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A Bélgica mostrou ontem a razão por que está na liderança da Poule E e que tem toda a legitimidade ao almejar a qualificação para a Final Four (Bulgária) ou mesmo a Final Six (Brasil). Com uma equipa que não abre brechas na sua defesa e comete muito poucos erros, quer no serviço quer no ataque, a Bélgica pode dar-se ao luxo de fazer o seu jogo e mantê-lo sob o seu ritmo praticamente de fio a pavio (3-0: 25-16, 25-21 e 25-23).
Por seu turno, Portugal, debilitado no seu seis pelas ausências de Hugo Gaspar e André Lopes (e João José, ainda não totalmente recuperado de uma lesão), iniciou o jogo como se estivesse num campo minado, tais foram as cautelas que denotou em não ceder pontos.
Contudo, isso funcionou ao contrário, já que a turma das quinas tardou em conseguir assentar o seu jogo, apresentando falhas na recepção, que continua a não ser perfeita, e no serviço (1.º e 2.º sets), para finalmente no terceiro parcial conseguir mostrar um pouco do seu real valor, conquistando, com uma garra pouco visível até aí, a liderança no marcador (8-6 e 16-14), o que teve o condão de abalar, se bem que momentaneamente, a confiança da Bélgica e dos cerca de 2500 espectadores a ela afectos.
O primeiro set começou sob o ritmo do equilíbrio: a Bélgica pontuava e Portugal respondia com igual determinação. Pelo menos até aos 4-4. Nessa altura, ao ponto conseguido por Seppe Baetens desde a segunda linha, os portugueses responderam com três erros, dois deles consecutivos no ataque (4-8).
O primeiro tempo técnico não trouxe tranquilidade à equipa de Hugo Silva, que viu Baetens aumentar a sua contagem pessoal (11-4).
O Seleccionador Nacional fez alterações, mas os belgas continuaram a facturar e atingiram a segunda paragem obrigatória com uma enorme vantagem (16-7), fruto de mais um ataque do veloz Baetens.
Hugo Silva reuniu com os seus jogadores, quando o oposto Gert Van Walle, uma das estrelas locais, fez o 18-8 com um serviço directo, intranquilizando ainda mais os jogadores lusitanos, que não conseguiam assentar o seu jogo, desperdiçando pontos preciosos com erros pouco usuais e fruto de algum nervosismo.
A Selecção Nacional reagiu quando estava já tudo decidido: a perder por 12-24, amenizou a diferença com um serviço directo de Kibinho e ataques de Marcel Gil e Tiago Violas, mas não conseguiu impedir a vitória da Bélgica por 25-16.
No segundo set, a Bélgica aumentou a pressão e Baetens fez o seu 8.º ponto individual, colocando a sua equipa em vantagem (3-1). dois pontos consecutivos de Gert Van Walle no ataque tornaram mais visível a diferença pontual (5-2).
Portugal reagiu com agressividade (6-6) e passou para a frente com um bloco de Marco Ferreira, chegando em vantagem ao primeiro tempo técnico através de um ataque de Fabrício «Kibinho» Silva (8-7).
Apesar de estar a jogar melhor, Portugal tardava a ganhar confiança necessária para contrariar um adversário tão forte e o jogo continuou a desenrolar-se sob a batuta da equipa de Dominique Baeyens (16-12).
O 18-13, conseguido com um ataque indefensável de Baetens, levou o público ao rubro.
Marcel Gil ainda fez o 14-19, mas Baetens, Deroo & Companhia mostravam-se muito seguros de si.
O público não gostou quando José Vieira (Calaça) aproximou Portugal (16-20), nem quando Marco Ferreira manteve a distância (18-22 e 19-23), mas os belgas, muito seguros da sua força, não vacilavam, enquanto os portugueses, na ânsia de ganhar pontos, falhavam serviços. E foi com naturalidade que a Bélgica selou o segundo set com mais um ataque de Baetens: 25-21.
No terceiro set, a Bélgica teve de se debater com os ataques de Marco Ferreira e Valdir Sequeira, mas logrou chegar em vantagem ao primeiro tempo técnico (8-6).
Valdir Sequeira, com dois serviços directos, igualou e colocou Portugal no comando do marcador (9-8).
Um serviço directo de João Oliveira manteve a liderança, que Marcel Gil tratou de fortalecer (14-12).
E foi com toda a justiça que a Selecção Nacional chegou ao segundo tempo técnico a vencer por 16-14 (amorti de Marco Ferreira), um resultado parcelar que premiava a sua boa exibição e, sobretudo, a garra com que então discutia todos os pontos.
Dois pontos de Kibinho no ataque mantiveram a toada (18-16), mas um serviço directo de Coolman igualou (18-18) e obrigou o Seleccionador Nacional a reunir com os seus jogadores.
Marcel Gil ainda fez o 19-18, mas a habilidade de Sam Deroo deu vantagem aos belgas (21-19). Marco reduziu e Valdir igualou (21-21). Alguns erros pouco usuais deixaram fugir novamente os belgas (21-23), mas Marco voltou a aproximar Portugal.
Contudo, a Bélgica fez o 24-22 e abriu caminho ao triunfo por 25-23.
O belga Seppe Baetens (17 pontos) cotou-se como o melhor pontuador, com apenas mais um ponto do que Marco Ferreira (16). Sam Deroo (13), Gert Van Walle (12), João Oliveira (10) e Marcel Gil (7) foram os outros jogadores mais concretizadores.
Hoje, pelas 15h10, a Selecção Nacional volta a defrontar a Bélgica no Country Hall de Liège.
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Comitiva Portuguesa |
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Nome |
Posição |
DN |
Clube |
| Ivo Casas | Libero | 21.09.92 | SL Benfica |
| Marcel Gil | Central | 08.05.90 | Beauvais (FRA) |
| João Oliveira | Zona 4 | 31.07.95 | SL Benfica |
| Miguel Rodrigues | Distribuidor | 02.03.93 | Piacenza (ITA) |
| José Roberto Vieira | Oposto | 06.06.83 | Chênois (SUI) |
| João José | Central | 07.06.78 | AJ Fonte do Bastardo |
| Tiago Violas | Distribuidor | 27.03.89 | AJF Bastardo |
| Marco Ferreira | Oposto | 04.10.87 | SC Espinho |
| Valdir Sequeira | Oposto / Z4 | 22.11.81 | SC Espinho |
| João Fidalgo | Libero | 02.11.86 | AJF Bastardo |
| Alexandre Ferreira | Zona 4 | 13.11.91 | Ziraat Bankasi (TUR) |
| Fabrício Silva | Central | 24.10.81 | SL Benfica |
| Chefe da Delegação: António Sá | |||
| Treinador Principal: Hugo Silva | |||
| Treinador Adjunto: Carlos Prata | |||
| Médico: Carlos Magalhães | |||
| Scouter: Ricardo Rocha | |||
| Fisioterapeuta: Diogo Barata | |||