- João Sousa eliminado e regressa na Taça Davis
Gastão Elias apurou-se pela segunda semana consecutiva para as meias-finais na nave de campos cobertos do Complexo de Ténis do Jamor e tornou-se no único representante português em prova no Indoor Oeiras Open II. De categoria superior (75) ao da semana passada (50), este é o segundo torneio ATP Challenger organizado pela Federação Portuguesa de Ténis em 2024.
A vitória desta quinta-feira foi conseguida às custas do francês Valentin Royer (258.º) com os parciais de 6-4 e 6-4, mas Gastão Elias (304.º e ex-57.º) precisou de aplicar-se para celebrar pela sétima vez esta época.
No primeiro set, o tenista da Lourinhã venceu todos os pontos importantes até ao sétimo jogo (5-2 com dois breaks), mas permitiu a aproximação de Royer (carrasco de Henrique Rocha na primeira ronda e semifinalista na semana anterior) depois de dispor de dois set points. No segundo, uma quebra de serviço precoce fez antever uma marcha mais tranquila, só que as três chances desperdiçadas de empreitada para duplo break no quarto jogo deram uma vida extra ao opositor de 22 anos, que ainda ameaçou a reposição da igualdade quando o português serviu para a vitória.
“Podia ter sido mais tranquilo. Podia ter aproveitado ali um momento ou outro em que passei para a frente do marcador e ter aproveitado para pisar a fundo o acelerador. Infelizmente relaxei um pouco em certos momentos e permiti que o meu adversário voltasse ao jogo. Correu tudo bem, mas podia ter sido perigoso quando baixei a intensidade”, admitiu na análise ao duelo.
Esta foi a 22.ª vitória de Gastão Elias nos últimos 23 encontros realizados no Complexo de Ténis do Jamor (o único dissabor foi a derrota na final do primeiro Indoor Oeiras Open) e o tenista português salientou a importância de competir em casa: "Quero aproveitar todos os torneios que acontecerem aqui. Infelizmente, durante muitos anos da minha carreira não tive oportunidade de jogar em Portugal. Nestes últimos anos temos estas oportunidades todas e há que estar realmente grato. Talvez os mais jovens não deem muito valor a isto, mas é muito fora do normal o que está a acontecer no nosso país, que tem tantos torneios a este nível. Há que aproveitar ao máximo e dou-me bem a jogar em casa.”
Os números confirmam-no e na sexta-feira terá a oportunidade de alcançar a sexta final Challenger da carreira em território português (aliás, todas no Jamor), mas a tarefa não será fácil.
Do outro lado da rede estará o suíço Leandro Riedi, oitavo cabeça de série graças ao 320.º lugar no ranking, bem abaixo do 126.º que ocupou há menos de um ano.
O jovem de 21 anos tem "um grande serviço, direitas grandes e esquerdas com força", para além de "muito talento". Por isso, o português espera dificuldades de um adversário que ainda não perdeu sets e voltou a impressionar ao vencer o qualifier Elmer Moller por 6-3 e 6-2 no arranque desta jornada.
Tal como há uma semana, a possibilidade do Indoor Oeiras Open II contar com uma final 100% portuguesa voltou a cair por terra nos quartos de final com uma derrota de João Sousa. Desta vez, o ex-top 30 esbarrou no serviço de Martin Damm, norte-americano de 2,03 metros e 14 anos mais novo que apontou 20 ases a caminho de uma vitória por 6-2 e 7-5.
"Não há grande coisa a dizer. Ele serviu melhor, respondeu melhor, foi melhor do que eu em todos os capítulos e daí a vitória", afirmou, conformado, no encerramento da quinzena. "Senti que nunca consegui entrar no ritmo. Não havia trocas de bolas, era sempre serviço-resposta e é sempre muito difícil jogar contra este tipo de jogadores, ainda para mais numa fase em que eu preciso de ritmo para acontecer. Hoje nunca acontecei e acho que nem suei, mas há pouco a dizer. Foi mérito dele."
Para o melhor português de sempre seguem-se uns dias de “descanso e treino” antes do regresso já com as cores do país ao peito, quando Portugal defrontar a Finlândia a 2 e 3 de fevereiro para tentar o inédito apuramento para a fase final da Taça Davis.
Já o norte-americano, jogará na sexta-feira as segundas meias-finais em torneios Challenger com o objetivo de alcançar a final mais importante da carreira.
Para isso, Damm — que em 2023 conquistou um título ITF M25 em Setúbal — terá de superar outro jogador que já esteve no top 100: o romeno Marius Copil, atual 322.º que foi 56.º em 2019 (no ano anterior jogou duas finais ATP) e que, apesar dos 33 anos, teve pernas e fôlego para lutar durante 3h35 e eliminar o primeiro cabeça de série, Alejandro Moro Canas (241.º), por 6-4, 6-7(6) e 7-6(7).
Copil, que começou a semana no qualifying, até teve um match point na segunda partida, mas acabou por precisar de um tie-break de terceiro set — em que até salvou um match point com um ás — para celebrar pela quinta vez na semana (e no ano).
As meias-finais de singulares do Indoor Oeiras Open II acontecem a partir das 13h — primeiro com o encontro entre Copil e Damm, seguido do duelo de Elias com Riedi — e são ensanduichadas pelas da variante de pares.
Logo de manhã, às 10h30, Mikelis Libietis e Patrik Niklas-Salminen lutarão com Karol Drzewiecki e Piotr Matuszewski pela primeira vaga na final. E a fechar o dia Arjun Kadhe e Marcus Willis (que esta quinta-feira beneficiaram da desistência de Gonçalo Falcão e Fernando Romboli) discutirão a segunda com Filip Bergevi e Mick Veldheer.