Victor Hugo Pontes regressa a Guimarães e ao CCVF para apresentar uma criação coreográfica que parte de um verso da canção “Inquietação”, de José Mário Branco, onde o corpo surge como símbolo de liberdade
"Há qualquer coisa prestes a acontecer" no Centro Cultural Vila Flor
"Há qualquer coisa prestes a acontecer", de Victor Hugo Pontes © José Caldeira
A noite de 14 de fevereiro (sábado) marca o regresso das criações de Victor Hugo Pontes ao Centro Cultural Vila Flor (CCVF). Partindo de um verso da canção “Inquietação”, de José Mário Branco, para construir uma peça onde o corpo surge como símbolo de liberdade, o coreógrafo vimaranense apresenta o espetáculo "Há qualquer coisa prestes a acontecer" às 21h30, no Grande Auditório Francisca Abreu.
Antes dos intérpretes surgirem em palco no CCVF, abre-se espaço para a estreia do documentário “Ubuntu” no Teatro Jordão (12 março, 21h30) e para o workshop dedicado ao repertório coreográfico de Victor Hugo Pontes (13 março, 10h00-13h00), dirigido a estudantes e profissionais das artes performativas interessados em mergulhar no universo criativo de um dos mais relevantes coreógrafos portugueses das últimas duas décadas.
Inspirada no verso “Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer” (José Mário Branco), esta coreografia parte da ideia de inquietação como motor criativo. Tal como num laboratório onde se isola uma partícula essencial para compreender a complexidade do todo, o espetáculo toma esse verso como ponto de partida para construir uma obra que convoca os sentidos e reivindica a liberdade absoluta.
Em “Há qualquer coisa prestes a acontecer”, um grupo de intérpretes (Abel Rojo, Alejandro Fuster, Ana de Oliveira e Silva, Ángela Diaz Quintela, Daniela Cruz, Dinis Duarte, Esmée Aude Capsie, Fabri Gomez, Guilherme Leal, Inês Fertuzinhos, João Cardoso, Joana Couto, José Jalane, Liliana Oliveira, Rémi Bourchany, Rita Alves, Tiago Barreiros, Tomás Fernandes, Valter Fernandes) forma uma irreprimível e contagiante massa física coletiva, um corpo de baile despido e disponível para interrogar tudo o que nos move, assusta, ameaça, transforma, condiciona e, acima de tudo, liberta. Porque "cá dentro é só inquietação, inquietação".
Não há alusões imediatas a um estado de coisas político, ideológico ou ambiental. O espetáculo coloca antes o espectador perante a sensação de um tempo iminente — um momento em suspenso, carregado de possibilidade. Do perigo lá fora (no mundo) às barreiras cá dentro (na nossa cabeça) que habitam em nós, a coreografia convida-nos a revisitar continuamente aquilo que nos rodeia e o lugar que ocupamos nele, como refere o coreógrafo. A nudez surge aqui trabalhada como o avesso do instintivo e do primário. No corpo de baile despido em palco, Victor Hugo Pontes procura antes revelar “o mais racional sentido do humano, o mais forjado, o mais virtuoso e, por isso mesmo, o mais livre”.
Estreado em 2024, num ano em que o país assinalou cinquenta anos de história em liberdade, o espetáculo posiciona-se nesse espaço entre o olhar sobre o passado e a interrogação sobre o futuro. É nesse território intermédio que o coreógrafo projeta a sua criação, procurando refletir sobre o caminho que ainda temos pela frente para preservar essa liberdade maior.
Após o espetáculo, o público é convidado a permanecer para uma conversa pós-espetáculo com Victor Hugo Pontes. Este momento de partilha informal permitirá conhecer melhor os processos criativos e os temas que atravessam a obra, promovendo um espaço de aproximação e diálogo entre artistas e espectadores.
Ainda antes dos intérpretes surgirem em palco no CCVF, é exibido no Teatro Jordão, a 12 de março, às 21h30, o documentário “Ubuntu”, orbitando em torno do processo de criação do espetáculo “Bantu” de Victor Hugo Pontes, estreado em outubro de 2023. O filme acompanha um grupo de bailarinos que não se conhecem (uns portugueses, outros moçambicanos), desde o primeiro dia de ensaios até ao dia de estreia. A entrada para assistir a este documentário realizado pelo coletivo JUNO e produzido pela Nome Próprio é gratuita, até ao limite da lotação disponível.
Já no dia 13 de março, entre as 10h00 e as 13h00, terá lugar um workshop de repertório orientado por Victor Hugo Pontes, dirigido a estudantes e profissionais das artes performativas. Promovida pela produtora Nome Próprio, a formação propõe uma imersão prática no universo coreográfico do criador, através da exploração de excertos de “Há qualquer coisa prestes a acontecer”. O workshop tem duração de 3 horas, lotação para 25 participantes e custo de 15 euros, incluindo bilhete para o espetáculo. A inscrição pode ser realizada através do formulário disponível online em www.aoficina.pt.
Com esta programação, o Centro Cultural Vila Flor propõe ao público uma experiência expandida em torno da criação coreográfica, que atravessa o palco, o cinema e a prática artística, reforçando a presença de Victor Hugo Pontes como uma das figuras mais relevantes da dança contemporânea portuguesa das últimas duas décadas.
Os bilhetes para assistir ao espetáculo (dirigido a maiores de 16 anos de idade) têm o valor de 15 euros ou 12,5 euros com desconto, podendo ser adquiridos online em oficina.bol.pt e presencialmente nas bilheteiras dos equipamentos geridos pel’A Oficina como o Centro Cultural Vila Flor (CCVF), o Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG), a Casa da Memória de Guimarães (CDMG) e a Loja Oficina (LO).