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Elisabete Ladeira e “A Aventura de uma Gotinha”

 

 

Elisabete Ladeira, é uma autora multidisciplinar, lisboeta de 39 anos, com um público alvo muito específico, as crianças.

 

O segredo da escritora de “A Aventura de uma Gotinha” foi sempre sonhar. Sonhou ser educadora, escritora, cantora e assim foi sempre conseguindo concretizar os seus sonhos.

 

Mesmo nesta fase difícil em que estamos a ultrapassar da pandemia, foi desafiada, com o apoio incondicional da sua mãe e com a dedicação da editora Flamingo Edições, a lançar o seu primeiro livro para crianças, em que a história é em torno de uma Gotinha de Água no seu ciclo natural. Educa não só os seus alunos pela importância dela, como todas as crianças que desfrutem da história e sensibiliza os adultos que a leem aos seus mais pequenos.

 

Neste seu primeiro livro, Elisabete Ladeira tem a oportunidade de fazer chegar mais longe, a mais crianças, tanto a componente lúdica como a educativa, para esta causa tão nobre que é preservar a água.

 

AMMA: Na sua experiência de educadora, o contar uma história às crianças teve influência directa na materialização desta história e do livro. Quando conta uma história aos seus alunos e vê que ela lhes toca os corações, que emoção tem nesse momento?

 

Elisabete Ladeira: Sinto uma enorme alegria…e um sentimento de dever cumprido, invade o meu coração.

É maravilhoso perceber que a mensagem foi compreendida e chegou ao destinatário.

Na verdade, esta história surgiu da necessidade de trabalhar o ciclo da água e o esquema corporal, com um grupo de crianças de 2/3 anos. Ao querer fugir ao que já existia, dei comigo a fazer o que realmente me fazia sentido.

E quando a contei na sala, a reacção das crianças foi maravilhosa.

Na verdade, da 3ª vez que a contei, o meu grupo  já antecipava uma quantidade significativa de rimas, o que vem provar que os textos poéticos, pela sua sonoridade, são mais facilmente entendidos e interiorizados pelos mais pequenos.

 

AMMA: Em que consiste a base desta obra? Qual o ponto que quer transmitir e consciencializar tanto os mais pequenos como os adultos que lhes estão a ler o livro?

 

EL: Esta obra foca um tema que me parece dos mais pertinentes da actualidade, a importância da Água para a preservação da vida no nosso planeta e as formas de a rentabilizarmos de forma sustentável.

 

AMMA: É fácil sentar um grupo de crianças a ouvir uma história?

 

EL: Quando se é apaixonada por aquilo que se faz, sim… desde que me conheço como gente, sempre estive rodeada de livros e histórias de encantar, fruto de uma mãe, também ela educadora, e que sempre adorou ler e me transmitiu essa enorme paixão pelos livros e de um pai com um enorme talento para o fado e uma enorme facilidade para fazer rimas.

O mesmo acontece com as crianças com quem trabalho. Se demonstro alegria e prazer naquilo que estou a fazer, mais facilmente desperto o interesse das mesmas promovendo nestas o gosto pelas histórias e despertando a curiosidade para esse objecto tão especial… o livro…

A hora da história é um momento de partilha, descontração e divertimento, pois a componente lúdica é fundamental nestas idades.

 

AMMA: Quais as faixas etárias em que são mais curiosos, atentos e para os quais desenvolve a maior parte dos seus trabalhos?

 

EL: Como uma semente que se lança na terra, para no futuro gerar uma árvore,  também o gosto pelos livros tem que ser cultivado desde tenra idade.

Desde bebé que este objecto deve fazer parte dos “brinquedos” da criança.

Se estimulada na infância, a leitura vira um hábito para a vida.

Conto diariamente histórias aos meus grupos de creche… 1 e 2 anos.

As histórias são ferramentas essenciais para a construção da identidade e dos valores da criança.

Através das histórias a criança desenvolve o raciocínio e aumenta a capacidade de compreensão do Mundo , enriquecendo o vocabulário e facilitando a sua capacidade para se expressar.

Estimula a imaginação e a criatividade e fortalece o laço afectivo entre adulto e criança.

Ao nível emocional, as histórias permitem á criança,  reconhecer, entender, consciencializar e expressar de forma assertiva as suas emoções e sentimento.

Com os mais velhos cria-se uma relação de empatia com as personagens da narrativa o que permite à criança vivenciar indiretamente os conflitos e a resolução dos mesmos, vividas pelas personagens.

Até aos 3 anos devemos contar histórias simples, de ritmo lento, utilizando expressões conhecidas pelas crianças e aproveitar para introduzir novas palavras e conceitos.

Ao contar uma história é também muito importante a comunicação não-verbal podendo enriquece-la, com expressões, sons, gestos e pequenas teatralizações envolvendo mais a criança na história e aumentando o seu interesse.

No entanto, o meu trabalho de escrita está mais vocacionado para crianças em idade pré-escolar… dos 3 aos 6 anos. Idade em que as crianças se demonstram mais curiosas, atentas e interessadas em perceber o porquê das coisas.

Mas faz tudo parte de um processo… é preciso, semear… para se poder colher os frutos…

 

AMMA: É fácil criar um contexto lúdico e educativo em simultâneo ou é um duplo desafio para si?

 

EL: Digamos que não me é difícil fazê-lo,  tendo em conta que já se tornou um hábito… sempre que quero trabalhar um tema e não encontro nada que satisfaça as minhas necessidades, eu crio…

E a minha profissão exige que seja criativa por forma a fazer chegar, mais facilmente a mensagem, às crianças com quem trabalho.

