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RISE 3.0 Fighting Championship by Diego Faisca

O RISE vem-se consolidando como um dos eventos mais promissores do cenário do MMA nacional, reunindo atletas talentosos, lutas eletrizantes e uma estrutura que valoriza tanto o desporto quanto seus competidores. Mais do que um espetáculo de combates, o RISE representa a evolução do MMA em Portugal, dando espaço para novos nomes e fortalecendo a modalidade no cenário nacional. Hoje, vamos conversar sobre a importância do evento, os desafios da organização e as expectativas para esta edição.

AMMA: Diego, antes de falar sobre o evento, gostaríamos de saber um pouco mais sobre o seu percurso. Qual a sua ligação pessoal com as artes marciais mistas (MMA) e qual foi o momento que o fez pensar: “Vou organizar o meu próprio evento”?

Diego Faísca: A minha ligação às artes marciais vem de muito cedo. Comecei a treinar jiu-jitsu ainda miúdo, por iniciativa própria, numa fase da minha vida em que precisava de disciplina e de um caminho. As artes marciais deram-me estrutura, respeito e uma direção quando tudo era instável.

 

Mais tarde, como lutador de MMA e depois como treinador, vivi na pele as dificuldades do meio: falta de oportunidades, eventos mal organizados, lutas escolhidas. Quando vim para Portugal e comecei a trabalhar com atletas aqui, percebi que muitos desses problemas continuavam a existir. Foi aí que surgiu a decisão de criar algo diferente. O RISE nasceu da necessidade de fazer melhor e de criar um palco justo para os atletas.

 

AMMA: O nome “RISE” sugere um novo patamar. Qual foi a visão ou a lacuna que o RISE veio preencher no cenário nacional do MMA?

DF: O RISE nasceu com a intenção de elevar o nível do MMA em Portugal, em todos os sentidos. Tanto que a primeira edição foi composta apenas por lutas profissionais, incluindo atletas vindos de fora do país, para garantir combates competitivos e de qualidade.

 

Foi uma experiência importante, mas também muito esclarecedora. Trazer atletas de fora envolve custos elevados e, muitas vezes, não cria a ligação com o público local. Ao mesmo tempo, percebemos que existe muito talento cá dentro que precisa de palco.

 

A partir daí, o RISE assumiu uma identidade ainda mais clara: ser um evento que une lutas profissionais e amadoras, sempre com seriedade, organização e respeito. As lutas profissionais vão continuar a existir, mas o amador passa a ser visto como a base para construir o futuro do MMA português.

 

AMMA: Como avalia a adesão do público e dos atletas à edição do RISE? Correspondeu às expectativas iniciais?

DF:A adesão foi positiva e deixou-nos satisfeitos dentro da nossa realidade atual. A bilheteira correu bem e, acima de tudo, sentimos o envolvimento do público.

 

Percebemos também que o público se identifica muito mais quando vê atletas da sua região, pessoas que acompanha no dia-a-dia. Isso trouxe uma energia diferente ao evento. Do lado dos atletas, o feedback foi muito positivo, tanto de profissionais como de amadores, sobretudo pela organização e pelo respeito com que foram tratados.

 

AMMA: No dia do evento, houve algum momento ou combate que o fez sentir que o seu trabalho estava a valer a pena? Qual foi a sua principal aprendizagem?

DF: Houve vários momentos marcantes, mas o que mais me tocou foi ver atletas, especialmente amadores, entrarem na jaula sentindo-se valorizados e

respeitados. Isso mexe comigo porque eu já estive desse lado.

 

A principal aprendizagem foi perceber que os detalhes fazem toda a diferença. Organização, comunicação e respeito mudam completamente a experiência do atleta e do público.

 

AMMA:A organização de um evento desta magnitude exige muito esforço e investimento. Que tipo de apoios têm conseguido angariar e qual a importância deles para a sustentabilidade do RISE?

 

DF:Desde o início, o RISE foi construído muito à base da fé, da vontade e da crença de que as coisas iam dar certo. Muitas vezes avançámos sem saber exatamente que apoios iriam surgir, mas sempre acreditando no projeto e trabalhando para que o evento tivesse qualidade.

