que foi um bom ano para as duplas portuguesas. Acho que Portugal está a mostrar cada vez mais que se está assumir a nível mundial no Voleibol de Praia e que possui já excelentes atletas, mesmo os mais novos, jogando em competições superiores, mostram bastante competência.
No ano passado, defrontaram as grandes potências mundiais, o Brasil e os Estados Unidos e deram uma boa resposta.
E, em 2012/2013, não tivemos a preparação que estamos a ter agora. Esta época, os treinos começaram em Dezembro e eu tenho treinado pelo menos uma vez por semana Voleibol de Praia, pois também tenho ajudado no pavilhão.
Apesar do pouco tempo de treino que tivemos no ano passado, quando começámos a treinar em Abril, os resultados mesmo assim apareceram e mostram o potencial que temos no Voleibol de Praia, comparando com duplas de países como o Brasil, que preparam as competições com muita antecedência e muitas delas treinam quase todo o ano e jogam mesmo só praia.
– As Selecções Nacionais de Subs estão no trilho certo?
“Penso que é uma boa aposta, pois Portugal tem excelentes atletas, com bastantes capacidades e estamos contentes por podermos participar neste estágio.
Nos treinos vê-se cada vez mais pessoas com qualidade e com uma altura razoável, que é também bastante necessária no Voleibol, e creio que basicamente todos têm capacidade para virem a integrar no futuro uma Selecção Nacional mas para isso é preciso trabalhar muito e isso é o que estamos a tentar fazer: melhorar aos poucos.
Acredito que, num futuro próximo, o Gira-Praia poderá ser benéfico para este trabalho e que o nível da competição irá aumentar. Ao nível dos Subs, tem havido uma grande adesão dos atletas e penso que estes treinos vão melhorar ainda mais quer as qualidades quer as capacidades dos atletas portugueses para estes poderem participar, e com resultados, em competições internacionais.
Esperamos sempre o melhor. Um pódio era o ideal, mas para isso é preciso trabalhar muito e é isso que estamos a tentar fazer”.
Participação em provas internacionais
Campeonato do Mundo de Sub-17, no México, de 15 a 20 de Julho
Jogos CPLP, Sub-17, em Angola, de 15 a 30 Julho
Campeonato do Mundo de Sub-19, no Porto / Matosinhos, de 29 de Julho a 3 de Agosto
Torneio WEVZA, Sub-19, na Holanda, de 12 e 13 de Julho
Torneio WEVZA, Sub-21, em Macedo de Cavaleiros, em 23 e 24 de Agosto
Calendário de Competições Nacionais de Subs 2014 (provisório)
21 e 28 de Junho - Carcavelos
28 e 29 de Junho - Espinho
12 e 13 de Julho - Foz do Arelho
19 e 20 de Julho – Matosinhos
26 e 27 de Julho - Carcavelos
9 e 10 de Agosto - Canidelo
16 e 17 de Agosto - Macedo de Cavaleiros
Femininos
Maria Tinoco - Lusófona VC
Beatriz Pinheiro - Esmoriz GC
Bruna Alves - Esmoriz GC
Rafaela M. Costa - Esmoriz GC
Sara Lourenço - Esmoriz GC
Francisca Silva - Esmoriz GC
Soraia Oliveira - Esmoriz GC
Beatriz Lacerda - SC Espinho
Daniela Silva – Boavista FC
Inês Pinto Castro - CA Madalena
Bárbara Domingues - CA Madalena
Margarida Vasques - Leixões SC
Ana Sofia Matos - AA S. Mamede
Bárbara Freitas - GC Vilacondense
Margarida Rocha - CV Oeiras
Bárbara Rodrigues - CV Oeiras
Catarina Borges - Lusófona VC
Catarina Anjos - Lusófona VC
Matilde Saraiva - Lusófona VC
Margarida Reis - Lusófona VC
Cristiana Lopes - IEJOTA
Rita Caetano - IEJOTA
Júlia Gaspar - SC Caldas
Eliana Durão - Colégio do Rosário
Gabriela Coelho - Colégio do Rosário
Inês Alves - Colégio do Rosário
Vanessa Paquete - Colégio do Rosário
Masculinos
Artur Resende - CA Madalena
João Manuel Alves - Esmoriz GC
Bruno Santiago - Esmoriz GC
André Teresinho - Esmoriz GC
Simão Pedrosa - AA Espinho
Diogo Maia - AA Espinho
Diogo Pereira - CA Madalena
Tomás Sousa - CA Madalena
José Tomás Silva - Leixões SC
André Lázaro - AA S. Mamede
João Ant. Almeida - CV Oeiras
Tomás Rocha - CV Oeiras
João Rocha - CV Oeiras
Bernardo Silva - CV Oeiras
João Jardim - SL Benfica
José Jardim - SL Benfica
Afonso Reis - SC Caldas
Diogo Oliveira - SC Caldas
Luís Pereira - VC Viana