 

AMMA: O que a motivou a escolher este tema para o seu primeiro livro?

 

EL: Sendo este um tema de importância fulcral, na nossa sociedade e transversal entre as diversas gerações, pareceu-me oportuno abordá-lo neste pequeno livro criado para crianças, de forma leve e divertida e permitindo a pais e educadores desenvolver nestas, a responsabilidade de preservar e cuidar deste recurso natural, cada vez mais escasso e de importância fundamental, para a preservação da vida no nosso planeta.

Para entendermos até que ponto a água é preciosa, basta dizer que 96,54% da que existe no planeta é salina, portanto, imprópria para consumo humano ou para a agricultura. Dois terços da fatia restante está nos pólos, na forma de gelo, portanto, também inacessível. Na realidade, apenas 1% da água total da Terra é utilizável pelos humanos.

É por isso, de extrema importância sensibilizar o público para uma mudança de comportamentos no modo de consumo da água e para um uso eficiente deste bem, contribuindo assim para uma maior sustentabilidade hídrica.

O Dia Mundial da Água, comemorado no dia 22 de Março surgiu com o objetivo de criar medidas para a preservação da água e sensibilização em relação a este recurso natural , a nossa Gotinha chega com o objectivo de sensibilizar os mais novos para a preservação do ambiente e promover uma utilização sustentável da água, ao mesmo tempo que expõe de forma alegre e divertida, o seu Ciclo.

 

 

AMMA: É preciso ter uma grande cumplicidade e sincronização com a ilustradora, neste caso a Tatiana Dolgova? Vocês já se conheciam antes deste projecto?

 

EL: Para falar verdade… ainda não conheci pessoalmente a ilustradora do meu livro, pois este projecto iniciou em plena pandemia, no decorrer do 2º confinamento geral… tendo sido a comunicação, sempre feita por meio digital.

Foram-me enviados diversos trabalhos de diferentes ilustradores, pela editora, e a Tatiana Dolgova destacou-se pelas suas ilustrações coloridas e mais próximas da realidade que era o que pretendia tendo em conta a faixa etária a que se destina o meu livro.

Assim sendo, dei as minhas ideias e a Tatiana conseguiu torná-las ainda melhores do que tinha imaginado.

Superou as expectativas e sem dúvida que quero conhecê-la pessoalmente.

 

AMMA: Teve o incentivo da sua mãe e o apoio da editora em lançar esta obra para crianças. No geral qual é a maior dificuldade que os escritores têm para colocar um livro no mercado?

 

EL: Na realidade não há grande espaço para novos autores… e os que tal como eu perdem o medo e avançam, necessitam ter coragem e alguma capacidade financeira para arriscar, pois foi necessário algum investimento da minha parte para avançar com a publicação.

O mercado editorial, foca-se nos grandes nomes… aqueles que lhes dão lucro garantido, cujo nome, só por si já vende…e eu compreendo, porque infelizmente existem cada vez menos leitores e as editoras precisam de apostar em quem lhes permite e lhes garante manter as portas abertas…

Mas por outro lado acaba por não se dar a mão a novos talentos.

No entanto, sou grata á flamingo edições que após ter recebido este original, decidiu embarcar comigo nesta aventura.

E aqui estamos nós.

 

AMMA: O que espera que se faça em Portugal para que os escritores consigam mais agilidade para poderem criar e comercializar os seus trabalhos?

 

EL: Que exista um maior apoio governamental, à cultura,  de forma a permitir às editoras lançar novos autores e abraçar novos projectos, que de outra forma, nunca sairão da gaveta…

E por vezes perdem-se enormes talentos, por falta de investimento nesta área.

 

AMMA: Tendo uma componente artística multidisciplinar, já pensou num futuro próximo, editar um disco com canções suas com os seus alunos?

 

EL: Pensar já pensei… até porque cantar é outra das minhas grandes paixões. Aliás a titulo de curiosidade cheguei a fazer festas de final de ano lectivo, com canções escritas e cantadas por mim (risos), os educadores o que não têm… inventam.

Mas esses são caminhos que ainda não explorei… nem investiguei formas de lá chegar…

Já foi uma grande loucura dar este primeiro passo… mas quem sabe… se surgir a oportunidade… aqui estarei para a agarrar.

 

AMMA: Que mensagem tem a deixar aqui aos nossos leitores, tanto para os adultos, como a que quer que transmitam aos seus pequenos?

 

EL: Que nunca desistam de correr atrás dos vossos sonhos…

Há uns anos li uma frase de Shakespeare que dizia o seguinte:

 “Se os sonhos estão nas nuvens… Eles estão no lugar certo, agora construa os alicerces!”

 

E para terminar deixo aqui um pequeno poema da minha autoria, que vai ao encontro da mensagem que quero deixar a miúdos e graúdos…

 

O sonho comanda a vida,

já dizia o poeta,

e é sonhando que se avança,

até se alcançar a meta.

 

Luta pelo que acreditas,

segue em frente, sem receio,

Não desistas dos teus sonhos,

Eles não são um devaneio.

 

Sonhos tornam-se reais,

é preciso acreditar,

por isso apenas te digo,

Nunca deixes de sonhar!

 

Texto: Pedro MF Mestre

Fotos: (cedidas pela autora)

 

 

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sábado, 23 de outubro de 2021 – 07:49:38

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