Felizmente, a cada edição têm surgido patrocinadores e parceiros que acreditam no RISE e que tornam tudo isto possível. Esses apoios têm sido fundamentais para garantir que os atletas sejam bem tratados: desde o equipamento, como luvas e vestuário, até condições básicas como alimentação e bebida no dia do evento.

 

O nosso objetivo sempre foi proporcionar um evento de nível elevado, onde o atleta se sinta valorizado e respeitado, com uma estrutura profissional, boas entradas e uma imagem cuidada. Com a ajuda dos patrocinadores e com muito esforço próprio, temos conseguido entregar isso. Quem já esteve no RISE percebe que há uma preocupação real em fazer tudo com qualidade e ao mais alto nível possível.

 

AMMA:Quais são os objetivos a longo prazo para o RISE MMA?

DF:Os nossos objetivos passam por crescer de forma consistente e sustentável, não só no MMA, mas também noutras modalidades. Para além do RISE MMA, queremos também investir no RISE Jiu-Jitsu e elevar o nível dos eventos de Jiu-Jitsu em Portugal.

 

Já realizámos uma primeira edição de Jiu-Jitsu, que foi uma experiência importante, mas também de aprendizagem. Identificámos vários pontos a melhorar, desde a organização até à valorização dos atletas, e isso deu-nos ainda mais motivação para fazer diferente nas próximas edições.

 

A nossa intenção é levar para o Jiu-Jitsu o mesmo padrão de qualidade que temos vindo a construir no MMA: melhor estrutura, melhor apresentação e mais valorização do atleta. Queremos implementar cinturões, dar mais destaque aos combates e criar um evento que faça o atleta sentir-se realmente

reconhecido.

 

Ao longo do ano, a ideia é realizar eventos de MMA e também de Jiu-Jitsu, sempre com essa preocupação de elevar o nível e criar algo distinto do que já existe. O RISE quer crescer como marca e como plataforma para atletas, independentemente da modalidade.

 

AMMA:Existe algum projeto que sonham implementar para elevar ainda mais a experiência do espectador?

DF:Sim. Queremos continuar a fortalecer a identidade do RISE, criando estruturas como rankings, possivelmente cinturões no futuro, e uma

experiência cada vez mais completa para o público. Tudo isso será feito no tempo certo, sem perder a essência do evento.

 

AMMA: Qual o principal desafio que enfrenta hoje como promotor de MMA em Portugal?

DF:O maior desafio é, sem dúvida, financeiro e estrutural. Organizar um evento de MMA exige muito investimento, e o desporto ainda não tem o reconhecimento institucional que merece. Além disso, há desafios logísticos e regulatórios constantes.

O mais difícil é manter a consistência sem comprometer a qualidade.

 

AMMA:Qual é o papel que o RISE pretende desempenhar no desenvolvimento dos lutadores portugueses?

DF:O RISE quer ser um palco de construção. Vai haver sempre espaço para lutas profissionais, mas também queremos dar oportunidade ao atleta amador, porque é aí que tudo começa.

 

A ideia é criar condições para que o atleta amador viva uma experiência próxima da profissional, ganhe maturidade, visibilidade e esteja preparado para dar o próximo passo. Assim, começamos a formar atletas cá dentro e a fortalecer o MMA português a longo prazo.

 

AMMA: Para quem ainda não conhece o RISE e também para os que aguardam a próxima edição, como os fãs. Qual é a sua mensagem?

DF:O RISE está só a começar. Estamos a construir algo com verdade, trabalho e muita dedicação. A cada edição procuramos evoluir, melhorar a organização e elevar o nível dos combates.

Aos fãs, obrigado por acreditarem. Aos atletas, continuem a trabalhar — o palco está a ser construído para vocês.

 

Texto: Vitor Gomes

Fotos: cedidas por Diego Faísca

 

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terça-feira, 6 de janeiro de 2026 – 07:12:16

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