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O treinador português tinha alertado para a importância do público e este compareceu no Pavilhão do Castêlo da Maia GC em número (várias centenas) e em qualidade (incansável no incentivo).
A combatividade da Selecção Nacional de Juniores Masculinos empolgou os adeptos e estes impulsionaram a sua equipa para a reacção que, no quinto e decisivo set, transformou uma derrota anunciada num saboroso triunfo no jogo de estreia na Poule E de Qualificação para o Europeu 2014.
Incentivado pelo numeroso público, que encheu o Pavilhão do Castêlo da Maia GC, Portugal entrou bem no jogo, concretizando dois blocos consecutivos [Cveticanin e João Oliveira], logo seguidos de um ataque de João Oliveira (3-0).
Os suecos, embora impressionados com esta entrada de rompante, passaram a canalizar os seus ataques pelo centro da rede e atingiram o primeiro tempo técnico em vantagem (8-5).
Aproveitando a desorientação dos portugueses, os nórdicos aumentaram a vantagem (10-5) com um serviço directo de Linus Ekstrand.
Portugal recompôs-se e igualou o marcador (14-14) com um ataque de segunda linha de Bernardo Martins.
Sempre em desvantagem até à recta final do set, Portugal igualou por João Oliveira e passou para a frente no marcador com um ataque falhado pelos nórdicos (22-21). Contudo, três ataques falhados por Portugal deram o triunfo à Suécia: 25-22.
O início do segundo parcial foi tirado a papel químico: Portugal chegou aos 4-1... e a Suécia igualou (4-4). À frente nos dois tempos técnicos (8-7 e 16-13), a equipa orientada por António Guerra fez o 20-15 com um serviço directo feliz de Filipe Sousa. Um ataque desperdiçado por Lindberg animou ainda mais as hostes portuguesas (22-15). Um bloco de João Oliveira fez o 23.º ponto, Dinis o 24.º, o público pedia só mais um ponto e Dinis, com um bloco, respondeu ao apelo: 25-16.
Os suecos entraram melhor no terceiro set, tendo estado em vantagem grande parte do jogo (3-1, 10-7, 12-9), mas Portugal reagiu, recuperou e passou para a frente (15-14).
Dois pontos conseguidos pelo distribuidor português (Neves) ao segundo toque intranquilizaram ainda mais os suecos (18-16), que, com um serviço falhado, deram o 22.º ponto a Portugal (22-19).
Com Portugal a acusar a ansiedade de fechar o set, os suecos igualaram (22-22).
O autêntico braço-de-ferro que se seguiu terminaria com a vitória da Suécia por 26-24.
O quarto set pautou-se como o mais equilibrado, mantendo-se a indefinição no marcador até aos 9-9. Mostrando-se mais concentrado, Portugal logrou chegar à vantagem (13-9). porém, quando parecia que tinha o adversário à sua mercê, deixou-o crescer (16-16), tendo sido obrigado a fazer trabalho extra para suster os ataques dos suecos, Contudo, depois de se acalmarem, os portugueses fecharam por um folgado 25-18.
O quinto set foi o mais emotivo. As cerca de duas dezenas de adeptos suecos viram a sua selecção desfazer uma igualdade (5-5), transformando-a numa vantagem de 5 pontos (10-5). Porém, centenas de apoiantes de Portugal foram ao rubro com a recuperação dos «diabos vermelhos» (9-10). Momentos de esperança que um ataque de Linus Ekstrand tratou de contrariar (13-9). João Oliveira fez, no ataque, o 11-13 e Goran Persson reuniu com os seus jogadores, tentando cortar a reacção dos portugueses, que, contudo, chegaram à igualdade (14-14) e selaram a vitória com um ataque de João Ribeiro... e ouviu-se o Hino de Portugal, cantado por centenas de vozes.
João Oliveira, autor de 19 pontos, foi o melhor pontuador do jogo, seguido do sueco Linus Ekstrand (15).
No final, António Guerra era um treinador contente, mas igualmente realista:
"A Suécia tem bons jogadores, que jogam um Voleibol simples mas eficaz, apesar de serem jovens. Tivemos de lutar muito. Foi bom para os jogadores, conseguirem dar a volta ao jogo, sobretudo no quinto set. O apoio do público foi muito importante, mas esta selecção é combativa e soube cativar o público que encheu a bancada".
Goran Persson, Treinador da Suécia, reconheceu:
"Foi um autêntico espectáculo, com muito público a puxar pelas equipas e cinco sets muitos emocionantes.
Julgámos que tínhamos ganho o jogo, descontraímos e depois descobrimos que temos de lutar muito mais para vencer uma selecção tão aguerrida como Portugal. Estou satisfeito pelo que fizemos, mas amanhã teremos de jogar muito melhor".